É hoje que o meu gato deixa de ser autista...
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Sansão - o gato autista
“Autismo - au.tis.mo masculino - transtorno invasivo do desenvolvimento que compromete as interacções sociais, comunicação e a variedade comportamental do portador.”
Finalmente encontrei a
justificação para a conduta do meu gato. Anteriormente designado por “Sansão, o
Morcão”, cedo começou a revelar uma sintomatologia coerente e reveladora da malfadada
maleita que o impede de acompanhar, literalmente, as pegadas da sua irmã e ser
um gato de apartamento feliz, descontraído e sociável. Dalila, a irrepreensível
anfitriã que acolhe toda e qualquer visita na sua mansão com pulos enérgicos (e
um pouco descontrolados) de modo a receber mimos que cubram a maior parte da
sua área corporal, é o animal perfeito para se ter em casa, se exceptuarmos os
ataques compulsivos de comichão nas patas, aliviadas sempre pelos meus sofás e
cadeiras, já sem pele e com a espuma à vista. Mas nem o contacto com ela, nem o nome com que o baptizámos, fizeram com que a personalidade do coitadito mudasse.
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| Sansão e Dalila com 1 mês |
O felino é o verdadeiro fenómeno. Senão vejamos. De acordo com a Associação Americana de Autismo, os sintomas de autismo incluem:
1. Distúrbios no ritmo de aparecimentos de
habilidades físicas, sociais e linguísticas.
Confirma-se. Já lá vão dois anos e tal, o que
na idade dos gatos significa… 7x2=14… +7/12x(Setembro, Outubro, Novembro,
Dezembro, Janeiro)… Bem, mais do que a idade do armário, pelo que as desculpas
de uma puberdade retardada não se adequam a este contexto, e no que diz
respeito a este exemplar, as suas habilidades sociais são iguais às de uma
pedra.
Quanto às “habilidade físicas”, há
uma em particular que me apraz bastante: quando vê um desconhecido em casa
(que, basicamente, é todo o ser humano que não eu ou o maridão, mesmo que já lá tenha estado quinhentas vezes)
petrifica. É capaz de ficar horas a fio na mesma posição (às vezes dois ou três dias se a estadia das
visitas se prolongar) e, se tentar pegar nele, faço-o com uma
enorme dificuldade porque parece que pesa o dobro do normal. Não come, não dorme e às vezes parece que desliga o cérebro.
No que diz respeito às suas
habilidades linguísticas, falarei mais à frente.
2. Reacções anormais às sensações. As funções ou áreas mais afectadas
são: visão, audição, tacto, dor, equilíbrio, olfacto, gustação e maneira de
manter o corpo.
Confirma-se também na generalidade.
Momentos houve em que pensamos mesmo que era primo do Stevie Wonder, porque é
preto e não enxergava alguns obstáculos. Mas parece-nos que com o tempo sofreu
significativas melhorias no campo visual (isso ou foi decorando os caminhos de
modo a conseguir desviar-se a tempo).
Parece-me também que tem uma
audição sã apenas para alguns comprimentos de onda porque, quando quero sair de
casa e o chamo para não ficar nos quartos, não me aparece, mas, se logo a
seguir fizer barulho com a porta do frigorífico ou com a embalagem do fiambre, surge
numa correria, mesmo que esteja na ponta oposta da casa e que a televisão
esteja no volume máximo.
Os meus gatos (e aqui também tenho
de falar na Dalila) têm um paladar muito selectivo e estranho até: ou sabem ler
e têm a mania das marcas, ou então são realmente críticos em relação às rações
do supermercado: linhas brancas, “jamé”; Friskies, nem constipados; Wiskas só
misturados com a ração que mais gostam; Purina, vão comendo, mas ao início retorcem os bigodes; mas a Royal Canin chamam-lhe um figo! Para quem não sabe, apresentei
as marcas por ordem crescente de preço, só para terem uma ideia da “chiqueza”
da bicharada. Só não são esquisitos na hora de rapinarem a nossa comida (mas,
ainda assim, em algumas ocasiões encontrei umas espinhas no tapete, por não as
conseguirem aguentar no estômago). Já agora, agradeço muito este "exquisite taste" que permite que a minha casa não tenha uma única mosca ou mosquito!
E se quiser falar na postura, meus
amigos, nem vos conto! Sempre que alguém entra em nossa casa e se aproxima da área
onde ele está, imediatamente encolhe as patas e transforma-se naquilo que será
a variante Basset-Hound (cão salsicha) para gatos, arrastando-se nessa posição
durante vários metros até ao quartinho já mencionado…
3. Fala e linguagem ausentes ou atrasadas.
Check. Quanto à fala e linguagem do
Sansão pouco posso dizer porque são praticamente inexistentes, a não ser quando
vê uma fatia de um qualquer enchido ou uma posta de bacalhau - o que tem a menos no cérebro tem a mais no olfacto. Aí solta um miau
grave e desafinado, imitando um rapaz adolescente quando começa a mudar a voz, revelando a falta de uso do instrumento... vocal. :) Tendo em conta que
os gatos têm o dobro das nossas cordas vocais só posso dizer “Deus dá nozes a
quem não tem dentes”…
4. Relacionamento anormal com os objectos, eventos e pessoas.
Adequa-se totalmente. O meu gato é um ser realmente estranho. Lembram-se
de ter falado na luva que calçava para lhes tocar quando tinham apenas um mês de vida e que utilizei apenas durante alguns dias? Pois muito bem! Ainda hoje não me posso aproximar do meu gato com ela na mão sem que ele vire
as orelhas para trás, encolha as patas e vire pedra, ou desate a fugir.
Mas a excelência do seu autismo revela-se nesta
situação particular. Se é violada a distância que, para o Sansão, lhe reserva a devida
segurança, não hesita em mostrar os seus proeminentes caninos de dois centímetros super
afiados, um "pffffffffffffffffff" ameaçador seguidos de, caso a futura vítima não recue, uma exibição das suas
unhas.
Ora, perante este comportamento, vou para o
veterinário com ele sempre cheia de receio do espectáculo que sua excelência
possa vir a dar. Todavia, não sei se por estar longe do seu território, se por ter
sido submetido a um olhar hipnótico que a nova doutora lhe lançou, desta vez portou-se lindamente – ainda melhor do que a irmã.
A única vantagem deste comportamento atípico para
um gato é na hora de comprar brinquedos. Existem uns ratinhos à venda presos por um
elástico a uma vareta, para que possamos brincar com eles. A nós, basta-nos
comprar um, porque enquanto que a Dalila brinca com o rato, o Sansão não
descansa enquanto não alcança o seu alvo: o fio! Fica possuído a ver o fio no
ar, e entre saltos (o que não é fácil para o gato de quase 6 quilogramas) e patadas, só pára
quando vê o fio no chão, momento em que considera a vítima como abatida.
---
Nota Final: Após escrever estes textos, normalmente vou à grande rede procurar umas imagens que ilustrem o conteúdo das minhas frases. Desta vez descobri que existe um estudo que compara o comportamento dos gatos com o dos portadores do Síndrome de Asperger. Fica aqui um vídeo que resume o livro de Kathy Hoopmann:
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
3... 2... 1... 12!!!!
Todos
os anos a praxe é a mesma. Uma panóplia de superstições para trazer a
prosperidade é cumprida religiosamente no dia 1 de Janeiro. E como a crise não
está para grandes brincadeiras, até mesmo os mais cépticos as seguem porque,
já se sabe, “Eu não acredito em bruxas, mas que as há, há…”.
Vai
entrar 2012, de modo que ficam aqui os 12 conselhos a seguir durante e após as
12 badaladas, garantindo assim o máximo êxito dos 12 meses que se avizinham!
1. Fazer (muito) barulho
Um
dos rituais consiste em acordar quem está a dormir nos antípodas com a
“panelagem” toda a fazer barulho, muito barulho! Assim, se se quer um ano muito
venturoso um dos segredos será sacar dos testos e das panelas até as furar com
tanta pancada. No meu caso, como tinha caçadores na família, após a meia-noite
seguiam-se minutos de absoluto terror para mim com o meu tio a dar tiros para o ar nas traseiras da casa,
fazendo lembrar clãs muçulmanos no dia do casamento da filha de 12 anos.
2. Usar roupa interior nova e colorida
3. Tomar um banho gelado
4. Usar lençóis novos
Sinónimo de ponto de viragem na vida
(não de 360º, espero eu), comprar uns lençóis novos pode ser uma boa
estratégia! Também pode ser um bom pretexto para alguns que, pela primeira vez
em 12 anos de casamento, podem escolher a sua própria roupa de cama - que, até à
data, foi sempre comprada por sogras e por tias afastadas por alturas de Natal
e aniversário, com incontornavelmente diferentes pontos de vista sobre rendas,
estopas e cornucópias.
5. Deitar fora objectos velhos
E porque não pegar nos lençóis antigos,
nas roupas que usávamos quando tínhamos 20 anos (e que nunca mais nos vai
servir, nem que cumpramos com o máximo afinco este protocolo de 12 regras), e
nos extractos bancários de há 10 anos atrás (que não trazem outra coisa que não
seja sofrimento) e não fazemos uma grande fogueira? Pelo menos poupamos no
aquecimento… Já estamos a ganhar qualquer coisinha, não vos parece?
6. Vestir roupa de cor
O branco simboliza a paz e o equilíbrio,
que são duas coisas que fazem falta a muito boa gente que conheço. Mas as cores
não ficam por aqui. Quem procura amor verdadeiro deverá vestir cor-de-rosa e se
se procura uma paixão ardente, a opção recairá sobre o vermelho. O amarelo está
relacionado com a riqueza em bens materiais, o verde com a saúde e o azul com a
limpeza (daí a cueca azul, porque os portugueses são muito limpinhos). Eu cá
vou usar preto, que para mim é sinónimo de esconder o pneumático indesejado – e
que bem que este talismã funciona!
7. Mezinhas, simpatias e afins
Se
fizerem uma pesquisa na net por “rituais de ano novo” num instante têm ao
alcance dos vossos olhinhos um sem fim de “simpatias” que prometem amor,
dinheiro, sucesso e cura para a unha encravada. Algumas envolvem a queima de
substâncias naturais em casa, acompanhadas de frases proferidas em voz muito
alta e de danças pouco convencionais, pelo que será recomendável avisar os
vizinhos ou esperar que estes saiam de casa, não comprometendo, assim, a ideia que eles
têm da nossa saúde mental.
8. Fazer um brinde
Não
se trata de beber para esquecer, nada disso, nem quero que, com estas minhas
palavras, alguém fique em casa no dia 2 de Janeiro por extrema desidratação
provocada por excesso de álcool. Há que brindar ao novo ano que aí vem que em
tudo será grande: brindar ao incremento da taxa de desemprego, brindar ao
aumento do número de horas de trabalho e brindar ao acréscimo do IVA nos
produtos transformados e na restauração.
9. “Subir para cima” de uma cadeira
Sim,
meus caros, este pleonasmo foi intencional. Na hora de chamar a sorte para
jogar na nossa equipa, nenhum exagero é excessivo. Certifiquem-se apenas de que
o teor alcoólico não se incompatibiliza com esta peça de mobiliário (atenção
aos exageros do ponto anterior), evitando assim passar as primeiras horas do
ano numa sala de espera das urgências. Se bem executado, este gesto trará
melhorias significativas na nossa qualidade de vida, sobretudo se não tivermos
nenhuma perna engessada.
10. Entrar no ano novo com o pé direito
À semelhança da rotina anterior, entrar
com o pé direito no novo ano pode significar prosperidade. Para evitar
confusões, recomenda-se distinguir o pé direito com algum artefacto. Mas,
atenção, que este objecto seja discreto e pouco volumoso, não vá o diabo
tecê-las e provocar a queda durante o ritual descrito no ponto anterior. Nota:
resultados não comprovados em canhotos e disléxicos.11. Ter dinheiro na mão
Eu
sei que para muitos pode ser difícil, nesta altura, chegar ao último dia do mês
e do ano e ainda ter notas no bolso. Mas descansem! Fiz uma pesquisa e segundo
o que consegui averiguar, o ritual pode ser substituído por atirar umas moedas
ao ar no momento da passagem do ano – e agora todas as três pessoas que lêem este blogue se dirigem
rapidamente ao espelho de água do shopping mais próximo para ver se encontram
alguma!
12. Comer 12 passas e fazer os 12 desejos
E
porque o mote é o número 12, remato com o mais popular de todos os rituais: comer
as 12 passas ao som das 12 badaladas, ao mesmo tempo que se pedem os 12 desejos.
Gostaria que no meu caso a coisa fosse um pouco mais simples, mas,
infelizmente, é tipo remédio para a tosse! Para começar detesto passas, pelo
que não as mastigo. Engulo-as de uma só assentada para minimizar o sofrimento
e, para que o faça rapidamente, bebo uma golada do tradicional espumante,
igualmente intragável para mim, mas que me permite não ficar com aquela papa na
boca, prestes a provocar movimentos expulsivos de suco gástrico. E depois vem o
pé direito, e subir para a cadeira e atirar as moedinhas ao ar… Irra!!! Com
esta titânica empreitada não sobra grande tempo para os 12 desejos que,
normalmente, se reduzem a um “que este ano seja ainda melhor que o anterior” e
a ”muita saudinha”: no meio de tanta repulsa e de tanto nervo lá ficam perdidos
os objectivos bem definidos que andei a estudar nos dias anteriores (porque,
para que as coisas aconteçam, temos que saber exactamente o que queremos).
Desta feita, parece que este ano não vou ficar magra, nem ser aumentada, nem
correr a meia maratona e muito menos tocar piano decentemente. Houve uma vez que
pedi à minha mãe para me comprar uvas de mesa para não começar o ano logo
agoniada, mas só havia daquelas com os bagos gigantescos (cujo termo mais
vernáculo não pode ser referido em horário nobre), de maneira que à terceira
uva que meti na boca deixei de conseguir mastigar, engasguei-me com o sumo e
passada meia hora ainda estava a tirar grainhas da boca… Resultado: tanta
azáfama, tanto preparativo e tanto sacrifício e... esqueci-me de pedir os
desejos!
Bem
caríssimos, com estas 12 me vou, senão ainda corro o risco de não conseguir
fazer nenhuma. Para o ano há mais, espero eu, pelo que, se for abençoada por um
momento de iluminação e articulação, reservarei um desejo para conseguir
escrever mais e melhor em 2012!!!
UM BOM ANO!!!
UM BOM ANO!!!
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Caminhada de Fé
Caríssimos,
O tempo para me dedicar dignamente a este espaço tem sido, efectivamente, pouco. Mas o verdadeiro motivo pelo qual não tenho escrito tem que ver com o facto de me ter estado a dedicar a outra causa.
Em Setembro passado fiz uma caminhada de fé e, para que as recordações não se perdessem no tempo, quis imortalizá-las e partilhá-las com outras pessoas que pensem seguir as nossas pegadas - e são, seguramente, muito mais do que imaginámos! Depois de termos ido a Fátima a pé e de termos falado com amigos e conhecidos sobre essa experiência, fomos surpreendidos por um enorme número de pessoas que já foram ou querem fazer o mesmo, quer o motivo seja a fé, o crescimento pessoal, a introspecção ou simplesmente o desafio de vencer obstáculos e atingir metas.
Por tudo isto, caso conheçam alguém que esteja interessado em fazer esta ou outra peregrinação, não hesitem em enviar-lhe o endereço deste blogue que será, indubitavelmente, uma grande ajuda!
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| caminhadafe.blogspot.com |
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Casa dos Degredos
Para os mais distraídos como eu que ainda não tenham percebido, estou a falar da “Casa dos Segredos”. E para evitar que me peçam para falar sobre o assunto, vou já descarregar todo o conhecimento que tenho sobre a causa.
- Sei que é mais um reality show que é apresentado na nossa televisão em horário nobre e que, por isso, passa a ser integrado no sistema de informação de todas as nossas criancinhas! E que frutífero que é estes pequenos humanos saberem que o mediatismo que uma figura pode ter é directamente proporcional não ao seu valor social, intelectual ou profissional, mas sim à capacidade (em litros) que as suas mamas ou glúteos aguentam! “Mas isso agora, não interessa nada!” – expressão repetida ao expoente pela apresentadora e satirizada num programa da concorrência que critica, de forma tão caustica e divertida, este programa de (des)entertenimento.
- Sei que já venho tarde, porque não é a primeira edição do programa e esta já deve estar a meio, mas ainda assim faz-me uma comichão terrível que se crie um programa que não tenha assunto nenhum. Basicamente, gira em torno de uma ou duas mãos cheias de homens e mulheres que não fazem absolutamente nada. Passam o dia a arrastar, de um sofá para o outro, os seus corpos plásticos e as suas mentes vagarosas, a posar para as câmaras e em estranhos rituais de acasalamento. A sério que não consigo compreender isto - mais depressa entendo um jogo em que 20 homens, que andam 90 minutos a correr atrás de uma bola, assim que a alcançam, ficam imbuídos de um espírito do além e, apesar de todo o esforço para a agarrar, atiram-na para outro lado qualquer.
- Sei também que os concorrentes são escolhidos a dedo, ou seja, escolheram os porteiros de discotecas mais "inchados", as strippers mais "inchadas" também, as portadoras em estado terminal do síndrome de culturodificiência adquirido e as autoras do programa “Em Mau Português”.
- “Estou ilusionada.”
- “Mas o que é que quer dizer ilusionada?”
- “Quer dizer que tenho um aleijamento.”
- Apesar de terem namorados e amigas coloridas cá fora, andam todos enroladinhos uns com os outros porque estão carentes (de juízo, só pode ser), está um frio tremendo lá dentro (dada a carência, também, de roupa que envergam) e tudo o que fazem é apenas a pensar no jogo. Que é como quem diz, é estratégia, pura e simplesmente, para ganhar o dinheirito: "é tudo por ti, 'mor"! ;)
- Do pouco que vi, deu para perceber onde os criadores deste programa foram buscar a inspiração. À semelhança de um filme domingueiro - “EDtv” - quer os participantes, quer os familiares, amigos e ilustres inimigos, todos se encontram expostos à vontade sensacionalista de um programa que vive à conta do cochicho, da especulação e da queda da última réstia de moralidade que ainda possa existir. Não me admiraria nada se fossem buscar a educadora de infância de um deles só para descortinarem um qualquer acontecimento embaraçoso ocorrido aos 3 anos e meio, mas totalmente irrelevante para o caso, e assim continuarem a alimentar um apetite desenfreado de audiências - por exemplo, a criança ter confidenciado na escolinha que a empregada da mãe da cunhada da vizinha do 3º esquerdo estendia as cuecas rosa choque XXL rendadas do marido.
- Esta história de distinguir pessoas com o mesmo primeiro nome utilizando apenas a primeira letra do segundo está a criar moda e nos infantários, nos escuteiros, nos liceus e nas catequeses, as criancinhas com nomes mais vulgares passaram a ser tratadas por "João Éme", Ana "Éle" e Luís "Pê" - fazendo lembrar nomes de máquinas industriais ou de medicamentos.
Enfim… Dá para tudo! E mais não digo porque não sei e porque não tenho força nem vontade de ver este lixo televisivo (carne para canhão para os pobres de espírito que se alimentam, quais parasitas, da baixeza da condição humana), correndo já sérios riscos de ser bombardeada pelos meus queridos amigos que sejam espectadores assíduos deste espectáculo, a quem, desde já, peço desculpas se as minhas palavas causaram algum tipo de ofensa.
E para quem gostar ou tiver curiosidade em experimentar só posso dizer isto:
"Casa dos Degredos: o verdadeiro repasto gourmet com a melhor selecção do pior que cá dentro pode existir, ao alcance de um toque do seu telecomando".
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Desafios
Aproveito o momento para informar que me rendi aos smartphones e que, perante a grandeza deste equipamento a minha mente assoberbou-se e quase arruinava este blogue. A verdade é que eliminei quase todas as imagens que as minhas publicações continham pelo que continuo com "obras cá em casa". E para além das imagens, também o fundo do blogue se perdeu. :( Assim sendo, quem tiver algo bem bonito que se enquadre, toca a enviar para o e-mail ou deixar no facebook.
Obrigada a todos!!!
terça-feira, 30 de agosto de 2011
sábado, 6 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Que calor esquisito!
Está um calor esquisito, sim senhor! Não é
todos os Verões que temos o privilégio de vestir as últimas tendências de
moda de manga comprida e de esconder as proeminências abdominais com blazers, casacos e écharpes. Dizem os tablóides que é o Verão mais frio dos
últimos 27 anos, o que tem sido verdadeiramente deprimente para os turistas e
catastrófico para os comerciantes e empresários de turismo. Parece
que a meteorologia estabeleceu uma qualquer coligação com a crise e tanto frio,
tanto vento e tanta roupa a tapar a pele de galinha está a conseguir extorquir
aquilo que de melhor o nosso país tem (a seguir às Tripas à moda do Porto, prato que, aliás, se come muitíssimo bem nesta altura fresquinha do ano, pelo menos neste) e as únicas coisas capazes de nos fazer esquecer as dificuldades financeiras que
atravessamos - o Sol e o calor. Ora, curiosamente ou não, há precisamente 27
anos estávamos sob o domínio do último reinado de d'El Rei D. FMI em Portugal (antecessor da Raínha D. Troika) e das suas glaciais resoluções. Tenho cá
para mim que é possível fazer adivinhação "meteorológico-económica"... Ou quererá
isto dizer que já devemos a tanta gente que nos esquecemos de pagar ao São
Pedro?
E por falar em calor, tenho a recordação, cunhada a altas temperaturas na minha
memória, de estar a estudar para os exames, em Julho, de chinelos de praia, calções e
camisola de alças, como quem vai para a praia - sem o poder fazer. E a indumentária mantinha-se
mesmo que tivesse que ir tirar dúvidas com algum professor - é que o calor
não se aguentava e não havia lugar a dress codes adequados! Como queria eu ter um Sábado que fosse para me estender ao comprido a fazer fotossíntese - Deus dá nozes a quem não tem dentes... Ao invés, este ano já fui comprar umas malhas de meia-estação
que me mantenha os pulsos bem quentes e assim evitar uma ruptura de ligamentos
ao escrever no computador. Só arrumei a roupa de Inverno este fim-de-semana,
porque começava a ficar deprimida ao olhar para os camisolões e perceber o
quanto os queria vestir sempre que ia à varanda estender roupa lavada...
Consegui comer no terraço duas vezes e, numa delas, tive que vestir um polar
para me conseguir aguentar. Acho mesmo que a única vez que utilizei o
ar-condicionado desde Maio foi hoje, porque alguém deixou a janela aberta no
fim-de-semana e estava um frio que não se aguentava, de modo que tive de aquecer a sala! E dou por mim, pesarosa e
nostálgica, a pensar no quão bom era à noite ter de sair de casa porque não se suportava
o calor, só sendo possível amenizar este sofrimento com um geladinho na Foz...
Enfim: está um calor esquisito!
Fica aqui um "miminho" para fazer recordar outros Verões.
E para gostos "menos ecléticos"... ;)
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Teclodependência
Diagnóstico: “teclodependência”, utilização compulsiva de botões e de teclas de equipamentos electrónicos, gerando um processo em que esta dependência se vai apoderando, progressivamente, da vida do utilizador, sem que este se aperceba deste problema, nem que aceite o apoio e os avisos de familiares e amigos, tornando extremamente difícil a sua recuperação; do inglês, buttonjunkie.
Não tenho conhecimento de algum estudo científico que corrobore a minha teoria, mas, se não existe, alguém devia começar a pensar seriamente no caso. A conclusão não foi obtida tendo como modelo apenas a minha metade boa (que nestas situações não é assim tão exemplar), mas sim a grande maioria dos espécimes masculinos que conheço - pelo que estou já a dar uma mãozinha à Ciência, sugerindo que o facto possa, muito provavelmente, estar associado a uma doença genética, assinada pelo cromossoma Y. E a importância da análise desta patologia reveste-se de toda a utilidade dado que estes episódios extemporâneos têm sempre como consequência uma sensação de desconforto, vergonha e constrangimento por parte das acompanhantes femininas destes “doentes”.
As situações são recorrentes, varrem uma grande diversidade de manifestações e, quando menos esperamos que a sintomatologia se expresse, eis que eles descobrem um botãozinho minúsculo numa zona recôndita de um qualquer equipamento. Sem saberem muito bem porquê e para quê, desatam para ali a carregar, a carregar, e a carregar como se não houvesse amanhã, descontinuando este ritual, em muitos dos casos, apenas quando algum sinal sonoro se faz sentir, assinalando a gravidade dos danos instalados, ou quando lhes começa a doer o dedo e a necessidade é dada por extinta.
Esta teoria tem sido consolidada, ao longo dos últimos anos, através da minha presença em muitas destas situações, que atestam a necessidade de partilhar esta preocupação. Tudo começa na pré-adolescência, momento em que, consumidos por um formigueiro na ponta dos dedos que lhes paralisa o cérebro, tocam às campainhas de todas as casas da rua inteira, a que se segue a fuga, os risinhos histéricos e o regozijo.
E já que pensamos em campainhas e na infância/puberdade temos, obrigatoriamente, de nos lembrar dos semáforos. Qual é o miúdo que pode ser impedido de carregar num botão quando lhe dizem que ele simplesmente não o pode fazer, aguçando a sua curiosidade ao acrescentarem que há a probabilidade de ele apanhar com um choque eléctrico e fazer faísca? Isso seria exactamente o mesmo que lhe estar a dizer “não penses numa bola de futebol”. Funciona? Claro que não e o vírus hospeda-se definitivamente, ao mesmo tempo que se prepara para assumir dimensões gradualmente avassaladoras e irreversíveis.
A idade vai avançando, mas, infelizmente, os comportamentos conservam-se. Além disso, os elevadores também não ajudam nada... Esta situação é mais evidente quando mais do que um destes “machos” entra no pequeno compartimento, momento em que passam a repartir um só cérebro. A intensidade do sintoma é reforçada pelo tardar da hora, sendo que atinge o clímax a partir das 2 da manhã, altura em que carregam no alarme de emergência que ecoa por todo o prédio, assim como as suas gargalhadas embriagadas, ao mesmo tempo que param em todos os “apeadeiros” de um edifício de 12 andares mais 3 caves.
E não podia deixar de fora as consolas de jogos. Seja jantar de família, reencontro anual de amigos da primária ou um simples “passo aí para me emprestares o teu berbequim”, qualquer encontro serve para que os elementos que partilham desta maleita iniciem uma competição virtual. Acto contínuo e esquecem-se de quem está em casa, do que tinham para fazer, de quem tinham de “entreter”, ocupando os seus cérebros única e exclusivamente com o dedilhar coordenado e afincado da coreografia dos botões, actividade que os fará desligar da terra e atingir a vitória dos deuses - assim pensam eles!
Relacionado com este tema, há também o dos computadores, e ai de quem se aproxime do equipamento quando eles estão no poder. Para evitar danos colaterais, somos obrigadas a desenvolver a capacidade de tirar as dúvidas colocadas por eles sobre uma qualquer situação relativa ao seu funcionamento, oralmente, com gestos ou com sinais de fumo, mas sempre sem recorrer ao manuseio da máquina mágica – ou seja, toca a decorar os nomes todos dos comandos porque Deus nos livre de clicar numa tecla, resolver o seu problema e pôr em causa a marcação do seu território tecnológico.
E para continuar a alimentar este vício desmedido avançam numa campanha de aquisição de toda a espécie de aparelhos eléctricos e electrónicos como máquinas fotográficas, acessórios para aumentar a jogabilidade das consolas e dos computadores, óculos para ver filmes a 3D, ratos e teclados que parecem naves espaciais, micro projectores portáteis de filmes, e toda uma série de gadjets que não melhoram significativamente o nível de qualidade de vida, mas que, por terem um conjuntinho de botões bem apelativos, são o suficiente para reduzir substancialmente os seus níveis de stress e melhorar a harmonia no seio do ambiente profissional e familiar.
Conselho para quem vive com um portador desta “doença”: no próximo Natal, aniversário ou ataque mais inesperado e descontrolado, oferecer um comando universal para televisão, DVD, cortinas, estores, iluminação, aparelho de som, cão, piriquito e empregada da limpeza – um único objecto dá para tudo e mantém-nos entretidos durante horas!
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