Como sabem, o blogue "Arroz do meu Céu" está inscrito no concurso Blogs 2012 da Aventar.
Passou para a 2ª fase de votações em primeiríssimo lugar, graças à colaboração de todos. Mas a parte mais difícil começa agora, onde vou competir directamente com os restantes 4 mais votados.
Por isso, se gostam do que por aqui tem passado, peço-vos um GRANDE favor:
Quando comecei a escrever esta publicação, pensei intitulá-la de outra forma: "Maledicência - O novo ópio do Povo". Mas depois, além de o considerar demasiado longo, tive um flash dos meus tempos de liceu e deste género literário, trazido até mim por uma professora de minúscula aparência, mas com uma presença dantescamente aterrorizadora, que me fez agradecer ter escolhido o ramo das Ciências! E depois percebi que assentava que nem uma luva no assunto que hoje trazia.
Tudo isto surgiu com os mexericos que as redes sociais e os blogues nos presenteiam numa salva de latão, sendo que tenho delirado com o último, acerca de uma polémica campanha de uma conhecida marca de aparelhos eléctricos e da eventual futilidade do seu conteúdo. Não vou aqui fazer qualquer menção ao nome deste autor nem dos seus protagonistas porque já bastam as notícias, osfacebookse as dezenas debloguesa atacá-los de forma tão deliberada, directa e devastadora. Confesso que o alvo de tanto escândalo é uma personagem que me faz alguma comichão, que parece ter sofrido um AVC que lhe paralisou metade da boca e do cérebro. É certo! Mas também não vejo relevância suficiente no caso para que se esteja a transformar num avassalador cataclismo, capaz de fazer correr tanta tinta e de gerar tanta guerra e tanto sangue. À conta disso, tenho-me divertido a assistir na primeira fila a este conflito, não resistido, contudo, a lançar uma ou outra acha na fogueira, porque ninguém é de ferro, muito menos eu! No canto direito do ringue temos a gente de moral cândida, que deseja a morte a uma miúda por quem, lá no fundinho, nutrem um secreto ciúme. No outro, temos as pessoas que a colocam num pedestal por ser fiel a si mesma e ao seu consumismo desenquadrado da conjuntura. O mais engraçado é que muitos dos “críticos” se limitam a seguir e a empolar os discursos exemplares deopinion makers conceituados da nossa praça, como carneirinhos amestrados que mudam de rumo sempre que um pastor grita mais alto. Quando vamos ver, já se esqueceram do tema fulcral que tinha originado a discussão e acabam por se engalfinhar uns com os outros e com quem lançou o tema! Conclusão: às tantas, aqueles que criticam a falta de humildade da pobre rapariga a quem deu a trombose, são os que imediatamente a seguir vão pôr meia dúzia de "Likes" nas páginas das gigantes marcas, sonhando publicamente com um exemplar; ou então, os que defendem e aplaudem a honestidade de umafashion victim, que até quer poupar uns milharzitos de euros para adquirir um ícone de moda, são os que, no dia seguinte, na hora do patrão, vão para a copa tomar café e cuspir comentários indecorosos sobre o novo carro do administrador, mesmo que nunca tenha havido atraso no pagamento do ordenado. Às vezes parece que essas pessoas foram calcadas no dedo mindinho do pé duas vezes seguidas e tiveram de andar o dia todo a calçar sapatos apertados, antes de escreverem certas coisas!
Mas a coisa não fica por aqui. Diariamente encontro vários "treinadores de bancada" cujos comentários que deixam nas redes sociais, sejam sobre política, sobre moda ou sobre a vizinha do 3º esquerdo, são sistematicamente negativos! Se o Estado Português catapultou a dívida pública para os 120 e tal por cento do PIB porque pediu ajuda externa, ESFOLA! Se o governo decide vender empresas públicas, cujos únicos frutos são resultados supernegativos e dores de cabeça, MATA! Se a vizinha leva pancada do marido todos os dias, é porque não é mulher de fibra. Mas se há um dia em que levanta mais o tom de voz, é porque o companheiro é um “manso”! Haja coerência, meus senhores! O que interessa é criticar gratuitamente, porque alguém lhes disse um dia que isso lhes iria conferir um certo estatuto pseudo-intelectual e que iria estimular a libertação de feromonas ao sexo oposto!
Mas onde é que eu ia? Ah, sim! Nas "Cantigas de Maldizer"! Pelo que me recordo dos tempos do secundário, o que diferenciava estas obras era precisamente a maledicência dura, crua e inequivocamente direccionada para o alvo que se pretendia atingir, assim como o recurso ao discurso grave, agressivo e por vezes obsceno, recorrendo aos boatos que circulavam pela corte . E não é que bate certinho com o que se passa agora? Qualquer um, escudado por um monitor de computador (qual vidro à prova de bala), consegue proferir corajosamente as maiores atrocidades sobre tudo e sobre todos, mesmo que estejamos a falar sobre o resultado do jogo solteiros contra casados. Parece que, de repente, toda a gente passou a ter uma opinião válida, intangível e de verdade absoluta! Tornam os seus comentários públicos, põe-se a jeito de serem, por sua vez, ridicularizados e criticados e depois, ofendidos, vêm dizer que se não concordam, não frequentem nem desconstruam aquele espaço de suposto debate de ideias. A sério?!
Perspectiva positiva: será que com a produção desmensurada de verdadeiras obras de "Cantigas de Mal-Dizer" a que temos assistido, estaremos perante um neomedievalismo herdado pelos tempos modernos para tentar compreender e (des)embelezar o caos em que nos encontramos?
E, se parece que com isto acabo de dar um tiro nos pés por estar, eu própria, a tecer duras críticas e por estar a recriminar a liberdade de expressão, desenganem-se! O apelo que aqui faço é ao bom senso e ao equilíbrio entre o criticar, o aplaudir e o ter dois dedinhos de testa para saber quando ficar calado e quieto! Alguém disse uma vez qualquer coisa do género "Mais vale estar calado e parecer um tolo, do que dizer uma palavra e confirmar as suspeitas". Sou a favor da crítica e da indignação, mas se destas não advier absolutamente nada de construtivo, pedagógico ou inovador então onde está o seu propósito? E se vivemos tempos de austeridade, de contenção e, infelizmente para muitos, de pobreza e de infelicidade, o que ganhamos nós em remar continuamente contra a maré sem tentarmos, sequer, legar qualquer tipo contributo?
Tenho um amigo, dinâmico por natureza e ambicioso por vocação, que depois de ter estado uns anos a viver fora de Portugal, me disse que não reconhecia nos seus colegas de trabalho a falta de ânimo e o constante discurso derrotista. E a isto dou uma resposta: o pensamento destrutivo, a par das “Cantigas de Mar-Dizer”, primeiro estranha-se e depois entranha-se, e tal como referi no primeiro parágrafo deste texto, é o novo ópio do Povo. E sem querer defender aqui nenhuma dama (já que não sou adepta acérrima de nenhuma convicção política em particular) gostaria apenas de dizer que o verdadeiro mérito está em acrescentar valor e não em arruinar quem está a tentar gerá-lo.
Por tudo isto, meus amigos, para este ano de 2013, o que mais vos desejo são pensamentos críticos e isentos, mas também construtivos, positivos e inovadores!
Nevo melanocítico, vulgarmente
conhecido como sinal de pele, é uma maleita da qual sempre me lembro de sofrer.
Desde que me entendo como gente que me recordo de olhar para a minha pele e de a
ver sarapintada: ele é sinais na cara, no corpo, na cabeça, na íris e até mesmo uma madeixa de cabelo de cor contrastante. Como forma de consolo, e tendo como base de dados a sabedoria
popular, fui ouvindo da família uma série de coisas que me fizeram pensar
seriamente se seria bipolar (ou tripolar, ou quadripolar…): “Sinal no peito,
mulher de respeito”; “Sinal na cara, mulher descarada”; “Sinal nas costas,
mulher de más respostas”; “Sinal no braço, mulher de desembaraço”; e por aí
fora… Enfim, à semelhança do que acontece com os horóscopos de algibeira, com tanta
“pintarola” dispersa pelo corpo todo, não seria difícil encontrar qualquer
defeito ou feitio.
E lá fui vivendo sempre em relativa
harmonia com este mapa das constelações do hemisfério norte em expansão, ainda que
promovendo constantes investidas rumo aos guarda-sóis e às sombras, fugindo
desse astro maravilhoso como o diabo foge da cruz. É que, a juntar a este mapa
astral desenhado no meu corpo, outros “sinais” me obrigavam a adoptar este comportamento
característico de um albino: pele fluorescentemente branca a fazer pendant com cabelo e olhos de cor indecisa com tendência para o claro, já para não falar
dos "ziliões" de sardas que tenho, sendo que mais de metade acordam do seu sono
invernal aos primeiros raios de sol. Além de tudo isto, como referido anteriormente neste blogue, o único efeito que o sol pode ter sobre esta
porcelana será o vermelhão que assola esta minha resiliente pele, carente de
melanina, com passaporte directo para o seu natural estado de transparência,
sem qualquer vislumbre de moreno, dourado ou apenas ligeiramente menos lácteo.
Aliás, a única coisa que me consegue dar coloração, além da maquilhagem e
algumas tentativas mais ou menos bem-sucedidas de auto-bronzeado, são mesmo as
sardas e os sinais.
Por isso… Para quê tanto esforço? Mais vale ficar barrada
em protector solar facto 50+ para peles muito sensíveis, com um chapéu de abas
a fazer sombra numa área superior à dos dois guarda-sóis (local de abrigo nos
curtíssimos períodos diários que passo na praia durante as férias), com uns
óculos de sol um bocadinho para o ridículos, mas que foram seleccionados por
serem os "raibantes" mais escuros/polarizados que o oculista lá tinha. Não é, por isso, de admirar que,
depois de toda esta “produção” e de 15 dias na praia, me perguntem se, de todas
as pessoas que iam comigo de férias, eu tinha sido a única a ter desistido de
ir…
Mas voltando à história dos
sinais, ao fim de 10 anos a dizer que queria ir ao dermatologista, lá chegou o
dia em que conheci um doutor muito simpático cujo objectivo de vida era
transformar-me num pequeno Frankenstein. À medida que ia vendo os sinais, que
existiam literalmente desde a moleirinha até aos dedos dos pés, ia semeando o
pânico em cada paragem que fazia: ”Este temos que tirar”; dois sinais abaixo “Não!
Este é que temos que tirar, mesmo!”; virava-me de costas e dizia “Não, não!
Este é que temos mesmo que tirar com urgência!!”. E lá foi "scanerizando" cada
milímetro quadrado do meu corpo com uma mini-câmara instalada no telemóvel ao
mesmo tempo que ia sentenciando com pena de morte as pequenas manchas
irregulares que pintam de medo a minha tendência para a hipocondríase.
E, pronto! Três meses e várias pequenas
cirurgias de ambulatório depois, o Franskenstein ganhava vida com 4 belíssimas novas medalhas, aleatoriamente espalhadas pelo corpo, sendo que uma delas, por ser
nos pés, me obrigou a fazer um estágio de 2 semanas. Durante este período não
posso conduzir, nem caminhar calçada, nem sequer sair de casa sozinha, pondo à
prova a minha sanidade mental e a do maridão. Este, coitado, entre um trabalho
que lhe consome quase todo o tempo livre, ainda tem que reservar espaço para as
idas ao supermercado, ao talho, à padaria e à farmácia, garantido que sobra uma
dose de paciência para aturar a mulherzinha manca, chata e aborrecida por passar o dia
todo sozinha. É que limpar caixas de correio electrónico, guardar as roupas do
verão (?!), arquivar papelada e pôr algum trabalho em dia, não são aquelas
tarefas que põe uma pessoa, que fica enclausurada na sua própria casa, exactamente bem-disposta.
Mas, calma, o pé desinchou, já consigo calçar as botas mais largas que tenho e conduzir com agilidade mínima o par de muletas herdado pelo meu marido do seu tetravô luso-italo-brasileiro, pelo que já se vê a luz do fundo do túnel! Vou ao centro de saúde toda orgulhosa para informar o Estado Português que pretendo suspender o período de Incapacidade Temporária Absoluta (baixa, para os mais leigos) e sou surpreendida com um bilhete de volta para a minha clausura para mais um par de dias de abstinência social. E regresso, novamente, às boxes.
Mas o que é mesmo, mesmo, mesmo
espectacular é ficar em casa tantos dias e mesmo assim apanhar uma constipação!
Isso é que é a cereja em cima do bolo!
Feliz 2013 para mim que entrei com o pé direito, já que o esquerdo estava "ao peito"!
Parece que a gripe atingiu o ARROZ e várias imagens deixaram de acompanhar as publicações mais antigas... Já liguei para a manutenção, mas parece que à 2ª feira é dia de folga!
Depois de um ano de guerra travada com o ginásio, com as dietas e com as calorias guardadas no armário a encolher a nossa roupa, ainda que isso não se tenha concretizado em resultados visíveis a olho nu, eis que chega o momento de fazer reset ao sistema. Só assim será possível angariar a motivação suficiente, aliada a doses massivas de baixa-estima, para retomar todo o processo, logo após o fim das férias.E como é que se consegue esta
proeza em 15 dias? Muito fácil. Para perceberem como, convido-vos a acompanhar-me
durante os próximos minutos, numa viagem de sol, mar e refeições com valor
calórico muito superior ao da DDR (Dose Diária Recomendada).
Tudo começou num belo dia de
manhã em que acordamos e percebemos que temos que enfiar num carro minúsculo
duas malas de viagem gigantescas (cheias de roupa que não sabemos se vamos usar),
uma mochila (com o livro iniciado e não terminado no Verão passado, as 12
últimas edições da National Geographic
e da Engenharia e Vida e uma pasta
com algum trabalho que sei que não irei dar seguimento nas férias), uma mala
com 2 computadores, um guarda-sol, uma cadeira de campismo, um saco de praia
com calçado, um malote com produtos de higiene pessoal (alguns dos quais em
duplicado e triplicado e, ainda assim, faltando o mais básico – o champô), um
par de bicicletas e mais uns quantos sacos cheios de tralha que nem sabemos bem
qual a utilização. Mas, após umas férias onde ficamos restringidos a uma única
mala de 20Kg para cada um, a ressaca tem sobre nós alguns destes efeitos
indesejáveis… Depois de reduzirmos ao máximo possível o índice de vazios da
viatura e de quase termos que respirar fundo e encolher a barriga para lá
cabermos dentro, damos início à nossa jornada, rezando ao Jesus para que a
viagem corra bem. Contudo, sem termos tempo, sequer, para terminar a Avé Maria,
somos interrompidos por um estrondo ensurdecedor e por um puxão que quase
arranca o tejadilho do carro: a passagem das bicicletas não foi autorizada pela
saída da garagem. Meia hora e vinte metros de fita autocolante depois retomamos,
a medo, o nosso trajecto, não sem antes batermos com a
parte de baixo do carro na rampa ao sairmos de casa, dado o peso
excessivo da carga.
1º Episódio: o almoço da viagem
Como se trata do primeiro dia de
férias e ainda se quer dar aquele ar digno de quem não quer deitar logo tudo a
perder no que diz respeito à alimentação, nada melhor do que fazer um desvio de
não-sei-quantos quilómetros para ir comer uma “Sopa da
Pedra” seguida de uma “Carne de Porco à Alentejana” – além de que se prevê dias
seguidos de descomedida gula. Evidentemente que, após o repasto e a sobremesa
típica da região, na defesa da minha moral dietética, solicito ao empregado um
pacotinho de adoçante para pôr no café. Atolada de comida até à garganta,
lá me enfio novamente no carro e é com imensa dificuldade em manter-me acordada
que 100Km depois me apercebo que deixei ficar a máquina fotográfica algures no
restaurante com lotação para 200 pessoas… Valeu-me o facto de ser uma
crente ao acreditar conseguir recuperar o aparelho (e uns amigos que vinham
atrasados) para conseguir dar a esta história um final feliz e evitar um divórcio.
2º Episódio: as
compras
Encher a dispensa para quinze
dias de férias é uma tarefa que normalmente é delegada para a minha metade boa
que o faz com melhor das intenções. Entre iogurtes light e 5 Kg de fruta que irá apodrecer lentamente no cesto, lá
descubro entre os sacos os presuntos, as garrafas de refrigerante, as bolachas
recheadas, as carnes vermelhas e os gelados. Peixinho e legumes, que é bom, nem
vê-los! “Amanhã vamos ao mercado”, diz o maridão. E eu acredito nele até porque
é quem enverga o avental lá em casa e até ao momento não me tem falhado. Olho
para tudo aquilo e penso que irei conseguir resistir e portar-me à altura dos
sacrifícios das últimas semanas, de modo a reservar o espaço para as tão
desejadas bolas com creme. E é então que vejo os vários pacotes de iogurtes
gregos, por que sou absolutamente DOIDA, e percebo que a carne é fraca, sabendo
logo que não irei conseguir resistir a nada daquilo, por muito boa vontade que
tenha.
3º Episódio: o exercício físico
Na altura dos preparativos para
as férias, e como já se verificou noutras alturas, o drama é recorrente e há
sempre alguma coisa que estava dentro da mala que tem de sair para regressar ao
armário. Desta vez foram as sapatilhas e com elas as calças da ginástica, as
meias e as t-shirts. Poupei imenso peso na mala, mas rapidamente o ganhei na
consciência e, posteriormente, nos abdominais e coxas. Sem as sapatilhas não
pude fazer as minhas tão desejadas corridas (que no ano anterior se resumiram a
dois únicos acontecimentos), que me permitiriam compensar as bolas de Berlim, e
o exercício ficou-se apenas pelas caminhadas diárias de 30 minutos na praia, às subidas e descidas da interminável escadaria que nos leva à praia e a algumas curtíssimas
viagens de bicicleta à zona balnear vizinha - mas convenhamos que pedalar de
chinela e de pareo não é assim aquela
coisa, mesmo que se queira muito. Ainda por cima a água está absolutamente
gelada, o sol está absolutamente tórrido e qualquer tentativa de exercício
dentro ou fora de água é absolutamente inegociável.
4º Episódio: os gelados do demónio
Ainda que a intenção seja dar
exclusividade às bolinhas doces, férias não serão, jamais, férias se não forem
aconchegadas com, pelo menos, um gelado diário - principalmente quando vamos
para um local onde são vendidos os nossos gelados favoritos e quando um desses
sítios está localizado precisamente no rés-do-chão do prédio que será a nossa
morada durante duas semanas. Duas bolas de diferentes sabores (uma nos dias em
que se come bolinha com creme), com crepe, com waffle, simples ou em cone, lá vai ficando a nossa alma mais
iluminada no momento em que adquirimos este filho do diabo – e mais carregada
também nas noites mais frias em que sentimos a necessidade de vestir umas
calças e elas parecem ter sido lavadas a quente.
5º Episódio: finalmente as bolinhas com creme
Toda a gente sabe que,
independentemente do nosso peso, das nossas ambições com ele relacionadas e da
nossa capacidade resistente, não é fisicamente possível lutar contra as bolas
de Berlim na praia e sair vencedor. Assim sendo, vai-se de férias logo a saber
que esta é uma guerra perdida e que nem vale a pena guardar a ilusão de que nos
vamos conseguir conter. E quando estamos numa praia onde, de cinco em cinco
minutos, nos aparece um brasileiro com uma t-shirt a dizer “Delícia, delícia”
na parte da frente e “Assim você me mata” atrás, com uma buzina e a gritar bem
alto “Bólinhá com crêmi, bólinhá seim crêmi e crêmi seim bólinhá” então a única
coisa a que vamos conseguir resistir será em comer mais do que uma por dia.
Este ano foi menos mal porque, aparentemente, o creme é proibido nesta praia
(pelo menos para alguns vendedores) sendo que lá foi possível alguma poupança
energética, já que se estava a prescindir do doce amarelo, qual sorriso no bolo
que nos hipnotiza e nos atrai para o seu consumo. E quase que a coisa nem corre
assim tão mal não fosse termos descoberto as melhores bolas de Berlim que já
comemos, vendidas em embalagens de seis unidades, num dos mais conhecidos
supermercados nacionais.
Enfim! Vou embora destas férias,
para não fugir à regra, literalmente de barriguinha cheia de doces recordações
e agora é esperar para ver se esta barriguinha me vai deixar vestir a minha
roupa quando regressar ao trabalho…
Finalmente este fim-de-semana recuperei algumas gotinhas de inspiração para escrever aqui no blogue e como a inspiração é como um recipiente sob pressão há algum tempo, que foi abanado, aviso já que hoje isto vai ser longo!
O motivo foi o casamento de uma grande amiga. Mas não é sobre este evento que vou falar, isso ficará para outras núpcias, mas sim sobre os preparativos que foram verdadeiramente dramáticos – os meus, entenda-se, porque os
dos noivos correram lindamente.
Parte I – o vestido
Como é habitual, e ainda que
tenha reservada no armário uma série de vestidos de cerimónia, tive que acrescentar mais um à colecção porque não tinha um único exemplar que estivesse à altura do
acontecimento. À altura e à largura porque, de há uns anos a esta parte, o meu
armário tem sido o ecossistema perfeito para alojar umas criaturas (inventadas pelo
diabo), que se alimentam da minha roupa fazendo com que deixe de me servir - o seu nome é “calorias” e os hospedeiros que as conduzem até esse local são a
coca-cola e as batatas fritas. Outro dos motivos, com ainda mais peso, é a
regra nº1 das mulheres no que concerne a cerimónias: nunca repetir a
indumentária quando esse vestido já foi visto por alguém, nem que esse alguém tenha
sido o cozinheiro que nunca aparece na sala e ainda que nós nunca reparemos no que os outros levam vestido, sendo incapazes de reconhecer alguma peça repetida. Depois de quase ter "atirado a toalha ao chão" por não encontrar nada com a relação qualidade/preço desejada, lá perdi o amor a uma quantia de dinheiro ligeiramente pornográfica para adquirir um vestido que não sei se poderá alguma vez ser reutilizado. Mas quando o desespero impera...
Parte II - acessórios
Ainda assim, quando pensava que o meu drama tinha acabado no vestido, lembrei-me que o dito cujo tinha uma aplicação cheia de brilhantes com a qual não ia muito à missa, mas para o qual não conseguia encontrar um substituto digno. Além disso era preciso encontrar a bela da pochette (cujo reduzido tamanho que a caracteriza me obriga sempre a deixar o telemóvel no carro) e os restantes acessórios - e parecia que nada ficava bem..
Parte III - sapatos
Depois de correr tudo quanto era loja da especialidade e de, finalmente, assumir que ia manter o aplique (cuja exuberância me resolvia o problema dos acessórios, dado que dispensava outros grandes atractivos), foram os sapatos que, apesar de ficarem bem, já tinham perdido alguns brilhantes, apresentando-se um pouco desdentados. Mas, que se lixe, o vestido é comprido e ninguém vai andar de gatas (espero eu), com um lupa, a contar os minúsculos vidrinhos.
Parte I b) - o vestido outra vez
Resolvidos os problemas anteriores, e não satisfeita, eis que ressurge o grande drama: o vestido, que tinha ficado na loja para apertar e para lavar, a 2 dias da cerimónia continuava por lavar e por apertar. Só me restava pedir muito ao meu Jesus para dar juízo às senhoras daquela loja e tempo, muito tempo para se dedicarem a porem o vestido pronto no Sábado!
Parte IV - o cabelo
Ainda que na véspera do casamento tenha ido ao cabeleireiro dar um jeito para um baptizado (sim, a minha vida social é muito rica - ao contrário da minha conta bancária, que fica vazia nestas ocasiões), era preciso repetir o ritual no dia seguinte.
Então no sábado tinha um baptizado às 16h - e eram 12h, tinha acabado de ir buscar o vestido (mais ou menos apertado e mais ou menos lavado) e continuava à procura de uns trapitos para levar vestidos, com cabeleireiro marcado para as 13h30. O vestidinho preto impecável que entretanto comprei combinava muitíssimo bem com umas "andas" de cetim preto que lá tinha em casa. Como não tenho carta de condução para aquela categoria de veículos, e dado o tardar da hora, comecei a suspeitar que poderia vir a ter um acidente grave no meio daquele turbilhão de coisas para fazer. Foi quando, a segundos de sair, resolvi que "fixe, fixe" era dar com a cabeça, em velocidade máxima, na orla da porta - e o meu pensamento instantâneo foi "já não me bastava estar suficientemente atrasada para agora ter que ir ao hospital levar pontos". Safei-me das suturas, mas não de um hematoma massivo na testa que me obrigou a ir de saco de gelo para o cabeleireiro e a contratar também para o dia seguinte uma maquilhadora profissional - o que nos leva para a parte V.
Parte V - a maquilhagem
Depois de uma noite a "dormir a correr" o despertador deu a alvorada às 07h e entre tropeções e remelas, lá me arrastei para o "Photoshop a 3D" - o cabeleireiro. Não fazia a mínima ideia do que iria sair do pincel da artista, mas estava filada que, como era a 1ª vez que a minha cara seria a sua tela, a paleta de cores iria ser humilde e regrada. Felizmente a nódoa negra não tinha chegado a surgir, pelo que, se levasse o penteado certo e se conseguisse evitar um determinado ângulo com o sol, talvez não se visse a proeminência colossal que tinha acoplada à minha testa - evidentemente que isto não aconteceu, mas talvez por falta de atenção (ou pena, ou excesso de álcool) ninguém reparou. Quando finalmente a obra termina, a maquilhadora começa a mexer no meu cabelo ainda molhado (como quando tentamos dar um jeito a um ramo de flores irremediavelmente mal arranjado) e diz "Vá ao espelho ver se gosta... Esta é uma maquilhagem bastante arrojada, mas vai ver que quando tiver o cabelo arranjado vai ficar o máximo". Temi pelo que ia encontrar do outro lado do espelho e comecei a preparar o discurso certo para a motivar para uma nova obra de arte, não tão "artística". Olhei para o meu reflexo, mas face ao estado de choque em que fiquei, as únicas palavras que me saíram foram "Isto... está... mesmo... artístico...". E foi aí que comecei também eu a mexer no cabelo a ver se a coisa remediava... E não remediou. Não é que estivesse feio, nada disso, apenas a probabilidade de encandear alguém com aquela sombra seria muito grande.
Parte VI - o cabelo outra vez
Quando me sentei na cadeira da cabeleireira, recebi por correio expresso as suas vibrações preocupadas, assim como uma expressão de quem tem uma empreitada faraónica pela frente: o que dali saísse ou ia arruinar tudo ou ia fazer estrelar o conjunto total. Como seria de esperar, não gostei do penteado e tanta arte, tanta inspiração e saí de lá a pensar "Meu Deus, onde estás tu quando mais preciso de ti?", mas rapidamente meti a mudança do espírito positivo e foquei-me neste pensamento "pelo menos não se nota o galo que está empoleirado na minha testa". Uma vantagem teve este photoshop todo: quando cheguei a casa e fui acordar o maridão ele acordou num instante!
Parte final - o conjunto completo
Entre uma testa amassada, uma maquilhagem que estaria à altura da sinalização de emergência de um edifício, uma penteado que parecia ter sido feito por uma criança de 2 anos e uma indumentária que já tinha passado as passas do Algarve, não é que o conjunto ficou muitíssimo bem? "Não negue à partida uma ciência que desconhece", já dizia a nossa querida amiga Maya...
Enfim! Com o complicómetro ligado no seu máximo nível (que de resto já é um habitué por aqui), melhor ou pior lá consegui resolver todas estas questões - como sempre!
Ai, como gostava eu de ser homem nestas alturas e ter como única preocupação engraxar os sapatos!!!
Depois de um fim-de-semana prolongadamente overdósico de pizzas, massas, gelados, paninis, porchettas, fogazzas e uma quase-crise de fígado, entrei numa semana de abstinência gastronómica absoluta, sem lugar a devaneios degustativos, enveredando assim pelo desconhecido mundo da comida saudável. Estava a correr tudo muito bem até arriscar comer um hambúrguer de soja. Era tão bom, tão bom, que o que sobrou de uma dose de 75g dei às minhas feras (que se lambem todos sempre que vêm um bom hambúrguer de carne ou de salmão). Resultado: a bicharada deve estar mal disposta, porque em vez da "chichinha" comeu os bróculos cozidos sem sal…
Para amanhã vamos ter tofu com as lentilhas que devem ter os respectivos prazos de validade a chegar ao fim, dada a vontade que tenho tido em cozinhar com estes ingredientes...
Ah! É verdade! E só por causa das coisas, depois da amostra de hambúrguer que comi e para matar o ratito, fiz um belo bife com cogumelos e molho de natas, acompanhado com um arrozinho branco que estava que era um espectáculo! E depois dizem que comer comida saudável não engorda e faz bem à saúde...
Hoje estou aqui para contar a história do dia em que fui atropelada por uma nave espacial e por uma tempestade de meteoritos.
Não me consigo recordar de quem me disse que a aula de TRX era muito "potente", mas uma coisa posso vos garantir: "potência" é coisa que não falta lá (note-se que esta grandeza é função da quantidade de energia gasta por unidade de tempo e eu derreti os meus músculos todos com tanto Joule)! O TRX, que significa treino em suspensão, utiliza unicamente o peso do nosso corpo (aqui eu ganho aos pontos muito boa gente esforçada, e magra, que lá anda). Deixo um vídeo para perceberem bem a excelente aplicabilidade do termo à modalidade.
Não se deixem enganar pela criancinha e pelas senhoras a entrar na meia idade que aqui aparecem, porque isto é mesmo um treino no demo!
Eu e uma amiga estreante no ginásio (a valente), face à hora e à sobre-ocupação das máquinas, decidimos que havíamos de experimentar aquela aula. Para não enfrentarmos o inimigo de olhos vendados resolvi, numa primeira fase, fazer prospecção do terreno e espreitar para ver se as pessoas que estavam à espera da aula eram todas homens, todas musculadas e todas com aquele ar alucinado de quem não está ali para passar o tempo (como nós). A amostra era bastante diversificada e animadora. Numa segunda fase perguntei a uma rapariga se aquilo era muito violento/agressivo, ao que ela me respondeu que era pacífico porque seríamos nós a impôr o nosso "grau" de dificuldade - só percebi lá dentro que tinha escolhido muito bem a quem fazer a pergunta e que ela já era "pós-graduada" nestas andanças. E como pelo meio da resposta dela surgiram as palavras "abdominais" e "braços" (que são músculos praticamente inexistentes que carecem rápida e desesperadamente de muito trabalho) fiquei convencida!
Lá entramos. Nunca cumpri serviço militar (muito embora tenha andado na praxe de engenharia, o que é praticamente a mesma coisa), mas tenho a certeza absoluta que as sessões de GAM (Ginástica Até à Morte) não deviam ser muito mais "potentes" do que estas! Fiquei estourada, mas a coisa ainda não tinha chegado ao cume e só me apercebi disso quando o professor disse: "Agora que acabámos o aquecimento, vamos passar ao primeiro grupo muscular". O QUÊ???? Aquilo era só o aquecimento? Bonito...
Já o professor tinha explicado o exercício e ainda andava eu às aranhas para conseguir regular as fitas ou enfiá-las em condições nas mãos. E depois, quando finalmente conseguia isso, como não tinha ouvido a explicação, fazia tudo mal, para além de que, para conseguir a tensão necessária nas fitas, tinha quase que entrar pela parede dentro e, como isso não era possível, ficava lá às rodas até conseguir encontrar uma posição em que não fosse dar marretadas na minha amiga (que estava ao meu lado), nem ficar com o rabiosque na cara de um colega desconhecido... E foi então que todo o meu estado de compenetração e entrega pereceu!
Ah! Esqueci-me de dizer que tinha andado o dia todo cheia de sono, e, como já eram 17h e ainda continuava nesse estado de dormência total e absoluta, resolvi tomar o meu 3º café dos últimos 3 anos. Meninas/os! Não sei se foi o café, se foi o sono, mas deu-me semelhante ataque de riso lá dentro que cheguei a pensar que o café estava "dopado". Ainda por cima o professor tinha um ar super profissional e não se vislumbrava qualquer ponta de palhaçada, não sendo fácil camuflar este meu ataque. E se os meus lânguidos bracinhos já não tinham força nenhuma, a rir-me como uma bêbada é que a coisa não ia mudar de figura. Tive que fazer um esforço colossal para pensar noutras coisas e não me desfazer em lágrimas de riso. Comecei a entrar em desespero com tanta gargalhada oprimida e cheguei mesmo a ponderar abandonar a aula. Valeu-me a companhia porque eu não podia ficar assim tão mal vista logo na primeira vez... Enfim...
E se já estava a ser difícil executar correctamente os exercícios com as mãos, imagine-se agora com os pés! E para complicar ainda mais, completamente suspensa, com flexões ao barulho, com o corpo de lado, e depois de pé novamente, e tudo em 3 segundos, e várias vezes seguidas, numa rotina digna de ser apresentada num circo, só que sem rede por baixo. Pffffffffffffffffffff... Os meus músculos começaram a deitar fumo!!!! Escusado será dizer que das duas séries de 15 que foram feitas, eu fiz uma única vez porque foi aí que não me consegui conter mais e me entreguei ao riso audível e despojado, face às figurinhas que me estava a ver fazer. E fiquei ali de pé, especada, a ver se me passava... E não passou!
A única coisa que me conseguia controlar era a antevisão das consequências resultantes desta sobreprodução de ácido láctico. Mas logo a seguir a minha amiga saía-se com um "Amanhã nem sequer vou conseguir escrever. O teu carro liga-se com botão, ou vais ter que ir à boleia?" e retomava a histeria!
Finalmente ouvimos as palavrinhas mágicas do nosso mestre "Vamos fazer os alongamentos, agora", sinal de que o nosso suplício via, finalmente, a luz no fim do túnel e que ia voltar a ter os pés permanentemente assentes no chão, terminando com aquele estado de "Xuspensão". Ao sair da aula percebemos, imediatamente, que tínhamos adquirido um novo andar e que não apenas os braços, mas todos os grupos musculares estavam em overdose com tanta "potência". A minha amiga ficou motivadíssima para o ginásio e para estas aulas, ainda que não tenha sido capaz de preencher sozinha a ficha de inscrição por falta de força nas mãos (está até com receio que o banco rejeite o pedido de débito directo uma vez que a sua assinatura ficou totalmente diferente). Depois da aula ainda fui tentar fazer um pouco de treino cardiovascular, ausente naquela modalidade militar, mas ao cabo de 15 minutos "atirei a toalha ao chão" e não a tornei a apanhar! Pontos positivos: afinal tenho músculos, dado que tenho dores em sítios que nem imaginava ser possível; nada poderá ser pior do que isto, pelo que, se sobrevivi a esta, posso experimentar TODAS as aulas do ginásio!
Pela primeira vez desde que fui na minha caminhada de fé que não me sentia tão cansada e adormeci sem ter tempo, sequer, para me aperceber que tinha sono.
Normalmente demoro cerca de 24h para ter dores musculares, o que não aconteceu, seguramente, desta vez. Não precisei de boleia porque consegui ligar o carro, mesmo não tendo o dito botão, mas isto promete complicar com a passagem do tempo. Uma coisa é certa: o 4º café do triénio já cá canta para conseguir aguentar. Só espero que não me dê outro ataquinho como o de ontem! Mas também estou certa de que não tenho força, nem energia para outro com tamanha "potência"!!!
Para a semana, à mesma hora, lá estarei, com o único propósito de desafiar as minhas limitações (é que além de desequilibrada, descobri que sou masoquista). E depois, já se sabe...