segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Olh’á bolinha com creme!
Depois de um ano de guerra travada com o ginásio, com as dietas e com as calorias guardadas no armário a encolher a nossa roupa, ainda que isso não se tenha concretizado em resultados visíveis a olho nu, eis que chega o momento de fazer reset ao sistema. Só assim será possível angariar a motivação suficiente, aliada a doses massivas de baixa-estima, para retomar todo o processo, logo após o fim das férias.E como é que se consegue esta
proeza em 15 dias? Muito fácil. Para perceberem como, convido-vos a acompanhar-me
durante os próximos minutos, numa viagem de sol, mar e refeições com valor
calórico muito superior ao da DDR (Dose Diária Recomendada).
Tudo começou num belo dia de
manhã em que acordamos e percebemos que temos que enfiar num carro minúsculo
duas malas de viagem gigantescas (cheias de roupa que não sabemos se vamos usar),
uma mochila (com o livro iniciado e não terminado no Verão passado, as 12
últimas edições da National Geographic
e da Engenharia e Vida e uma pasta
com algum trabalho que sei que não irei dar seguimento nas férias), uma mala
com 2 computadores, um guarda-sol, uma cadeira de campismo, um saco de praia
com calçado, um malote com produtos de higiene pessoal (alguns dos quais em
duplicado e triplicado e, ainda assim, faltando o mais básico – o champô), um
par de bicicletas e mais uns quantos sacos cheios de tralha que nem sabemos bem
qual a utilização. Mas, após umas férias onde ficamos restringidos a uma única
mala de 20Kg para cada um, a ressaca tem sobre nós alguns destes efeitos
indesejáveis… Depois de reduzirmos ao máximo possível o índice de vazios da
viatura e de quase termos que respirar fundo e encolher a barriga para lá
cabermos dentro, damos início à nossa jornada, rezando ao Jesus para que a
viagem corra bem. Contudo, sem termos tempo, sequer, para terminar a Avé Maria,
somos interrompidos por um estrondo ensurdecedor e por um puxão que quase
arranca o tejadilho do carro: a passagem das bicicletas não foi autorizada pela
saída da garagem. Meia hora e vinte metros de fita autocolante depois retomamos,
a medo, o nosso trajecto, não sem antes batermos com a
parte de baixo do carro na rampa ao sairmos de casa, dado o peso
excessivo da carga.
1º Episódio: o almoço da viagem
Como se trata do primeiro dia de
férias e ainda se quer dar aquele ar digno de quem não quer deitar logo tudo a
perder no que diz respeito à alimentação, nada melhor do que fazer um desvio de
não-sei-quantos quilómetros para ir comer uma “Sopa da
Pedra” seguida de uma “Carne de Porco à Alentejana” – além de que se prevê dias
seguidos de descomedida gula. Evidentemente que, após o repasto e a sobremesa
típica da região, na defesa da minha moral dietética, solicito ao empregado um
pacotinho de adoçante para pôr no café. Atolada de comida até à garganta,
lá me enfio novamente no carro e é com imensa dificuldade em manter-me acordada
que 100Km depois me apercebo que deixei ficar a máquina fotográfica algures no
restaurante com lotação para 200 pessoas… Valeu-me o facto de ser uma
crente ao acreditar conseguir recuperar o aparelho (e uns amigos que vinham
atrasados) para conseguir dar a esta história um final feliz e evitar um divórcio.
2º Episódio: as
compras
Encher a dispensa para quinze
dias de férias é uma tarefa que normalmente é delegada para a minha metade boa
que o faz com melhor das intenções. Entre iogurtes light e 5 Kg de fruta que irá apodrecer lentamente no cesto, lá
descubro entre os sacos os presuntos, as garrafas de refrigerante, as bolachas
recheadas, as carnes vermelhas e os gelados. Peixinho e legumes, que é bom, nem
vê-los! “Amanhã vamos ao mercado”, diz o maridão. E eu acredito nele até porque
é quem enverga o avental lá em casa e até ao momento não me tem falhado. Olho
para tudo aquilo e penso que irei conseguir resistir e portar-me à altura dos
sacrifícios das últimas semanas, de modo a reservar o espaço para as tão
desejadas bolas com creme. E é então que vejo os vários pacotes de iogurtes
gregos, por que sou absolutamente DOIDA, e percebo que a carne é fraca, sabendo
logo que não irei conseguir resistir a nada daquilo, por muito boa vontade que
tenha.
3º Episódio: o exercício físico
4º Episódio: os gelados do demónio
Ainda que a intenção seja dar
exclusividade às bolinhas doces, férias não serão, jamais, férias se não forem
aconchegadas com, pelo menos, um gelado diário - principalmente quando vamos
para um local onde são vendidos os nossos gelados favoritos e quando um desses
sítios está localizado precisamente no rés-do-chão do prédio que será a nossa
morada durante duas semanas. Duas bolas de diferentes sabores (uma nos dias em
que se come bolinha com creme), com crepe, com waffle, simples ou em cone, lá vai ficando a nossa alma mais
iluminada no momento em que adquirimos este filho do diabo – e mais carregada
também nas noites mais frias em que sentimos a necessidade de vestir umas
calças e elas parecem ter sido lavadas a quente.
5º Episódio: finalmente as bolinhas com creme
Toda a gente sabe que,
independentemente do nosso peso, das nossas ambições com ele relacionadas e da
nossa capacidade resistente, não é fisicamente possível lutar contra as bolas
de Berlim na praia e sair vencedor. Assim sendo, vai-se de férias logo a saber
que esta é uma guerra perdida e que nem vale a pena guardar a ilusão de que nos
vamos conseguir conter. E quando estamos numa praia onde, de cinco em cinco
minutos, nos aparece um brasileiro com uma t-shirt a dizer “Delícia, delícia”
na parte da frente e “Assim você me mata” atrás, com uma buzina e a gritar bem
alto “Bólinhá com crêmi, bólinhá seim crêmi e crêmi seim bólinhá” então a única
coisa a que vamos conseguir resistir será em comer mais do que uma por dia.
Este ano foi menos mal porque, aparentemente, o creme é proibido nesta praia
(pelo menos para alguns vendedores) sendo que lá foi possível alguma poupança
energética, já que se estava a prescindir do doce amarelo, qual sorriso no bolo
que nos hipnotiza e nos atrai para o seu consumo. E quase que a coisa nem corre
assim tão mal não fosse termos descoberto as melhores bolas de Berlim que já
comemos, vendidas em embalagens de seis unidades, num dos mais conhecidos
supermercados nacionais.
Enfim! Vou embora destas férias,
para não fugir à regra, literalmente de barriguinha cheia de doces recordações
e agora é esperar para ver se esta barriguinha me vai deixar vestir a minha
roupa quando regressar ao trabalho…
Resultado final: Filipa - 0 Férias - 2 (Kg)
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Mulher é um "bicho" difícil...
Finalmente este fim-de-semana recuperei algumas gotinhas de inspiração para escrever aqui no blogue e como a inspiração é como um recipiente sob pressão há algum tempo, que foi abanado, aviso já que hoje isto vai ser longo!
O motivo foi o casamento de uma grande amiga. Mas não é sobre este evento que vou falar, isso ficará para outras núpcias, mas sim sobre os preparativos que foram verdadeiramente dramáticos – os meus, entenda-se, porque os dos noivos correram lindamente.
O motivo foi o casamento de uma grande amiga. Mas não é sobre este evento que vou falar, isso ficará para outras núpcias, mas sim sobre os preparativos que foram verdadeiramente dramáticos – os meus, entenda-se, porque os dos noivos correram lindamente.
Parte I – o vestido
Como é habitual, e ainda que
tenha reservada no armário uma série de vestidos de cerimónia, tive que acrescentar mais um à colecção porque não tinha um único exemplar que estivesse à altura do
acontecimento. À altura e à largura porque, de há uns anos a esta parte, o meu
armário tem sido o ecossistema perfeito para alojar umas criaturas (inventadas pelo
diabo), que se alimentam da minha roupa fazendo com que deixe de me servir - o seu nome é “calorias” e os hospedeiros que as conduzem até esse local são a
coca-cola e as batatas fritas. Outro dos motivos, com ainda mais peso, é a
regra nº1 das mulheres no que concerne a cerimónias: nunca repetir a
indumentária quando esse vestido já foi visto por alguém, nem que esse alguém tenha
sido o cozinheiro que nunca aparece na sala e ainda que nós nunca reparemos no que os outros levam vestido, sendo incapazes de reconhecer alguma peça repetida. Depois de quase ter "atirado a toalha ao chão" por não encontrar nada com a relação qualidade/preço desejada, lá perdi o amor a uma quantia de dinheiro ligeiramente pornográfica para adquirir um vestido que não sei se poderá alguma vez ser reutilizado. Mas quando o desespero impera...Parte II - acessórios
Ainda assim, quando pensava que o meu drama tinha acabado no vestido, lembrei-me que o dito cujo tinha uma aplicação cheia de brilhantes com a qual não ia muito à missa, mas para o qual não conseguia encontrar um substituto digno. Além disso era preciso encontrar a bela da pochette (cujo reduzido tamanho que a caracteriza me obriga sempre a deixar o telemóvel no carro) e os restantes acessórios - e parecia que nada ficava bem..
Parte III - sapatos
Depois de correr tudo quanto era loja da especialidade e de, finalmente, assumir que ia manter o aplique (cuja exuberância me resolvia o problema dos acessórios, dado que dispensava outros grandes atractivos), foram os sapatos que, apesar de ficarem bem, já tinham perdido alguns brilhantes, apresentando-se um pouco desdentados. Mas, que se lixe, o vestido é comprido e ninguém vai andar de gatas (espero eu), com um lupa, a contar os minúsculos vidrinhos.
Parte I b) - o vestido outra vez
Resolvidos os problemas anteriores, e não satisfeita, eis que ressurge o grande drama: o vestido, que tinha ficado na loja para apertar e para lavar, a 2 dias da cerimónia continuava por lavar e por apertar. Só me restava pedir muito ao meu Jesus para dar juízo às senhoras daquela loja e tempo, muito tempo para se dedicarem a porem o vestido pronto no Sábado!
Parte III - sapatos
Depois de correr tudo quanto era loja da especialidade e de, finalmente, assumir que ia manter o aplique (cuja exuberância me resolvia o problema dos acessórios, dado que dispensava outros grandes atractivos), foram os sapatos que, apesar de ficarem bem, já tinham perdido alguns brilhantes, apresentando-se um pouco desdentados. Mas, que se lixe, o vestido é comprido e ninguém vai andar de gatas (espero eu), com um lupa, a contar os minúsculos vidrinhos.Parte I b) - o vestido outra vez
Resolvidos os problemas anteriores, e não satisfeita, eis que ressurge o grande drama: o vestido, que tinha ficado na loja para apertar e para lavar, a 2 dias da cerimónia continuava por lavar e por apertar. Só me restava pedir muito ao meu Jesus para dar juízo às senhoras daquela loja e tempo, muito tempo para se dedicarem a porem o vestido pronto no Sábado!
Parte IV - o cabelo
Então no sábado tinha um baptizado às 16h - e eram 12h, tinha acabado de ir buscar o vestido (mais ou menos apertado e mais ou menos lavado) e continuava à procura de uns trapitos para levar vestidos, com cabeleireiro marcado para as 13h30. O vestidinho preto impecável que entretanto comprei combinava muitíssimo bem com umas "andas" de cetim preto que lá tinha em casa. Como não tenho carta de condução para aquela categoria de veículos, e dado o tardar da hora, comecei a suspeitar que poderia vir a ter um acidente grave no meio daquele turbilhão de coisas para fazer. Foi quando, a segundos de sair, resolvi que "fixe, fixe" era dar com a cabeça, em velocidade máxima, na orla da porta - e o meu pensamento instantâneo foi "já não me bastava estar suficientemente atrasada para agora ter que ir ao hospital levar pontos". Safei-me das suturas, mas não de um hematoma massivo na testa que me obrigou a ir de saco de gelo para o cabeleireiro e a contratar também para o dia seguinte uma maquilhadora profissional - o que nos leva para a parte V.
Parte V - a maquilhagem
Depois de uma noite a "dormir a correr" o despertador deu a alvorada às 07h e entre tropeções e remelas, lá me arrastei para o "Photoshop a 3D" - o cabeleireiro. Não fazia a mínima ideia do que iria sair do pincel da artista, mas estava filada que, como era a 1ª vez que a minha cara seria a sua tela, a paleta de cores iria ser humilde e regrada. Felizmente a nódoa negra não tinha chegado a surgir, pelo que, se levasse o penteado certo e se conseguisse evitar um determinado ângulo com o sol, talvez não se visse a proeminência colossal que tinha acoplada à minha testa - evidentemente que isto não aconteceu, mas talvez por falta de atenção (ou pena, ou excesso de álcool) ninguém reparou. Quando finalmente a obra termina, a maquilhadora começa a mexer no meu cabelo ainda molhado (como quando tentamos dar um jeito a um ramo de flores irremediavelmente mal arranjado) e diz "Vá ao espelho ver se gosta... Esta é uma maquilhagem bastante arrojada, mas vai ver que quando tiver o cabelo arranjado vai ficar o máximo". Temi pelo que ia encontrar do outro lado do espelho e comecei a preparar o discurso certo para a motivar para uma nova obra de arte, não tão "artística". Olhei para o meu reflexo, mas face ao estado de choque em que fiquei, as únicas palavras que me saíram foram "Isto... está... mesmo... artístico...". E foi aí que comecei também eu a mexer no cabelo a ver se a coisa remediava... E não remediou. Não é que estivesse feio, nada disso, apenas a probabilidade de encandear alguém com aquela sombra seria muito grande.
Parte VI - o cabelo outra vez
Quando me sentei na cadeira da cabeleireira, recebi por correio expresso as suas vibrações preocupadas, assim como uma expressão de quem tem uma empreitada faraónica pela frente: o que dali saísse ou ia arruinar tudo ou ia fazer estrelar o conjunto total. Como seria de esperar, não gostei do penteado e tanta arte, tanta inspiração e saí de lá a pensar "Meu Deus, onde estás tu quando mais preciso de ti?", mas rapidamente meti a mudança do espírito positivo e foquei-me neste pensamento "pelo menos não se nota o galo que está empoleirado na minha testa". Uma vantagem teve este photoshop todo: quando cheguei a casa e fui acordar o maridão ele acordou num instante!
Parte final - o conjunto completo
Entre uma testa amassada, uma maquilhagem que estaria à altura da sinalização de emergência de um edifício, uma penteado que parecia ter sido feito por uma criança de 2 anos e uma indumentária que já tinha passado as passas do Algarve, não é que o conjunto ficou muitíssimo bem? "Não negue à partida uma ciência que desconhece", já dizia a nossa querida amiga Maya...
Enfim! Com o complicómetro ligado no seu máximo nível (que de resto já é um habitué por aqui), melhor ou pior lá consegui resolver todas estas questões - como sempre!
Ai, como gostava eu de ser homem nestas alturas e ter como única preocupação engraxar os sapatos!!!
Parte VI - o cabelo outra vez
Quando me sentei na cadeira da cabeleireira, recebi por correio expresso as suas vibrações preocupadas, assim como uma expressão de quem tem uma empreitada faraónica pela frente: o que dali saísse ou ia arruinar tudo ou ia fazer estrelar o conjunto total. Como seria de esperar, não gostei do penteado e tanta arte, tanta inspiração e saí de lá a pensar "Meu Deus, onde estás tu quando mais preciso de ti?", mas rapidamente meti a mudança do espírito positivo e foquei-me neste pensamento "pelo menos não se nota o galo que está empoleirado na minha testa". Uma vantagem teve este photoshop todo: quando cheguei a casa e fui acordar o maridão ele acordou num instante!
Parte final - o conjunto completo
Entre uma testa amassada, uma maquilhagem que estaria à altura da sinalização de emergência de um edifício, uma penteado que parecia ter sido feito por uma criança de 2 anos e uma indumentária que já tinha passado as passas do Algarve, não é que o conjunto ficou muitíssimo bem? "Não negue à partida uma ciência que desconhece", já dizia a nossa querida amiga Maya...
Enfim! Com o complicómetro ligado no seu máximo nível (que de resto já é um habitué por aqui), melhor ou pior lá consegui resolver todas estas questões - como sempre!
Ai, como gostava eu de ser homem nestas alturas e ter como única preocupação engraxar os sapatos!!!
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Vegan à la carte
Depois de um fim-de-semana prolongadamente overdósico de pizzas, massas, gelados, paninis, porchettas, fogazzas e uma quase-crise de fígado, entrei numa semana de abstinência gastronómica absoluta, sem lugar a devaneios degustativos, enveredando assim pelo desconhecido mundo da comida saudável. Estava a correr tudo muito bem até arriscar comer um hambúrguer de soja. Era tão bom, tão bom, que o que sobrou de uma dose de 75g dei às minhas feras (que se lambem todos sempre que vêm um bom hambúrguer de carne ou de salmão). Resultado: a bicharada deve estar mal disposta, porque em vez da "chichinha" comeu os bróculos cozidos sem sal…
Para amanhã vamos ter tofu com as lentilhas que devem ter os respectivos prazos de validade a chegar ao fim, dada a vontade que tenho tido em cozinhar com estes ingredientes...
Ah! É verdade! E só por causa das coisas, depois da amostra de hambúrguer que comi e para matar o ratito, fiz um belo bife com cogumelos e molho de natas, acompanhado com um arrozinho branco que estava que era um espectáculo! E depois dizem que comer comida saudável não engorda e faz bem à saúde...
terça-feira, 17 de abril de 2012
TRX - Treino, Riso e "Xuspensão"
Hoje estou aqui para contar a história do dia em que fui atropelada por uma nave espacial e por uma tempestade de meteoritos.
Não me consigo recordar de quem me disse que a aula de TRX era muito "potente", mas uma coisa posso vos garantir: "potência" é coisa que não falta lá (note-se que esta grandeza é função da quantidade de energia gasta por unidade de tempo e eu derreti os meus músculos todos com tanto Joule)! O TRX, que significa treino em suspensão, utiliza unicamente o peso do nosso corpo (aqui eu ganho aos pontos muito boa gente esforçada, e magra, que lá anda). Deixo um vídeo para perceberem bem a excelente aplicabilidade do termo à modalidade.
Não se deixem enganar pela criancinha e pelas senhoras a entrar na meia idade que aqui aparecem, porque isto é mesmo um treino no demo!
Eu e uma amiga estreante no ginásio (a valente), face à hora e à sobre-ocupação das máquinas, decidimos que havíamos de experimentar aquela aula. Para não enfrentarmos o inimigo de olhos vendados resolvi, numa primeira fase, fazer prospecção do terreno e espreitar para ver se as pessoas que estavam à espera da aula eram todas homens, todas musculadas e todas com aquele ar alucinado de quem não está ali para passar o tempo (como nós). A amostra era bastante diversificada e animadora. Numa segunda fase perguntei a uma rapariga se aquilo era muito violento/agressivo, ao que ela me respondeu que era pacífico porque seríamos nós a impôr o nosso "grau" de dificuldade - só percebi lá dentro que tinha escolhido muito bem a quem fazer a pergunta e que ela já era "pós-graduada" nestas andanças. E como pelo meio da resposta dela surgiram as palavras "abdominais" e "braços" (que são músculos praticamente inexistentes que carecem rápida e desesperadamente de muito trabalho) fiquei convencida!
Lá entramos. Nunca cumpri serviço militar (muito embora tenha andado na praxe de engenharia, o que é praticamente a mesma coisa), mas tenho a certeza absoluta que as sessões de GAM (Ginástica Até à Morte) não deviam ser muito mais "potentes" do que estas! Fiquei estourada, mas a coisa ainda não tinha chegado ao cume e só me apercebi disso quando o professor disse: "Agora que acabámos o aquecimento, vamos passar ao primeiro grupo muscular". O QUÊ???? Aquilo era só o aquecimento? Bonito...
Já o professor tinha explicado o exercício e ainda andava eu às aranhas para conseguir regular as fitas ou enfiá-las em condições nas mãos. E depois, quando finalmente conseguia isso, como não tinha ouvido a explicação, fazia tudo mal, para além de que, para conseguir a tensão necessária nas fitas, tinha quase que entrar pela parede dentro e, como isso não era possível, ficava lá às rodas até conseguir encontrar uma posição em que não fosse dar marretadas na minha amiga (que estava ao meu lado), nem ficar com o rabiosque na cara de um colega desconhecido... E foi então que todo o meu estado de compenetração e entrega pereceu!
Ah! Esqueci-me de dizer que tinha andado o dia todo cheia de sono, e, como já eram 17h e ainda continuava nesse estado de dormência total e absoluta, resolvi tomar o meu 3º café dos últimos 3 anos. Meninas/os! Não sei se foi o café, se foi o sono, mas deu-me semelhante ataque de riso lá dentro que cheguei a pensar que o café estava "dopado". Ainda por cima o professor tinha um ar super profissional e não se vislumbrava qualquer ponta de palhaçada, não sendo fácil camuflar este meu ataque. E se os meus lânguidos bracinhos já não tinham força nenhuma, a rir-me como uma bêbada é que a coisa não ia mudar de figura. Tive que fazer um esforço colossal para pensar noutras coisas e não me desfazer em lágrimas de riso. Comecei a entrar em desespero com tanta gargalhada oprimida e cheguei mesmo a ponderar abandonar a aula. Valeu-me a companhia porque eu não podia ficar assim tão mal vista logo na primeira vez... Enfim...
E se já estava a ser difícil executar correctamente os exercícios com as mãos, imagine-se agora com os pés! E para complicar ainda mais, completamente suspensa, com flexões ao barulho, com o corpo de lado, e depois de pé novamente, e tudo em 3 segundos, e várias vezes seguidas, numa rotina digna de ser apresentada num circo, só que sem rede por baixo. Pffffffffffffffffffff... Os meus músculos começaram a deitar fumo!!!! Escusado será dizer que das duas séries de 15 que foram feitas, eu fiz uma única vez porque foi aí que não me consegui conter mais e me entreguei ao riso audível e despojado, face às figurinhas que me estava a ver fazer. E fiquei ali de pé, especada, a ver se me passava... E não passou!
A única coisa que me conseguia controlar era a antevisão das consequências resultantes desta sobreprodução de ácido láctico. Mas logo a seguir a minha amiga saía-se com um "Amanhã nem sequer vou conseguir escrever. O teu carro liga-se com botão, ou vais ter que ir à boleia?" e retomava a histeria!
Finalmente ouvimos as palavrinhas mágicas do nosso mestre "Vamos fazer os alongamentos, agora", sinal de que o nosso suplício via, finalmente, a luz no fim do túnel e que ia voltar a ter os pés permanentemente assentes no chão, terminando com aquele estado de "Xuspensão". Ao sair da aula percebemos, imediatamente, que tínhamos adquirido um novo andar e que não apenas os braços, mas todos os grupos musculares estavam em overdose com tanta "potência". A minha amiga ficou motivadíssima para o ginásio e para estas aulas, ainda que não tenha sido capaz de preencher sozinha a ficha de inscrição por falta de força nas mãos (está até com receio que o banco rejeite o pedido de débito directo uma vez que a sua assinatura ficou totalmente diferente). Depois da aula ainda fui tentar fazer um pouco de treino cardiovascular, ausente naquela modalidade militar, mas ao cabo de 15 minutos "atirei a toalha ao chão" e não a tornei a apanhar! Pontos positivos: afinal tenho músculos, dado que tenho dores em sítios que nem imaginava ser possível; nada poderá ser pior do que isto, pelo que, se sobrevivi a esta, posso experimentar TODAS as aulas do ginásio!
Pela primeira vez desde que fui na minha caminhada de fé que não me sentia tão cansada e adormeci sem ter tempo, sequer, para me aperceber que tinha sono.
Normalmente demoro cerca de 24h para ter dores musculares, o que não aconteceu, seguramente, desta vez. Não precisei de boleia porque consegui ligar o carro, mesmo não tendo o dito botão, mas isto promete complicar com a passagem do tempo. Uma coisa é certa: o 4º café do triénio já cá canta para conseguir aguentar. Só espero que não me dê outro ataquinho como o de ontem! Mas também estou certa de que não tenho força, nem energia para outro com tamanha "potência"!!!
Para a semana, à mesma hora, lá estarei, com o único propósito de desafiar as minhas limitações (é que além de desequilibrada, descobri que sou masoquista). E depois, já se sabe...
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Mom to be - Parte I
(Caaaaaalma! Antes de começar, nada de ideias, porque não sou eu, ok? )
Li uma vez num livro que, de há uns tempos a esta parte, anda aí um "vírus" que se manifesta através de deformações físicas, alterações comportamentais e desenvolvimento de um hospedeiro no interior de mulheres com idades compreendidas entre os 13 e os 40 anos - por isso, cuidado meninas, porque aviso já que se nos pusermos a jeito ainda nos apanha! Ao que parece, existem várias formas de enfrentar o agente infeccioso. Contudo, não estamos livres dele nos bater à porta porque, segundo os especialistas, mesmo que não estejamos "infectadas", podemos ser portadoras de um síndrome que se revela através de um desejo incontrolável em apanhar esta "virose", especialmente entre os 30 e os 35 anos. E bate certo porque a verdade é que anda tudo a pensar no mesmo: bebés! Uma coisa leva à outra e desde o início do ano que já conto mais 8 grávidas (para além das que eu já sabia que tinham entrado em 2012 com o chamado “pipo cheio”). Há também uma boa brigada de gente a treinar, a fazer o aquecimento, ou simplesmente a pensar mais seriamente no assunto.
Li uma vez num livro que, de há uns tempos a esta parte, anda aí um "vírus" que se manifesta através de deformações físicas, alterações comportamentais e desenvolvimento de um hospedeiro no interior de mulheres com idades compreendidas entre os 13 e os 40 anos - por isso, cuidado meninas, porque aviso já que se nos pusermos a jeito ainda nos apanha! Ao que parece, existem várias formas de enfrentar o agente infeccioso. Contudo, não estamos livres dele nos bater à porta porque, segundo os especialistas, mesmo que não estejamos "infectadas", podemos ser portadoras de um síndrome que se revela através de um desejo incontrolável em apanhar esta "virose", especialmente entre os 30 e os 35 anos. E bate certo porque a verdade é que anda tudo a pensar no mesmo: bebés! Uma coisa leva à outra e desde o início do ano que já conto mais 8 grávidas (para além das que eu já sabia que tinham entrado em 2012 com o chamado “pipo cheio”). Há também uma boa brigada de gente a treinar, a fazer o aquecimento, ou simplesmente a pensar mais seriamente no assunto.
Mais particularmente, há aquelas que ficam caladinhas que nem ratos, na esperança vã que ninguém desvende este seu segredo antes do 1º trimestre de gravidez, para não agoirar o negócio. Mas quem já passou por isso, ou viu muita gente passar, consegue facilmente decifrar nos pequenos sinais que existe um feijãozinho algures entre as “joias” do papá e o “forninho” da mamã. E eu fico encantada a ver essas desculpas andrajosas, esses comportamentos desajeitados e essas exteriorizações de felicidade oprimidas, porque são indícios de que vem aí mais um(a) sobrinho(a).
Se repararmos bem, a coisa anda, sobretudo, à volta da comida. Por isso, um pouco mais de atenção às refeições poderá ser o suficiente para apanharmos em flagrante uma “criminosa”. Atente-se, desta forma, ao seguinte menu.
Se repararmos bem, a coisa anda, sobretudo, à volta da comida. Por isso, um pouco mais de atenção às refeições poderá ser o suficiente para apanharmos em flagrante uma “criminosa”. Atente-se, desta forma, ao seguinte menu.
Enchidos
“Quero uma tosta mista sem fiambre, por favor”
“Adoro presunto, mas… estou de dieta… de carne de porco crua!”
“Adoro presunto, mas… estou de dieta… de carne de porco crua!”
Mariscos
“Arroz de marisco? Que pena… Comi ao almoço. Eu como só o arroz, não faz mal. É por causa do colesterol…”
Ovos Crús
“Mousse de chocolate é a minha sobremesa preferida, a par da baba de camelo. Mas comi muito ao jantar, obrigada!”
Combinações estranhas
“Apetecia-me mesmo batatas fritas com molho de soja e gelado de iogurte grego de manga para o pequeno almoço...”
Bebidas
"Quem disse que brindar com água dá azar... Disparates!"
E se falamos de comidas temos, obrigatoriamente, de falar nos movimentos expulsivos que tornam a pô-la outra vez toda cá fora.
Enjoos
“Estou um bocado indisposta. Foi da viagem… Muitas curvas apertadas (na autoestrada).”
“Cheira-me imenso ao cimento das obras que estão a fazer no quarteirão ao lado deste? Acho que vou vomitar…”
Depois há também aquelas que, por não serem imunes a algumas doenças, evitam o contacto com animais e plantas.
Gatos
“Onde é o jantar? Em tua casa? Ah!... Ainda tens gatinhos? Olha, lembrei-me agora! Podíamos antes ir jantar fora… Para não te sujar a casa.”
Fruta
“Onde está o teu galheteiro? Gosto sempre de lavar as maçãs com vinagre porque ficam muito mais saborosas.”
Saladas
“Deixei de comer salada porque... ora... porque me fazia o cabelo espigado..."
E se falamos em doenças temos, forçosamente, de falar de medicamentos e de métodos de diagnóstico mais… evasivos!
Medicamentos
“Não quero um comprimido para as dores de cabeça. Estou a fazer um teste à minha resistência à dor!”
"Estes comprimidos que ando sempre a tomar? São vitaminas porque ando muito cansada."
“Ir ao hospital fazer uma radiografia? Não é preciso... O osso vai ao sítio sozinho! Eu ponho uma pomadinha e faço uma massagem!”
Há também aquelas pequenas pistas, apenas sensíveis à comunidade feminina, que revelam que pode existir uma surpresa dentro do ovo.
Estética
“O cabelo castanho com raízes brancas está na moda este ano.” ou “O cabelo loiro, com raízes castanhas é a nova tendência nos Estados Unidos.”
“Borbulhas na cara? Hummm... Mudei de creme, é isso!”
“Deixei de pintar as unhas porque estavam a ficar muito amarelas”
"Gosto muito de usar cachecol, mesmo quando estão 28ºC"
"Sim... Estou mais gordinha... E já se sabe... Vai sempre parar à barriga..."
Finalmente, a larga experiência de "tia" permitiu-me concluir ainda que os desiquilíbrios hormonais, representados por comportamentos anormais, são indicativos também de que a cegonha já fez check-in.
Hormonas
"Claro que não podes ir ver um jogo de futebol, nem podes ir jogar futebol, nem podes ver futebol na televisão, nem sequer podes jogar futebol na playstation. Estou muito carente e só tenho estado contigo 23h por dia!"
"Estou cheia de sono. E esta noite só dormi 10h!”
“Não percebes porque é que estou a chorar? "Então não vês que aquele botão de rosa abriu hoje? Eu é que não percebo como podes ser tão insensível…!”
Perante isto tudo, minhas amigas, só posso dizer: não pensem que me enganam!!! E quanto a mim...
"Estou cheia de sono. E esta noite só dormi 10h!”
“Não percebes porque é que estou a chorar? "Então não vês que aquele botão de rosa abriu hoje? Eu é que não percebo como podes ser tão insensível…!”
Perante isto tudo, minhas amigas, só posso dizer: não pensem que me enganam!!! E quanto a mim...
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Chuvinha de Molha-Tolos
E depois de 3 meses sem chover, depois
de andar a adiar semana, após semana, a lavagem digna numa área de serviço, e
depois de deixar 600 pontos do meu querido cartão cor-de-rosa do
combustível, eis que a minha concentração profissional, tranformada num quase hipnótico transe, é interrompida. Primeiro, suavemente, um “pic…
pic… pic… pic… pic….”, depois um continuado “fffffffffff”, a que se seguiu um mais intenso “xxxxxxxxxxx”,
culminando no apoteótico “CABUUUUUUM”. Eu sei que estamos a viver a pior seca dos últimos 30 anos,
que o cenário é horrível para os agricultores e que meio Portugal estava bom para fazer um churrasquinho, mas… TINHA QUE CHOVER PRECISAMENTE NO DIA EM QUE RESOLVI LAVAR O
CARRO?

É tradição na minha família lavar a "biatura" nas épocas festivas. Eu só o faço mesmo nessas alturas, de modo que estava num estado, digamos... camuflado. Isso! Camuflado! Por isso resolvi dar-lhe uma banhoca para me recordar da sua cor original e para poder "beijar o senhor" de consciência limpa, à semelhança do meu carro - na verdade, só o fiz porque o maridão ia conduzi-lo e ia passar a viagem toda a moer-me a paciência por causa da falta de brio que eu teimo em nutrir por todos os automóveis que guio.. E acontece-me isto! Eu não digo que sou predestinadinha para o azar? E ainda por cima se fosse chuva a sério... Mas não! É só daquela que me vai por o "beículo" pior do que ele já estava e os nervos todos encarquilhados...
Para compor o ramalhete, ontem gastei meio reservatório municipal de água a reguar as plantas do terraço, a minha santa mãe andou a limpar os vidros TODOS lá de casa e aproveitei para lavar uns cobertores que estão a secar ao ar livre!!!
Grrrrrrrr...
Vou afundar as mágoas em amêndoas.
A propósito, boa Páscoa!
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Fizeram reset à minha Dalila
Tudo começou
há quinze dias, num belo Sábado, com a visita da minha prezada amiga Xana.
Quando lhe abri a porta com o aspirador numa mão e a esfregona na outra,
informei-a que estava na época de saldos e que a bicharada tinha resolvido
mudar a roupagem, de maneira que aqui a escrava exaurida estava prestes a
chegar à betonilha de tanto aspirar, “swiffar” e “esfregonar” pêlos de gato. Conversa
vai, conversa vem, e num instante estava a gabar as minhas feras porque, ainda
que fossem gigantes destruidores de sofás e de cortinas, nunca tinham vomitado
bolas de pêlo. Predestinadinha para o azar como eu sou, não tardou muito até
encontrar uma vomitadela recheada de biscoito em pleno tapete do quarto! E sem
ter tempo para recuperar do choque, fui à cozinha buscar o arsenal de
desinfecção e dei de caras com um líquido esbranquiçado, no meio da sala. Daí a
nada, pequenas poças de bílis reproduziam-se no meu palácio. De modo que lá
andava eu, de nariz no ar e de olho pregado ao chão, em busca de vestígios de
fluídos estomacais e do causador desta tempestade digestiva! E eis que o meu
ouvido detecta um guincho abafado e interrompido por libertações involuntárias
do enfermo. Resolvi dar tempo ao felino para ver se lhe passava a indisposição,
mas sendo que o bichano é a minha sombra lá em casa e notando que fazia tudo
para manter a máxima distância de mim, concluí que algo se passava e que não
seria nada de bom. E foi quando dei com ele a dormir na estante mais alta lá de
casa, na cave escura e fria, que pensei que o pobre animal tinha escolhido ir
morrer longe, e aí fiquei realmente preocupada.
Como a coisa
não estava para melhoras, 2ª feira à hora do almoço lá fui eu, avenida abaixo,
com uma transportadora debaixo do braço (que é como quem diz, a parar de trinta
em trinta segundos para mudar de mão, que o Sansão pesava 5,650 Kg), e entre
“miaus” sofridos lá o levei à doutora a quem ele não bufa - e a quem, mais uma
vez, não bufou, nem com o termómetro metido no dito cujo! Mexe daqui, mexe dali
e o diagnóstico parecia inconclusivo. Mas a panóplia de sintomas revelavam que,
o que quer que fosse, seria o suficiente para o meu querido autista ficar lá
durante o dia. Vómitos, temperatura muito baixa, perda acentuada de peso,
desidratação e falta de apetite para algo que teria surgido há menos de dois
dias, condenavam agora a pobre criatura àquilo que ela mais temia: distância de
casa, proximidade a estranhos, contacto com cães e assistir a este inferno aos
quadradinhos (enjaulado)! Todo ele era caspa e pêlo no ar com o stress, mas lá teve de ficar, não por
umas horas, mas por dois dias.
Controlando-me
para não ligar para lá de hora em hora para saber novidades, lá me fui
aguentando até 3ª Feira ao final do dia, momento em que trouxe o Sansão com meia perna depilada, por causa das “picas”, para o pé da sua irmã espevitada,
amigável, social e.... cujo cérebro fez shut
down durante a sua ausência!
Ao contrário do que seria de esperar, o seu regresso não foi acompanhado de
lambidelas nem “miaus” saudosos, mas sim de “Grrrrrr”, “Fffffffffff” e
“Miiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaauuuuu-se-não-desapareces-da-minha-vista-espeto-te-com-uma-unharra”.
A minha alma estava parva... À semelhança da Dalila! A pobre criatura, autistade genoma, bem que procurava incansavelmente a irmã, mas bastava à outra que se
apercebesse apenas que o irmão estava a olhar para ela, para lhe saltar um
olhar fulminante e mais 10 segundos de palavrões felinos! Já não bastava ao
bicho não comer, nem dar uso ao intestino, como agora estaria condenado a viver
na solidão e no medo.
E então tive que os separar pela primeira vez, em casa – a Dalila ficou do lado da sala e o Sansão ficou do lado dos quartos e das casas de banho. Não sei se pela tristeza, se por outro motivo mais bizarro e inexplicável, nessa noite o intestino do meu rapaz funcionou! Ainda pensei que fosse algum problema de canalização, mas os sinais deixados dentro das duas sanitas não deixaram margem para erros: o autismo do meu gato revelava novas formas de expressão!!!
A parte boa?
Ao mesmo tempo que fizeram reset à
minha Dalila, fizeram uma lavagem cerebral ao meu Sansão (que mais parece ter
trocado de cérebro com a irmã) e agora está mais meigo do que nunca! Todo ele é
mimo e meiguice. Mas gosto deste novo Sansão! A ver vamos se quando lhe passar
o faniquinho à Dalila ele não volta a transformar-se no meu gato autista…
Controlando-me
para não ligar para lá de hora em hora para saber novidades, lá me fui
aguentando até 3ª Feira ao final do dia, momento em que trouxe o Sansão com meia perna depilada, por causa das “picas”, para o pé da sua irmã espevitada,
amigável, social e.... cujo cérebro fez shut
down durante a sua ausência!
Ao contrário do que seria de esperar, o seu regresso não foi acompanhado de
lambidelas nem “miaus” saudosos, mas sim de “Grrrrrr”, “Fffffffffff” e
“Miiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaauuuuu-se-não-desapareces-da-minha-vista-espeto-te-com-uma-unharra”.
A minha alma estava parva... À semelhança da Dalila! A pobre criatura, autistade genoma, bem que procurava incansavelmente a irmã, mas bastava à outra que se
apercebesse apenas que o irmão estava a olhar para ela, para lhe saltar um
olhar fulminante e mais 10 segundos de palavrões felinos! Já não bastava ao
bicho não comer, nem dar uso ao intestino, como agora estaria condenado a viver
na solidão e no medo. E então tive que os separar pela primeira vez, em casa – a Dalila ficou do lado da sala e o Sansão ficou do lado dos quartos e das casas de banho. Não sei se pela tristeza, se por outro motivo mais bizarro e inexplicável, nessa noite o intestino do meu rapaz funcionou! Ainda pensei que fosse algum problema de canalização, mas os sinais deixados dentro das duas sanitas não deixaram margem para erros: o autismo do meu gato revelava novas formas de expressão!!!
Entretanto levei
ambos para a clínica, dado que, a páginas tantas começaram os dois a vomitar, e
começava a parecer aquelas mães desesperadas com gémeos, que pintam as unhas ao
filho doente, porque estão fartas de inserir supositórios e não vêm meio da
febre baixar… Voltaram para casa no mesmo dia, aparentemente bem.
“Aparentemente”,
disse, porque as visitas à doutora não se findaram aqui. Mas finalmente, depois
de 4 dias de internamento, outra série de análises, soro, uma ecografia,
alimentação por sonda, e mais meia perna depilada, fui buscar o meu Sansão definitivamente
(até ver) ! Quando cheguei, a veterinária disse-me que ninguém lhe conseguia
tocar e que até ao meu marido, que o tinha ido visitar na véspera, ele tinha
rejeitado e mostrado a sua fúria. E então eu cheguei, e então eu aproximei-me
dele, e então ele enroscou-se nos meus dedos e no meu pescoço, começando a ronronar… E então o amor de filho é uma coisa muito linda! (É nesta altura que quem não tem gatos costuma ficar
farto desta lamechice e interrompe a leitura, por isso estejam à vontade,
que eu não levo a mal).
Escusado
será dizer que aquele aroma que fazia a Dalila ficar “piradona”, foi
intensificado por esta estadia prolongada ao pé de vários cães, de modo que a
gata ficou absolutamente descontrolada e foi então que a minha casa virou palco
de uma cena de ódio, discórdia e quase sangue, que me levou a separá-los
durante algum tempo. O Sansão ainda estremece se sentir a irmã porque ficou
traumatizado com o mau feitio que a tem assistido desde que regressara, mas não
desiste de a procurar, de estabelecer contacto e de a reconquistar! A cada
tentativa falhada, segue-se um gemido chorado, o que é muito triste, vindo de
um animal que nunca mia (a não ser quando vê fiambre).
E como se
não fosse suficiente, a fera rebelou-se também contra nós. Lembram-se de ter
dito que “a
minha gata virou um pingo de mel que nem virada do avesso, pendurada pelo rabo
ou perseguida durante horas pelos miúdos, é capaz de morder quem a está a
apoquentar”? Esqueçam isso tudo… Estava pior do que quando chegou a minha
casa com 400g de pêlo e osso!!!
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
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