quinta-feira, 5 de abril de 2012

Chuvinha de Molha-Tolos

E depois de 3 meses sem chover, depois de andar a adiar semana, após semana, a lavagem digna numa área de serviço, e depois de deixar 600 pontos do meu querido cartão cor-de-rosa do combustível, eis que a minha concentração profissional, tranformada num quase hipnótico transe, é interrompida. Primeiro, suavemente, um “pic… pic… pic… pic… pic….”, depois um continuado “fffffffffff”,  a que se seguiu um mais intenso “xxxxxxxxxxx”, culminando no apoteótico “CABUUUUUUM”. Eu sei que estamos a viver a pior seca dos últimos 30 anos, que o cenário é horrível para os agricultores e que meio Portugal estava bom para fazer um churrasquinho, mas… TINHA QUE CHOVER PRECISAMENTE NO DIA EM QUE RESOLVI LAVAR O CARRO?

Correcção: A única coisa pior do que chover depois de lavar o carro é chover depois de sair do cabeleireiro, com o cabelo esticadinho com prancha, sem guarda-chuva, para o jantar anual de faculdade!!!


É tradição na minha família lavar a "biatura" nas épocas festivas. Eu só o faço mesmo nessas alturas, de modo que estava num estado, digamos... camuflado. Isso! Camuflado! Por isso resolvi dar-lhe uma banhoca para me recordar da sua cor original e para poder "beijar o senhor" de consciência limpa, à semelhança do meu carro - na verdade, só o fiz porque o maridão ia conduzi-lo e ia passar a viagem toda a moer-me a paciência por causa da falta de brio que eu teimo em nutrir por todos os automóveis que guio.. E acontece-me isto! Eu não digo que sou predestinadinha para o azar? E ainda por cima se fosse chuva a sério... Mas não! É só daquela que me vai por o "beículo" pior do que ele já estava e os nervos todos encarquilhados... 

Para compor o ramalhete, ontem gastei meio reservatório municipal de água a reguar as plantas do terraço, a minha santa mãe andou a limpar os vidros TODOS lá de casa e aproveitei para lavar uns cobertores que estão a secar ao ar livre!!! 

Grrrrrrrr...

Vou afundar as mágoas em amêndoas.

A propósito, boa Páscoa!

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Fizeram reset à minha Dalila

Tudo começou há quinze dias, num belo Sábado, com a visita da minha prezada amiga Xana. Quando lhe abri a porta com o aspirador numa mão e a esfregona na outra, informei-a que estava na época de saldos e que a bicharada tinha resolvido mudar a roupagem, de maneira que aqui a escrava exaurida estava prestes a chegar à betonilha de tanto aspirar, “swiffar” e “esfregonar” pêlos de gato. Conversa vai, conversa vem, e num instante estava gabar as minhas feras porque, ainda que fossem gigantes destruidores de sofás e de cortinas, nunca tinham vomitado bolas de pêlo. Predestinadinha para o azar como eu sou, não tardou muito até encontrar uma vomitadela recheada de biscoito em pleno tapete do quarto! E sem ter tempo para recuperar do choque, fui à cozinha buscar o arsenal de desinfecção e dei de caras com um líquido esbranquiçado, no meio da sala. Daí a nada, pequenas poças de bílis reproduziam-se no meu palácio. De modo que lá andava eu, de nariz no ar e de olho pregado ao chão, em busca de vestígios de fluídos estomacais e do causador desta tempestade digestiva! E eis que o meu ouvido detecta um guincho abafado e interrompido por libertações involuntárias do enfermo. Resolvi dar tempo ao felino para ver se lhe passava a indisposição, mas sendo que o bichano é a minha sombra lá em casa e notando que fazia tudo para manter a máxima distância de mim, concluí que algo se passava e que não seria nada de bom. E foi quando dei com ele a dormir na estante mais alta lá de casa, na cave escura e fria, que pensei que o pobre animal tinha escolhido ir morrer longe, e aí fiquei realmente preocupada.

Como a coisa não estava para melhoras, 2ª feira à hora do almoço lá fui eu, avenida abaixo, com uma transportadora debaixo do braço (que é como quem diz, a parar de trinta em trinta segundos para mudar de mão, que o Sansão pesava 5,650 Kg), e entre “miaus” sofridos lá o levei à doutora a quem ele não bufa - e a quem, mais uma vez, não bufou, nem com o termómetro metido no dito cujo! Mexe daqui, mexe dali e o diagnóstico parecia inconclusivo. Mas a panóplia de sintomas revelavam que, o que quer que fosse, seria o suficiente para o meu querido autista ficar lá durante o dia. Vómitos, temperatura muito baixa, perda acentuada de peso, desidratação e falta de apetite para algo que teria surgido há menos de dois dias, condenavam agora a pobre criatura àquilo que ela mais temia: distância de casa, proximidade a estranhos, contacto com cães e assistir a este inferno aos quadradinhos (enjaulado)! Todo ele era caspa e pêlo no ar com o stress, mas lá teve de ficar, não por umas horas, mas por dois dias. 


Controlando-me para não ligar para lá de hora em hora para saber novidades, lá me fui aguentando até 3ª Feira ao final do dia, momento em que trouxe o Sansão com meia perna depilada, por causa das “picas”, para o pé da sua irmã espevitada, amigável, social e.... cujo cérebro fez shut down durante a sua ausência! Ao contrário do que seria de esperar, o seu regresso não foi acompanhado de lambidelas nem “miaus” saudosos, mas sim de “Grrrrrr”, “Fffffffffff” e “Miiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaauuuuu-se-não-desapareces-da-minha-vista-espeto-te-com-uma-unharra”. A minha alma estava parva... À semelhança da Dalila! A pobre criatura, autistade genoma, bem que procurava incansavelmente a irmã, mas bastava à outra que se apercebesse apenas que o irmão estava a olhar para ela, para lhe saltar um olhar fulminante e mais 10 segundos de palavrões felinos! Já não bastava ao bicho não comer, nem dar uso ao intestino, como agora estaria condenado a viver na solidão e no medo. 


E então tive que os separar pela primeira vez, em casa – a Dalila ficou do lado da sala e o Sansão ficou do lado dos quartos e das casas de banho. Não sei se pela tristeza, se por outro motivo mais bizarro e inexplicável, nessa noite o intestino do meu rapaz funcionou! Ainda pensei que fosse algum problema de canalização, mas os sinais deixados dentro das duas sanitas não deixaram margem para erros: o autismo do meu gato revelava novas formas de expressão!!!

Entretanto levei ambos para a clínica, dado que, a páginas tantas começaram os dois a vomitar, e começava a parecer aquelas mães desesperadas com gémeos, que pintam as unhas ao filho doente, porque estão fartas de inserir supositórios e não vêm meio da febre baixar… Voltaram para casa no mesmo dia, aparentemente bem.

“Aparentemente”, disse, porque as visitas à doutora não se findaram aqui. Mas finalmente, depois de 4 dias de internamento, outra série de análises, soro, uma ecografia, alimentação por sonda, e mais meia perna depilada, fui buscar o meu Sansão definitivamente (até ver) ! Quando cheguei, a veterinária disse-me que ninguém lhe conseguia tocar e que até ao meu marido, que o tinha ido visitar na véspera, ele tinha rejeitado e mostrado a sua fúria. E então eu cheguei, e então eu aproximei-me dele, e então ele enroscou-se nos meus dedos e no meu pescoço, começando a ronronar… E então o amor de filho é uma coisa muito linda! (É nesta altura que quem não tem gatos costuma ficar farto desta lamechice e interrompe a leitura, por isso estejam à vontade, que eu não levo a mal).

Escusado será dizer que aquele aroma que fazia a Dalila ficar “piradona”, foi intensificado por esta estadia prolongada ao pé de vários cães, de modo que a gata ficou absolutamente descontrolada e foi então que a minha casa virou palco de uma cena de ódio, discórdia e quase sangue, que me levou a separá-los durante algum tempo. O Sansão ainda estremece se sentir a irmã porque ficou traumatizado com o mau feitio que a tem assistido desde que regressara, mas não desiste de a procurar, de estabelecer contacto e de a reconquistar! A cada tentativa falhada, segue-se um gemido chorado, o que é muito triste, vindo de um animal que nunca mia (a não ser quando vê fiambre).

E como se não fosse suficiente, a fera rebelou-se também contra nós. Lembram-se de ter dito que “a minha gata virou um pingo de mel que nem virada do avesso, pendurada pelo rabo ou perseguida durante horas pelos miúdos, é capaz de morder quem a está a apoquentar”? Esqueçam isso tudo… Estava pior do que quando chegou a minha casa com 400g de pêlo e osso!!!


A parte boa? Ao mesmo tempo que fizeram reset à minha Dalila, fizeram uma lavagem cerebral ao meu Sansão (que mais parece ter trocado de cérebro com a irmã) e agora está mais meigo do que nunca! Todo ele é mimo e meiguice. Mas gosto deste novo Sansão! A ver vamos se quando lhe passar o faniquinho à Dalila ele não volta a transformar-se no meu gato autista


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O drama do Senhor Valentim

O dia 14 de Fevereiro sempre foi um grande drama para mim – talvez equiparado ao drama da ponte – e nunca percebi bem a sua lógica, nem antes, nem depois de ter namorado…

Reza a história que este dia surgiu em homenagem a um corajoso bispo, de seu nome Valentim, que morreu em nome do amor. Mas isto é apenas a versão romântica da coisa, que de romântica teve muito pouco. Para começar, o senhor vivia numa época medonha onde o imperador achou que bom, bom, era acabar com os casórios porque assim o pessoal deixava de estar “concentradíssimo” com as “sócias” e ia para a guerra sem fazer figura de urso! Posto isto, o bispo obstinado desatou a casar toda a gente, porque não se compadecia com as ordens desse tal de Cláudio II, e em consequência deste acto leviano passou a ver o sol aos quadradinhos até que fosse executado pela sua infâmia. Não satisfeito, o clérigo decidiu que havia de chocar ainda mais as mentalidades pequeninas daquelas gentes e foi então que se apaixonou pela filha pitosga do carcereiro. Mas foi-se a ver e afinal ela já não era cega coisa nenhuma, porque mal o Valentim bateu a bota a finória leu o bilhetinho de despedida que ele lhe deixou onde assinou “Seu Valentim” – milagre, dizia a exibicionista… E já não bastava o pobre coitado estar preso e enfeitiçado por uma lambisgóia pseudo-míope, para morrer justamente no dia 14 de Fevereiro que é o dia dos namorados!!! ;) É preciso ter mesmo azar… J Por isso, e assim logo para começar, este é um dos motivos pelo qual não gosto deste dia!

Quando era miúda também não era nada fã desta data, principalmente porque não tinha namorado. E depois, quando recebia algum cartão, ou era anónimo, ou era de alguém com quem não queria qualquer tipo de identificação (os miúdos são tão cruéis…) ou, vinha-se a saber, era da minha melhor amiga Helena, escritora de essência, que queria que acreditasse no amor e no Dia de S. Valentim (mas que eu percebia logo que era impossível ser escrita por um miúdo de doze anos, dada a sensibilidade do seu conteúdo e o grande número de palavras com mais de duas sílabas).
No tempo dos quatro canais era desesperante ligar a televisão durante quinze minutos de novela brasileira de amores impossíveis, a que se seguiam trinta de anúncios publicitários intermináveis de perfumes, chocolates, trilhas sonoras do Kenny G e da Celine Dion, relógios alusivos e outros que tal, que tornavam (e continuam a tornar) este dia em mais um evento comercial alimentado por imagens hipnoticamente apelativas e pelo apetite consumista desenfreado das pessoas.

Mas o que era realmente insuportável naquela altura era ser obrigada a assistir a todos aqueles rituais de acasalamento “estúpidos” e “desnecessários” dos namorados no dia 14 de Fevereiro, que deixavam o meu emancipado feminismo pós-moderno em estado de depressão profunda: beijos ao estilo Casablanca, dados por miúdos que tinham acabado de deixar a chupeta, mas que adoravam exibir estes talentos lá na preparatória; namorados que não desgrudavam, nem com o autocarro em andamento e a fechar as portas; intermináveis “não, desliga tu, meu docinho de morango com chantilly de natas frescas, que ontem desliguei eu”; ouvidos em todas as cabines telefónicas. Depois saía da escola e ia à florista que havia lá ao pé, e que vendia de tudo um pouco, completamente cheia de homens tresloucados, impedindo-me de adquirir as gomas e os chocolates que afogavam as minhas mágoas. E lá ia eu para o autocarro, a caminho de casa, entalada por casalinhos que achavam que o melhor sítio para demonstrar o seu amor era num autocarro a abarrotar de gente, de barulho, de movimento e… de frustração! É no que dá estar-se na puberdade e só bater as pestanas a rapazes com pelo na cara!!!



Finalmente os namorados vieram, mas a verdade é que não guardei grandes registos destas festividades com um efectivo a dar-me tudo aquilo que negava querer, mas com que tão secretamente sonhava nesta altura! E foi então que encontrei o amor da minha vida e as coisas prometiam mudar. Fiel à minha renúncia ao consumismo que vestia a época, sempre procurei dar presentes originais, personalizados e carregados de simbolismo, mas ao fim de uns anos, a imaginação começou a faltar… e o drama a recomeçar! Além disso havia o famigerado jantar do dia dos namorados que duplicava este drama! Desde degustar uma refeição gourmet à velocidade da luz (porque no dia seguinte era necessário fazer um exame e passar), a jantar uma fatia de pizza, dentro do carro, debaixo da ponte D. Luíz (dado o trânsito que se tinha instalado nesse Sábado à noite na cidade e os bilhetes para o cinema serem para horas decentes), até andar durante 2h à procura de um restaurante porque nos esquecemos de reservar, aconteceu sempre alguma coisa que manchou este dia. Para contrariarmos a tendência, achámos por bem começar a comemorar na véspera, já que o dia 13 é também um dia de importantes festejos lá em casa. Mas ao que parece a ideia não foi assim tão original, e até neste dia chegamos a ter alguma dificuldade em jantar condignamente, com uma distância dos outros clientes suficiente para que não soubessem o quão bonitos são os meus olhos, ou o quanto mudou a vida da minha metade boa desde que me conheceu!

Assim sendo, passamos a jantar em casa, a caprichar no repasto, no silêncio e no isolamento, sem prendas, sem confusões e sem stresses!

Diz o maridão que um dia teremos gémeos, que serão dois rapazes e que um deles se há-de chamar Valentim, porque é um nome bonito, cheio de significado e porque é uma homenagem ao meu avô. Mas estou a ver se o demovo porque basta de homenagens - foi por causa de uma a um tal de Valentim que todo este drama começou…



Atualização 14/02/2017

Um ano e meio depois, a homenagem efetivamente concretizou-se! Apesar de ter travado uma árdua luta interior para que o meu filho não se chamasse Valentim, a verdade é que parecia que não gostava de mais nenhum e lá tive que dar a mão à palmatória.... Pelo menos ele não corre o risco de ser confundido com ninguém, como os Santiagos, os Rodrigos e os Joões, e, no dia dos namorados, as miúdas não vão passar por grandes "dramas" em oferecer ao "senhor Valentim" presentes personalizados!!!


 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O peso da desgraça

Há um ano atrás escrevi aqui uma série de resoluções que tinha intenção de ver cumpridas durante o ano de 2011, sendo que uma delas era emagrecer uns quilinhos. A coisa até nem correu muito mal e perdi mais do dobro do peso a que me tinha proposto, em cerca de 4 meses. E se grande parte da minha roupa não me servia antes por estar apertada, a verdade é que depois também não, a menos que quisesse trazer alguém comigo lá dentro. É que desapareceu tudo: os pneuzinhos (de camião) e a casca de laranja, mas também outras "proeminências" mais... significativas!

Mas foram uns meses muito lindos que se seguiram: já conseguia respirar normalmente dentro das calças de ganga, sem ficar azul; não tinha que inspirar bem fundo para esconder a barriga sempre que passava por um “jeitoso” ou por uma miúda do liceu; quando ia correr não sentia o coração nos ouvidos, nem as mamocas a bater no queixo; podia usar t-shirts justas sem prejuízo de imitar o famoso cão Sharpei; e tinha umas análises ao sangue dignas de serem emolduradas e afixadas na entrada da Junta de Freguesia, ao lado dos Editais! Tempos felizes esses em que conseguia ir ao supermercado sem sair de lá com um pacote de batatas fritas (que já chegavam a meio a casa) ou sem uma embalagem de donuts (que se sobrasse algum podia dar azar). 

De maneira que me senti muito orgulhosa por ter alcançado este feito. E sabem qual foi o segredo? Não foram os litros de sopa, nem os quilos de maçã cozida que substituiram as toneladas de massa, de arroz e de carnes vermelhas. Não foram as horas no ginásio a correr, nem sei bem atrás de quem, em vez de estar no sofá a ver as minhas maravilhosas séries. Também não teve nada a ver com as 7 refeições diárias obrigatórias, que fez com que a minha vida passasse a ser gerida pelo toque dos alarmes do telemóvel (no final já parecia o cão de Pavlov). A chave do sucesso foi beber água como se não houvesse amanhã, o que me fazia passar o dia a correr para a casa de banho. E quando ela está na ponta oposta, do piso de cima, do sítio onde se trabalha, uma pessoa costuma perder uns quilos valentes nessas viagens mais que frequentes! 

E, ao contrário do que pensava, ainda me consegui manter assim durante uns meses. Mas, já se sabe, o Inverno aproxima-se e a formiguinha tem que se preparar. E nada melhor do que uns bons centímetros de camada “odiosa” para fazer frente a este frio que se hospedou este Inverno na minha casa, primeiro escondidos com os casacos, depois com os cachecóis, e agora com o edredão vestido (o frio e a gordura)! De maneira que, ultrapassado que foi o valor limite de peso que me impus para fazer alguma coisa, aqui estou eu, uma vez mais, a comprometer-me publicamente em mudar esta situação.

Há já algum tempo que meio mundo me andava a chatear para mudar para um determinado ginásio porque, ao contrário do que acontecia no que frequentava, nunca iria sozinha. E foi então que pensei. E se, em vez que gastar quase 60€ por mês num ginásio de luxo no qual não ponho lá os pés desde o Verão, mudasse para um que me fica a metade do preço, mesmo que também lá não vá? Assim, a (não) prática desportiva sempre me ficava mais em conta! E assim foi. Mudei-me de malas e bagagens para esse, que sempre me sobrava algum dinheirinho para gastar em eclairs e croissants! Claro que lá voltei eu ao meu drama da ponte que, se bem se lembram, foi um dos motivos que me fez mudar para o anterior ginásio... Mas isso agora não interessa nada!


Que categoria!!! No primeiro dia saí de lá logo com a avaliação física marcada para a visita seguinte, que este é um ginásio muito digno onde as pessoas não ficam à espera de serem magras para lhes fazerem um programa de treino. Depois do relambório de perguntas que mais parecia o de um seguro de saúde para uma pessoa com 60 anos, seguiram-se as quinhentas medições. Ele foi medição dos índices de massa, das tensões, da flexibilidade, de 500 perímetros dos meu corpo, das pregas (ai meu Deus, as pregas!), ... A fita métrica varreu de tal forma o meu corpo que, a páginas tantas, até lhe perguntei se ia demorar muito até fazer a primeira prova do vestido de gala! Mas fiquei muito satisfeita. Sim, senhor! Isto é que é serviço de qualidade. Só não gostei tanto quando vi a conta a pagar, ou seja, os dois pares de quilos que tenho que eliminar e o respectivo plano de treinos!

Ainda assim, a coisa correu melhor do que esperava e saí de lá com uma motivação de tal ordem que fui literalmente a correr para a passadeira, onde estive durante 40 minutos (30 dos quais em corrida). 30 MINUTOS, meus senhores! Para uma velha enferrujada que ultimamente só fazia pilates e outras modalidade onde não se transpira nada, a não ser preguiça, isto foi o acontecimento do ano!

A ver vamos durante quanto tempo vai durar esta motivação exlosiva, porque a experiência diz-me que será só durante as primeiras... 2 visitas ao ginásio!!! 



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sansão - o gato autista

“Autismo - au.tis.mo masculino - transtorno invasivo do desenvolvimento que compromete as interacções sociais, comunicação e a variedade comportamental do portador.”

Finalmente encontrei a justificação para a conduta do meu gato. Anteriormente designado por “Sansão, o Morcão”, cedo começou a revelar uma sintomatologia coerente e reveladora da malfadada maleita que o impede de acompanhar, literalmente, as pegadas da sua irmã e ser um gato de apartamento feliz, descontraído e sociável. Dalila, a irrepreensível anfitriã que acolhe toda e qualquer visita na sua mansão com pulos enérgicos (e um pouco descontrolados) de modo a receber mimos que cubram a maior parte da sua área corporal, é o animal perfeito para se ter em casa, se exceptuarmos os ataques compulsivos de comichão nas patas, aliviadas sempre pelos meus sofás e cadeiras, já sem pele e com a espuma à vista. Mas nem o contacto com ela, nem o nome com que o baptizámos, fizeram com que a personalidade do coitadito mudasse.

Sansão e Dalila com 1 mês
Acolhi-os com apenas um mês de vida e com menos de vinte centímetros de comprimento – aos gatos e aos respectivos maus feitios que traziam atrelados. Os primeiros dias foram infernais: só lhes conseguia tocar com luvas de cozinha calçadas, sob pena de transformarem as minhas mãos em desperdício de oficina automóvel; miavam a toda a hora; não queriam comer comida saudável (ração); e eram uns minúsculos seres, com meia dúzia de pêlos no ar, feiinhos que até metiam dó! Mas o tempo foi correndo e passados uns dias começaram a vir ter connosco, primeiro a Dalila, o felino alfa, e a seguir o desconfiado Sansão. Algumas semanas depois e eram animais pseudodomésticos que se sentavam ao nosso lado (não no nosso colo, atenção), permitiam que lhes fizéssemos umas carícias, desde que durassem breves segundos e não passassem abaixo da linha do pescoço, e recebiam-nos quando chegávamos a casa, reclamando algum tempo de qualidade. Passaram-se, entretanto, dois anos e a minha gata virou um pingo de mel que nem virada do avesso, pendurada pelo rabo ou perseguida durante horas pelos miúdos, é capaz de morder quem a está a apoquentar. E do outro lado da moeda, heis que aparece “Sansón, El Cagón”, que se esconde atrás da caixa de sapatos que está debaixo de um sofá no quartinho do Ninguém, sempre que ligo o aspirador, a varinha mágica ou dou um espirro.

O felino é o verdadeiro fenómeno. Senão vejamos. De acordo com a Associação Americana de Autismo, os sintomas de autismo incluem:

1. Distúrbios no ritmo de aparecimentos de habilidades físicas, sociais e linguísticas.

Confirma-se. Já lá vão dois anos e tal, o que na idade dos gatos significa… 7x2=14… +7/12x(Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro, Janeiro)… Bem, mais do que a idade do armário, pelo que as desculpas de uma puberdade retardada não se adequam a este contexto, e no que diz respeito a este exemplar, as suas habilidades sociais são iguais às de uma pedra.

Quanto às “habilidade físicas”, há uma em particular que me apraz bastante: quando vê um desconhecido em casa (que, basicamente, é todo o ser humano que não eu ou o maridão, mesmo que já lá tenha estado quinhentas vezes) petrifica. É capaz de ficar horas a fio na mesma posição (às vezes dois ou três dias se a estadia das visitas se prolongar) e, se tentar pegar nele, faço-o com uma enorme dificuldade porque parece que pesa o dobro do normal. Não come, não dorme e às vezes parece que desliga o cérebro.

No que diz respeito às suas habilidades linguísticas, falarei mais à frente.

2. Reacções anormais às sensações. As funções ou áreas mais afectadas são: visão, audição, tacto, dor, equilíbrio, olfacto, gustação e maneira de manter o corpo.

Confirma-se também na generalidade. Momentos houve em que pensamos mesmo que era primo do Stevie Wonder, porque é preto e não enxergava alguns obstáculos. Mas parece-nos que com o tempo sofreu significativas melhorias no campo visual (isso ou foi decorando os caminhos de modo a conseguir desviar-se a tempo).

Parece-me também que tem uma audição sã apenas para alguns comprimentos de onda porque, quando quero sair de casa e o chamo para não ficar nos quartos, não me aparece, mas, se logo a seguir fizer barulho com a porta do frigorífico ou com a embalagem do fiambre, surge numa correria, mesmo que esteja na ponta oposta da casa e que a televisão esteja no volume máximo.

Os meus gatos (e aqui também tenho de falar na Dalila) têm um paladar muito selectivo e estranho até: ou sabem ler e têm a mania das marcas, ou então são realmente críticos em relação às rações do supermercado: linhas brancas, “jamé”; Friskies, nem constipados; Wiskas só misturados com a ração que mais gostam; Purina, vão comendo, mas ao início retorcem os bigodes; mas a Royal Canin chamam-lhe um figo! Para quem não sabe, apresentei as marcas por ordem crescente de preço, só para terem uma ideia da “chiqueza” da bicharada. Só não são esquisitos na hora de rapinarem a nossa comida (mas, ainda assim, em algumas ocasiões encontrei umas espinhas no tapete, por não as conseguirem aguentar no estômago). Já agora, agradeço muito este "exquisite taste" que permite que a minha casa não tenha uma única mosca ou mosquito!

E se quiser falar na postura, meus amigos, nem vos conto! Sempre que alguém entra em nossa casa e se aproxima da área onde ele está, imediatamente encolhe as patas e transforma-se naquilo que será a variante Basset-Hound (cão salsicha) para gatos, arrastando-se nessa posição durante vários metros até ao quartinho já mencionado…

3. Fala e linguagem ausentes ou atrasadas.

Check. Quanto à fala e linguagem do Sansão pouco posso dizer porque são praticamente inexistentes, a não ser quando vê uma fatia de um qualquer enchido ou uma posta de bacalhau - o que tem a menos no cérebro tem a mais no olfacto. Aí solta um miau grave e desafinado, imitando um rapaz adolescente quando começa a mudar a voz, revelando a falta de uso do instrumento... vocal. :) Tendo em conta que os gatos têm o dobro das nossas cordas vocais só posso dizer “Deus dá nozes a quem não tem dentes”…

4. Relacionamento anormal com os objectos, eventos e pessoas.

Adequa-se totalmente. O meu gato é um ser realmente estranho. Lembram-se de ter falado na luva que calçava para lhes tocar quando tinham apenas um mês de vida e que utilizei apenas durante alguns dias? Pois muito bem! Ainda hoje não me posso aproximar do meu gato com ela na mão sem que ele vire as orelhas para trás, encolha as patas e vire pedra, ou desate a fugir.

Esta relação de ódio contemplativo aplica-se na mesma escala às pessoas que em algum momento lhe puxaram o rabo ou o calcaram, ainda que sem essa intenção: basta ao meu sogro tocar à campainha que ele imediatamente desaparece, ainda antes de lhe abrir a porta, sendo apenas vislumbrado um bom par de horas depois de se ter ido embora.

Mas a excelência do seu autismo revela-se nesta situação particular. Se é violada a distância que, para o Sansão, lhe reserva a devida segurança, não hesita em mostrar os seus proeminentes caninos de dois centímetros super afiados, um "pffffffffffffffffff" ameaçador seguidos de, caso a futura vítima não recue, uma exibição das suas unhas.

Ora, perante este comportamento, vou para o veterinário com ele sempre cheia de receio do espectáculo que sua excelência possa vir a dar. Todavia, não sei se por estar longe do seu território, se por ter sido submetido a um olhar hipnótico que a nova doutora lhe lançou, desta vez portou-se lindamente – ainda melhor do que a irmã.

A única vantagem deste comportamento atípico para um gato é na hora de comprar brinquedos. Existem uns ratinhos à venda presos por um elástico a uma vareta, para que possamos brincar com eles. A nós, basta-nos comprar um, porque enquanto que a Dalila brinca com o rato, o Sansão não descansa enquanto não alcança o seu alvo: o fio! Fica possuído a ver o fio no ar, e entre saltos (o que não é fácil para o gato de quase 6 quilogramas) e patadas, só pára quando vê o fio no chão, momento em que considera a vítima como abatida.

---

Tirando isso, adoro o meu gato. É o gato mais lindo do mundo e segue-me para todo o lado que vá (dentro de casa, claro, que ele não arrisca pôr a sua linda patinha preta fora da soleira da porta, não vá dar-lhe um ataquinho se sentir uma rajada de vento). Percebe quando estou mais em baixo e enrosca-se no meu colo sempre que preciso de força. Neste preciso momento está deitado a ronronar entre o meu colo e o computador, hábito frequente sempre que estou nestas lides das palavras, como se estivesse a ler tudo aquilo que escrevo. E uma coisa é certa: é o fã nº 1 deste blog!!!


Nota Final: Após escrever estes textos, normalmente vou à grande rede procurar umas imagens que ilustrem o conteúdo das minhas frases. Desta vez descobri que existe um estudo que compara o comportamento dos gatos com o dos portadores do Síndrome de Asperger. Fica aqui um vídeo que resume o livro de Kathy Hoopmann:



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

3... 2... 1... 12!!!!

Todos os anos a praxe é a mesma. Uma panóplia de superstições para trazer a prosperidade é cumprida religiosamente no dia 1 de Janeiro. E como a crise não está para grandes brincadeiras, até mesmo os mais cépticos as seguem porque, já se sabe, “Eu não acredito em bruxas, mas que as há, há…”.

Vai entrar 2012, de modo que ficam aqui os 12 conselhos a seguir durante e após as 12 badaladas, garantindo assim o máximo êxito dos 12 meses que se avizinham!


1.      Fazer (muito) barulho
Um dos rituais consiste em acordar quem está a dormir nos antípodas com a “panelagem” toda a fazer barulho, muito barulho! Assim, se se quer um ano muito venturoso um dos segredos será sacar dos testos e das panelas até as furar com tanta pancada. No meu caso, como tinha caçadores na família, após a meia-noite seguiam-se minutos de absoluto terror para mim com o meu tio a dar tiros para o ar nas traseiras da casa, fazendo lembrar clãs muçulmanos no dia do casamento da filha de 12 anos.


2.       Usar roupa interior nova e colorida
Fruto de uma crença que vem, não se sabe bem de onde, acreditamos com todas as nossas forcinhas que o destino que o ano vindouro nos oferece é directamente proporcional à cor da roupa interior que envergamos na noite e no dia da transição. Tradicionalmente, em Portugal, as lojas escoam todo o stock da bela da cueca azul por alturas do final do ano. Mas aqui há uns anos introduzi uma adaptação a este ritual. Era dia 31 e estava em Espanha, mais propriamente numa loja asiática, desesperada por encontrar um exemplar azul, quando o empregado mostrou todo o seu contido espanto, típico dos povos daquela geografia, no momento em que 10 portugueses lhe perguntaram por cuecas azuis. Ao que parece, os “nuestros hermanos” usam roupa interior nova, sim, mas encarnada na “nochevieja”. E nós não nos ficamos por menos: levamos umas vermelhas (para usar na noite) e umas azuis (para usar no dia), na esperança de duplicarmos a nossa sorte. E como o senhor não estava preparado para esta demanda cromática, houve quem, do sexo masculino, tivesse que levar, ao invés do boxer, o fio dental vermelhusco!


3.       Tomar um banho gelado
Quanto a este costume só posso agradecer ao Jesus e dizer bem alto: “Deus conserve intacto o meu bom senso!”. Por muita coragem e sorte que precisemos para encarar as medidas de austeridade com que, quase diariamente, o nosso governo nos presenteia, não correm nestas veias quentes bravura suficiente para mergulhar a falta de fé nas águas gélidas do nosso oceano. Mas para quem a tiver, ou estiver muito desesperado, ou ainda para quem não encontrou melhor forma de curar a ressaca da noite anterior antes do cabritinho assado em casa dos pais, deixo aqui os meus mais sinceros e orgulhosos parabéns!


4.       Usar lençóis novos
Sinónimo de ponto de viragem na vida (não de 360º, espero eu), comprar uns lençóis novos pode ser uma boa estratégia! Também pode ser um bom pretexto para alguns que, pela primeira vez em 12 anos de casamento, podem escolher a sua própria roupa de cama - que, até à data, foi sempre comprada por sogras e por tias afastadas por alturas de Natal e aniversário, com incontornavelmente diferentes pontos de vista sobre rendas, estopas e cornucópias.


5.       Deitar fora objectos velhos
E porque não pegar nos lençóis antigos, nas roupas que usávamos quando tínhamos 20 anos (e que nunca mais nos vai servir, nem que cumpramos com o máximo afinco este protocolo de 12 regras), e nos extractos bancários de há 10 anos atrás (que não trazem outra coisa que não seja sofrimento) e não fazemos uma grande fogueira? Pelo menos poupamos no aquecimento… Já estamos a ganhar qualquer coisinha, não vos parece?


6.       Vestir roupa de cor
O branco simboliza a paz e o equilíbrio, que são duas coisas que fazem falta a muito boa gente que conheço. Mas as cores não ficam por aqui. Quem procura amor verdadeiro deverá vestir cor-de-rosa e se se procura uma paixão ardente, a opção recairá sobre o vermelho. O amarelo está relacionado com a riqueza em bens materiais, o verde com a saúde e o azul com a limpeza (daí a cueca azul, porque os portugueses são muito limpinhos). Eu cá vou usar preto, que para mim é sinónimo de esconder o pneumático indesejado – e que bem que este talismã funciona!


7.       Mezinhas, simpatias e afins
Se fizerem uma pesquisa na net por “rituais de ano novo” num instante têm ao alcance dos vossos olhinhos um sem fim de “simpatias” que prometem amor, dinheiro, sucesso e cura para a unha encravada. Algumas envolvem a queima de substâncias naturais em casa, acompanhadas de frases proferidas em voz muito alta e de danças pouco convencionais, pelo que será recomendável avisar os vizinhos ou esperar que estes saiam de casa, não comprometendo, assim, a ideia que eles têm da nossa saúde mental.


8.       Fazer um brinde
Não se trata de beber para esquecer, nada disso, nem quero que, com estas minhas palavras, alguém fique em casa no dia 2 de Janeiro por extrema desidratação provocada por excesso de álcool. Há que brindar ao novo ano que aí vem que em tudo será grande: brindar ao incremento da taxa de desemprego, brindar ao aumento do número de horas de trabalho e brindar ao acréscimo do IVA nos produtos transformados e na restauração.


9.       “Subir para cima” de uma cadeira
Sim, meus caros, este pleonasmo foi intencional. Na hora de chamar a sorte para jogar na nossa equipa, nenhum exagero é excessivo. Certifiquem-se apenas de que o teor alcoólico não se incompatibiliza com esta peça de mobiliário (atenção aos exageros do ponto anterior), evitando assim passar as primeiras horas do ano numa sala de espera das urgências. Se bem executado, este gesto trará melhorias significativas na nossa qualidade de vida, sobretudo se não tivermos nenhuma perna engessada.


10.   Entrar no ano novo com o pé direito
À semelhança da rotina anterior, entrar com o pé direito no novo ano pode significar prosperidade. Para evitar confusões, recomenda-se distinguir o pé direito com algum artefacto. Mas, atenção, que este objecto seja discreto e pouco volumoso, não vá o diabo tecê-las e provocar a queda durante o ritual descrito no ponto anterior. Nota: resultados não comprovados em canhotos e disléxicos.


11.   Ter dinheiro na mão
Eu sei que para muitos pode ser difícil, nesta altura, chegar ao último dia do mês e do ano e ainda ter notas no bolso. Mas descansem! Fiz uma pesquisa e segundo o que consegui averiguar, o ritual pode ser substituído por atirar umas moedas ao ar no momento da passagem do ano – e agora  todas as três pessoas que lêem este blogue se dirigem rapidamente ao espelho de água do shopping mais próximo para ver se encontram alguma!


12.   Comer 12 passas e fazer os 12 desejos
E porque o mote é o número 12, remato com o mais popular de todos os rituais: comer as 12 passas ao som das 12 badaladas, ao mesmo tempo que se pedem os 12 desejos. Gostaria que no meu caso a coisa fosse um pouco mais simples, mas, infelizmente, é tipo remédio para a tosse! Para começar detesto passas, pelo que não as mastigo. Engulo-as de uma só assentada para minimizar o sofrimento e, para que o faça rapidamente, bebo uma golada do tradicional espumante, igualmente intragável para mim, mas que me permite não ficar com aquela papa na boca, prestes a provocar movimentos expulsivos de suco gástrico. E depois vem o pé direito, e subir para a cadeira e atirar as moedinhas ao ar… Irra!!! Com esta titânica empreitada não sobra grande tempo para os 12 desejos que, normalmente, se reduzem a um “que este ano seja ainda melhor que o anterior” e a ”muita saudinha”: no meio de tanta repulsa e de tanto nervo lá ficam perdidos os objectivos bem definidos que andei a estudar nos dias anteriores (porque, para que as coisas aconteçam, temos que saber exactamente o que queremos). Desta feita, parece que este ano não vou ficar magra, nem ser aumentada, nem correr a meia maratona e muito menos tocar piano decentemente. Houve uma vez que pedi à minha mãe para me comprar uvas de mesa para não começar o ano logo agoniada, mas só havia daquelas com os bagos gigantescos (cujo termo mais vernáculo não pode ser referido em horário nobre), de maneira que à terceira uva que meti na boca deixei de conseguir mastigar, engasguei-me com o sumo e passada meia hora ainda estava a tirar grainhas da boca… Resultado: tanta azáfama, tanto preparativo e tanto sacrifício e... esqueci-me de pedir os desejos!


Bem caríssimos, com estas 12 me vou, senão ainda corro o risco de não conseguir fazer nenhuma. Para o ano há mais, espero eu, pelo que, se for abençoada por um momento de iluminação e articulação, reservarei um desejo para conseguir escrever mais e melhor em 2012!!!

UM BOM ANO!!!


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Caminhada de Fé

Caríssimos,

O tempo para me dedicar dignamente a este espaço tem sido, efectivamente, pouco. Mas o verdadeiro motivo pelo qual não tenho escrito tem que ver com o facto de me ter estado a dedicar a outra causa.

Em Setembro passado fiz uma caminhada de fé e, para que as recordações não se perdessem no tempo, quis imortalizá-las e partilhá-las com outras pessoas que pensem seguir as nossas pegadas - e são, seguramente, muito mais do que imaginámos! Depois de termos ido a Fátima a pé e de termos falado com amigos e conhecidos sobre essa experiência, fomos surpreendidos por um enorme número de pessoas que já foram ou querem fazer o mesmo, quer o motivo seja a fé, o crescimento pessoal, a introspecção ou simplesmente o desafio de vencer obstáculos e atingir metas.

Por tudo isto, caso conheçam alguém que esteja interessado em fazer esta ou outra peregrinação, não hesitem em enviar-lhe o endereço deste blogue que será, indubitavelmente, uma grande ajuda!

caminhadafe.blogspot.com


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Casa dos Degredos

No seguimento do que falei na última publicação que aqui deixei, resolvi começar a divagar precisamente sobre um tema que não conheço, só para que os meus caríssimos reconheçam a minha polivalência!!! ;) E aqui vai ele, todo lançado, o assunto sobre o qual apresento uma despojada dificuldade em falar, uma matéria na qual sou uma completa leiga (e com algum orgulho). A verdade é que é tema de café, de elevador e de conversas telefónicas de administrativas, interrompidas sempre subitamente pela chegada do patrão. A sucessão de acontecimentos é ouvida no autocarro, no metro, no avião, na sala de espera do consultório médico e na fila dos correios. As novidades são partilhadas pelas vizinhas que se encontram nas varandas contíguas, quando estão a estender a roupa, e pelos colegas de equipa enquanto fazem o aquecimento para o encontro semanal da “peladinha”. Como se pode ver, é um assunto tão transversal a todos os contextos e a todos os níveis sociais, que me sinto uma perfeita extraterrestre por não ser capaz de mostrar qualquer tipo de entusiasmo e por não ter a capacidade de dar continuidade a uma conversa, por ausência de conhecimento da causa.

Para os mais distraídos como eu que ainda não tenham percebido, estou a falar da “Casa dos Segredos”. E para evitar que me peçam para falar sobre o assunto, vou já descarregar todo o conhecimento que tenho sobre a causa.

  • Sei que é mais um reality show que é apresentado na nossa televisão em horário nobre e que, por isso, passa a ser integrado no sistema de informação de todas as nossas criancinhas! E que frutífero que é estes pequenos humanos saberem que o mediatismo que uma figura pode ter é directamente proporcional não ao seu valor social, intelectual ou profissional, mas sim à capacidade (em litros) que as suas mamas ou glúteos aguentam! “Mas isso agora, não interessa nada!” – expressão repetida ao expoente pela apresentadora e satirizada num programa da concorrência que critica, de forma tão caustica e divertida, este programa de (des)entertenimento.          


    • Sei que já venho tarde, porque não é a primeira edição do programa e esta já deve estar a meio, mas ainda assim faz-me uma comichão terrível que se crie um programa que não tenha assunto nenhum. Basicamente, gira em torno de uma ou duas mãos cheias de homens e mulheres que não fazem absolutamente nada. Passam o dia a arrastar, de um sofá para o outro, os seus corpos plásticos e as suas mentes vagarosas, a posar para as câmaras e em estranhos rituais de acasalamento. A sério que não consigo compreender isto - mais depressa entendo um jogo em que 20 homens, que andam 90 minutos a correr atrás de uma bola, assim que a alcançam, ficam imbuídos de um espírito do além e, apesar de todo o esforço para a agarrar, atiram-na para outro lado qualquer.

    • Sei também que os concorrentes são escolhidos a dedo, ou seja, escolheram os porteiros de discotecas mais "inchados", as strippers mais "inchadas" também, as portadoras em estado terminal do síndrome de culturodificiência adquirido e as autoras do programa “Em Mau Português”.
    - “Estou ilusionada.” 
    - “Mas o que é que quer dizer ilusionada?” 
    - “Quer dizer que tenho um aleijamento. 

    • Apesar de terem namorados e amigas coloridas cá fora, andam todos enroladinhos uns com os outros porque estão carentes (de juízo, só pode ser), está um frio tremendo lá dentro (dada a carência, também, de roupa que envergam) e tudo o que fazem é apenas a pensar no jogo. Que é como quem diz, é estratégia, pura e simplesmente, para ganhar o dinheirito: "é tudo por ti, 'mor"! ;) 

      • Do pouco que vi, deu para perceber onde os criadores deste programa foram buscar a inspiração. À semelhança de um filme domingueiro - “EDtv” - quer os participantes, quer os familiares, amigos e ilustres inimigos, todos se encontram expostos à vontade sensacionalista de um programa que vive à conta do cochicho, da especulação e da queda da última réstia de moralidade que ainda possa existir. Não me admiraria nada se fossem buscar a educadora de infância de um deles só para descortinarem um qualquer acontecimento embaraçoso ocorrido aos 3 anos e meio, mas totalmente irrelevante para o caso, e assim continuarem a alimentar um apetite desenfreado de audiências - por exemplo, a criança ter confidenciado na escolinha que a empregada da mãe da cunhada da vizinha do 3º esquerdo estendia as cuecas rosa choque XXL rendadas do marido.

        • Esta história de distinguir pessoas com o mesmo primeiro nome utilizando apenas a primeira letra do segundo está a criar moda e nos infantários, nos escuteiros, nos liceus e nas catequeses, as criancinhas com nomes mais vulgares passaram a ser tratadas por "João Éme", Ana "Éle" e Luís "Pê" - fazendo lembrar nomes de máquinas industriais ou de medicamentos.

          Enfim… Dá para tudo! E mais não digo porque não sei e porque não tenho força nem vontade de ver este lixo televisivo (carne para canhão para os pobres de espírito que se alimentam, quais parasitas, da baixeza da condição humana), correndo já sérios riscos de ser bombardeada pelos meus queridos amigos que sejam espectadores assíduos deste espectáculo, a quem, desde já, peço desculpas se as minhas palavas causaram algum tipo de ofensa.

            

          E para quem gostar ou tiver curiosidade em experimentar só posso dizer isto:

          "Casa dos Degredos: o verdadeiro repasto gourmet com a melhor selecção do pior que cá dentro pode existir, ao alcance de um toque do seu telecomando".