sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
O drama do Senhor Valentim
O dia 14 de Fevereiro sempre foi um grande
drama para mim – talvez equiparado ao drama
da ponte – e nunca percebi bem a sua lógica, nem antes, nem depois de ter
namorado…
Quando era miúda também não era nada fã
desta data, principalmente porque não tinha namorado. E depois, quando recebia
algum cartão, ou era anónimo, ou era de alguém com quem não queria qualquer
tipo de identificação (os miúdos são tão cruéis…) ou, vinha-se a saber, era da
minha melhor amiga Helena, escritora de essência, que queria que acreditasse no amor e no
Dia de S. Valentim (mas que eu percebia logo que era impossível ser escrita por
um miúdo de doze anos, dada a sensibilidade do seu conteúdo e o grande número
de palavras com mais de duas sílabas).
No tempo dos quatro canais era desesperante
ligar a televisão durante quinze minutos de novela brasileira de amores impossíveis,
a que se seguiam trinta de anúncios publicitários intermináveis de perfumes,
chocolates, trilhas sonoras do Kenny G e da Celine Dion, relógios alusivos e outros que tal, que tornavam (e continuam a tornar) este dia em mais um
evento comercial alimentado por imagens hipnoticamente apelativas e pelo
apetite consumista desenfreado das pessoas.
Mas o que era realmente insuportável
naquela altura era ser obrigada a assistir a todos aqueles rituais de
acasalamento “estúpidos” e “desnecessários” dos namorados no dia 14 de Fevereiro,
que deixavam o meu emancipado feminismo pós-moderno em estado de depressão profunda:
beijos ao estilo Casablanca, dados por miúdos que tinham acabado de deixar a
chupeta, mas que adoravam exibir estes talentos lá na preparatória; namorados
que não desgrudavam, nem com o autocarro em andamento e a fechar as portas; intermináveis
“não, desliga tu, meu docinho de morango com chantilly de natas frescas, que ontem desliguei eu”; ouvidos em todas
as cabines telefónicas. Depois saía da escola e ia à florista que havia lá ao
pé, e que vendia de tudo um pouco, completamente cheia de homens tresloucados,
impedindo-me de adquirir as gomas e os chocolates que afogavam as minhas mágoas.
E lá ia eu para o autocarro, a caminho de casa, entalada por casalinhos que achavam
que o melhor sítio para demonstrar o seu amor era num autocarro a abarrotar de
gente, de barulho, de movimento e… de frustração! É no que dá estar-se na
puberdade e só bater as pestanas a rapazes com pelo na cara!!!
Finalmente os namorados vieram, mas a
verdade é que não guardei grandes registos destas festividades com um efectivo
a dar-me tudo aquilo que negava querer, mas com que tão secretamente sonhava
nesta altura! E foi então que encontrei o amor da minha vida e as coisas
prometiam mudar. Fiel à minha renúncia ao consumismo que vestia a época, sempre
procurei dar presentes originais, personalizados e carregados de simbolismo,
mas ao fim de uns anos, a imaginação começou a faltar… e o drama a recomeçar!
Além disso havia o famigerado jantar do dia dos namorados que duplicava este drama!
Desde degustar uma refeição gourmet à velocidade da luz (porque no dia seguinte
era necessário fazer um exame e passar), a jantar uma fatia de pizza, dentro do
carro, debaixo da ponte D. Luíz (dado o trânsito que se tinha instalado nesse
Sábado à noite na cidade e os bilhetes para o cinema serem para horas
decentes), até andar durante 2h à procura de um restaurante porque nos
esquecemos de reservar, aconteceu sempre alguma coisa que manchou este dia. Para
contrariarmos a tendência, achámos por bem começar a comemorar na véspera, já
que o dia 13 é também um dia de importantes festejos lá em casa. Mas ao que parece
a ideia não foi assim tão original, e até neste dia chegamos a ter alguma
dificuldade em jantar condignamente, com uma distância dos outros clientes
suficiente para que não soubessem o quão bonitos são os meus olhos, ou o quanto
mudou a vida da minha metade boa desde que me conheceu!
Assim sendo, passamos a jantar em casa, a
caprichar no repasto, no silêncio e no isolamento, sem prendas, sem confusões e
sem stresses!
Diz o maridão que um dia teremos gémeos, que
serão dois rapazes e que um deles se há-de chamar Valentim, porque é um nome
bonito, cheio de significado e porque é uma homenagem ao meu avô. Mas estou a
ver se o demovo porque basta de homenagens - foi por causa de uma a um tal de
Valentim que todo este drama começou…
Atualização 14/02/2017
Um ano e meio depois, a homenagem efetivamente concretizou-se! Apesar de ter travado uma árdua luta interior para que o meu filho não se chamasse Valentim, a verdade é que parecia que não gostava de mais nenhum e lá tive que dar a mão à palmatória.... Pelo menos ele não corre o risco de ser confundido com ninguém, como os Santiagos, os Rodrigos e os Joões, e, no dia dos namorados, as miúdas não vão passar por grandes "dramas" em oferecer ao "senhor Valentim" presentes personalizados!!!
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
O peso da desgraça
Mas foram uns meses muito lindos que se
seguiram: já conseguia respirar normalmente dentro das calças de ganga, sem ficar azul; não tinha que inspirar bem fundo para esconder a barriga sempre que passava
por um “jeitoso” ou por uma miúda do liceu; quando ia correr não sentia o coração nos ouvidos, nem as mamocas a bater no queixo; podia usar
t-shirts justas sem prejuízo de imitar o famoso cão Sharpei; e tinha umas
análises ao sangue dignas de serem emolduradas e afixadas na entrada da Junta de
Freguesia, ao lado dos Editais! Tempos felizes esses em que conseguia ir ao
supermercado sem sair de lá com um pacote de batatas fritas (que já chegavam a
meio a casa) ou sem uma embalagem de donuts (que se sobrasse algum podia dar
azar).
De maneira que me senti muito orgulhosa por ter alcançado este feito. E sabem qual foi o segredo? Não foram os litros de sopa, nem os quilos de maçã cozida que substituiram as toneladas de massa, de arroz e de carnes vermelhas. Não foram as horas no ginásio a correr, nem sei bem atrás de quem, em vez de estar no sofá a ver as minhas maravilhosas séries. Também não teve nada a ver com as 7 refeições diárias obrigatórias, que fez com que a minha vida passasse a ser gerida pelo toque dos alarmes do telemóvel (no final já parecia o cão de Pavlov). A chave do sucesso foi beber água como se não houvesse amanhã, o que me fazia passar o dia a correr para a casa de banho. E quando ela está na ponta oposta, do piso de cima, do sítio onde se trabalha, uma pessoa costuma perder uns quilos valentes nessas viagens mais que frequentes!
E, ao
contrário do que pensava, ainda me consegui manter assim durante uns meses.
Mas, já se sabe, o Inverno aproxima-se e a formiguinha tem que se preparar. E
nada melhor do que uns bons centímetros de camada “odiosa” para fazer frente a este frio
que se hospedou este Inverno na minha casa, primeiro escondidos com os casacos, depois com os cachecóis, e agora com o edredão vestido (o frio e a gordura)! De maneira que, ultrapassado que foi o valor limite de peso que me impus para fazer alguma coisa, aqui estou eu, uma vez mais, a comprometer-me publicamente em mudar esta situação.
Há já algum tempo que meio mundo me andava a chatear para mudar para um determinado ginásio porque, ao contrário do que acontecia no que frequentava, nunca iria sozinha. E foi então que pensei. E se, em vez que gastar quase 60€ por mês num ginásio de luxo no qual não ponho lá os pés desde o Verão, mudasse para um que me fica a metade do preço, mesmo que também lá não vá? Assim, a (não) prática desportiva sempre me ficava mais em conta! E assim foi. Mudei-me de malas e bagagens para esse, que sempre me sobrava algum dinheirinho para gastar em eclairs e croissants! Claro que lá voltei eu ao meu drama da ponte que, se bem se lembram, foi um dos motivos que me fez mudar para o anterior ginásio... Mas isso agora não interessa nada!

Que categoria!!! No primeiro dia saí de lá logo com a avaliação física marcada para a visita seguinte, que este é um ginásio muito digno onde as pessoas não ficam à espera de serem magras para lhes fazerem um programa de treino. Depois do relambório de perguntas que mais parecia o de um seguro de saúde para uma pessoa com 60 anos, seguiram-se as quinhentas medições. Ele foi medição dos índices de massa, das tensões, da flexibilidade, de 500 perímetros dos meu corpo, das pregas (ai meu Deus, as pregas!), ... A fita métrica varreu de tal forma o meu corpo que, a páginas tantas, até lhe perguntei se ia demorar muito até fazer a primeira prova do vestido de gala! Mas fiquei muito satisfeita. Sim, senhor! Isto é que é serviço de qualidade. Só não gostei tanto quando vi a conta a pagar, ou seja, os dois pares de quilos que tenho que eliminar e o respectivo plano de treinos!
Ainda assim, a coisa correu melhor do que esperava e saí de lá com uma motivação de tal ordem que fui literalmente a correr para a passadeira, onde estive durante 40 minutos (30 dos quais em corrida). 30 MINUTOS, meus senhores! Para uma velha enferrujada que ultimamente só fazia pilates e outras modalidade onde não se transpira nada, a não ser preguiça, isto foi o acontecimento do ano!
A ver vamos durante quanto tempo vai durar esta motivação exlosiva, porque a experiência diz-me que será só durante as primeiras... 2 visitas ao ginásio!!!
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Sansão - o gato autista
“Autismo - au.tis.mo masculino - transtorno invasivo do desenvolvimento que compromete as interacções sociais, comunicação e a variedade comportamental do portador.”
Finalmente encontrei a
justificação para a conduta do meu gato. Anteriormente designado por “Sansão, o
Morcão”, cedo começou a revelar uma sintomatologia coerente e reveladora da malfadada
maleita que o impede de acompanhar, literalmente, as pegadas da sua irmã e ser
um gato de apartamento feliz, descontraído e sociável. Dalila, a irrepreensível
anfitriã que acolhe toda e qualquer visita na sua mansão com pulos enérgicos (e
um pouco descontrolados) de modo a receber mimos que cubram a maior parte da
sua área corporal, é o animal perfeito para se ter em casa, se exceptuarmos os
ataques compulsivos de comichão nas patas, aliviadas sempre pelos meus sofás e
cadeiras, já sem pele e com a espuma à vista. Mas nem o contacto com ela, nem o nome com que o baptizámos, fizeram com que a personalidade do coitadito mudasse.
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| Sansão e Dalila com 1 mês |
O felino é o verdadeiro fenómeno. Senão vejamos. De acordo com a Associação Americana de Autismo, os sintomas de autismo incluem:
1. Distúrbios no ritmo de aparecimentos de
habilidades físicas, sociais e linguísticas.
Confirma-se. Já lá vão dois anos e tal, o que
na idade dos gatos significa… 7x2=14… +7/12x(Setembro, Outubro, Novembro,
Dezembro, Janeiro)… Bem, mais do que a idade do armário, pelo que as desculpas
de uma puberdade retardada não se adequam a este contexto, e no que diz
respeito a este exemplar, as suas habilidades sociais são iguais às de uma
pedra.
Quanto às “habilidade físicas”, há
uma em particular que me apraz bastante: quando vê um desconhecido em casa
(que, basicamente, é todo o ser humano que não eu ou o maridão, mesmo que já lá tenha estado quinhentas vezes)
petrifica. É capaz de ficar horas a fio na mesma posição (às vezes dois ou três dias se a estadia das
visitas se prolongar) e, se tentar pegar nele, faço-o com uma
enorme dificuldade porque parece que pesa o dobro do normal. Não come, não dorme e às vezes parece que desliga o cérebro.
No que diz respeito às suas
habilidades linguísticas, falarei mais à frente.
2. Reacções anormais às sensações. As funções ou áreas mais afectadas
são: visão, audição, tacto, dor, equilíbrio, olfacto, gustação e maneira de
manter o corpo.
Confirma-se também na generalidade.
Momentos houve em que pensamos mesmo que era primo do Stevie Wonder, porque é
preto e não enxergava alguns obstáculos. Mas parece-nos que com o tempo sofreu
significativas melhorias no campo visual (isso ou foi decorando os caminhos de
modo a conseguir desviar-se a tempo).
Parece-me também que tem uma
audição sã apenas para alguns comprimentos de onda porque, quando quero sair de
casa e o chamo para não ficar nos quartos, não me aparece, mas, se logo a
seguir fizer barulho com a porta do frigorífico ou com a embalagem do fiambre, surge
numa correria, mesmo que esteja na ponta oposta da casa e que a televisão
esteja no volume máximo.
Os meus gatos (e aqui também tenho
de falar na Dalila) têm um paladar muito selectivo e estranho até: ou sabem ler
e têm a mania das marcas, ou então são realmente críticos em relação às rações
do supermercado: linhas brancas, “jamé”; Friskies, nem constipados; Wiskas só
misturados com a ração que mais gostam; Purina, vão comendo, mas ao início retorcem os bigodes; mas a Royal Canin chamam-lhe um figo! Para quem não sabe, apresentei
as marcas por ordem crescente de preço, só para terem uma ideia da “chiqueza”
da bicharada. Só não são esquisitos na hora de rapinarem a nossa comida (mas,
ainda assim, em algumas ocasiões encontrei umas espinhas no tapete, por não as
conseguirem aguentar no estômago). Já agora, agradeço muito este "exquisite taste" que permite que a minha casa não tenha uma única mosca ou mosquito!
E se quiser falar na postura, meus
amigos, nem vos conto! Sempre que alguém entra em nossa casa e se aproxima da área
onde ele está, imediatamente encolhe as patas e transforma-se naquilo que será
a variante Basset-Hound (cão salsicha) para gatos, arrastando-se nessa posição
durante vários metros até ao quartinho já mencionado…
3. Fala e linguagem ausentes ou atrasadas.
Check. Quanto à fala e linguagem do
Sansão pouco posso dizer porque são praticamente inexistentes, a não ser quando
vê uma fatia de um qualquer enchido ou uma posta de bacalhau - o que tem a menos no cérebro tem a mais no olfacto. Aí solta um miau
grave e desafinado, imitando um rapaz adolescente quando começa a mudar a voz, revelando a falta de uso do instrumento... vocal. :) Tendo em conta que
os gatos têm o dobro das nossas cordas vocais só posso dizer “Deus dá nozes a
quem não tem dentes”…
4. Relacionamento anormal com os objectos, eventos e pessoas.
Adequa-se totalmente. O meu gato é um ser realmente estranho. Lembram-se
de ter falado na luva que calçava para lhes tocar quando tinham apenas um mês de vida e que utilizei apenas durante alguns dias? Pois muito bem! Ainda hoje não me posso aproximar do meu gato com ela na mão sem que ele vire
as orelhas para trás, encolha as patas e vire pedra, ou desate a fugir.
Esta relação de ódio contemplativo aplica-se na
mesma escala às pessoas que em algum momento lhe puxaram o rabo ou o calcaram, ainda
que sem essa intenção: basta ao meu sogro tocar à campainha que ele imediatamente
desaparece, ainda antes de lhe abrir a porta, sendo apenas vislumbrado um bom
par de horas depois de se ter ido embora.
Mas a excelência do seu autismo revela-se nesta
situação particular. Se é violada a distância que, para o Sansão, lhe reserva a devida
segurança, não hesita em mostrar os seus proeminentes caninos de dois centímetros super
afiados, um "pffffffffffffffffff" ameaçador seguidos de, caso a futura vítima não recue, uma exibição das suas
unhas.
Ora, perante este comportamento, vou para o
veterinário com ele sempre cheia de receio do espectáculo que sua excelência
possa vir a dar. Todavia, não sei se por estar longe do seu território, se por ter
sido submetido a um olhar hipnótico que a nova doutora lhe lançou, desta vez portou-se lindamente – ainda melhor do que a irmã.
A única vantagem deste comportamento atípico para
um gato é na hora de comprar brinquedos. Existem uns ratinhos à venda presos por um
elástico a uma vareta, para que possamos brincar com eles. A nós, basta-nos
comprar um, porque enquanto que a Dalila brinca com o rato, o Sansão não
descansa enquanto não alcança o seu alvo: o fio! Fica possuído a ver o fio no
ar, e entre saltos (o que não é fácil para o gato de quase 6 quilogramas) e patadas, só pára
quando vê o fio no chão, momento em que considera a vítima como abatida.
---
Nota Final: Após escrever estes textos, normalmente vou à grande rede procurar umas imagens que ilustrem o conteúdo das minhas frases. Desta vez descobri que existe um estudo que compara o comportamento dos gatos com o dos portadores do Síndrome de Asperger. Fica aqui um vídeo que resume o livro de Kathy Hoopmann:
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
3... 2... 1... 12!!!!
Todos
os anos a praxe é a mesma. Uma panóplia de superstições para trazer a
prosperidade é cumprida religiosamente no dia 1 de Janeiro. E como a crise não
está para grandes brincadeiras, até mesmo os mais cépticos as seguem porque,
já se sabe, “Eu não acredito em bruxas, mas que as há, há…”.
Vai
entrar 2012, de modo que ficam aqui os 12 conselhos a seguir durante e após as
12 badaladas, garantindo assim o máximo êxito dos 12 meses que se avizinham!
1. Fazer (muito) barulho
Um
dos rituais consiste em acordar quem está a dormir nos antípodas com a
“panelagem” toda a fazer barulho, muito barulho! Assim, se se quer um ano muito
venturoso um dos segredos será sacar dos testos e das panelas até as furar com
tanta pancada. No meu caso, como tinha caçadores na família, após a meia-noite
seguiam-se minutos de absoluto terror para mim com o meu tio a dar tiros para o ar nas traseiras da casa,
fazendo lembrar clãs muçulmanos no dia do casamento da filha de 12 anos.
2. Usar roupa interior nova e colorida
Fruto
de uma crença que vem, não se sabe bem de onde, acreditamos com todas as nossas
forcinhas que o destino que o ano vindouro nos oferece é directamente
proporcional à cor da roupa interior que envergamos na noite e no dia da
transição. Tradicionalmente, em Portugal, as lojas escoam todo o stock da bela
da cueca azul por alturas do final do ano. Mas aqui há uns anos introduzi uma
adaptação a este ritual. Era dia 31 e estava em Espanha, mais propriamente numa
loja asiática, desesperada por encontrar um exemplar azul, quando o empregado
mostrou todo o seu contido espanto, típico dos povos daquela geografia, no
momento em que 10 portugueses lhe perguntaram por cuecas azuis. Ao que parece,
os “nuestros hermanos” usam roupa interior nova, sim, mas encarnada na
“nochevieja”. E nós não nos ficamos por menos: levamos umas vermelhas (para
usar na noite) e umas azuis (para usar no dia), na esperança de duplicarmos a
nossa sorte. E como o senhor não estava preparado para esta demanda cromática,
houve quem, do sexo masculino, tivesse que levar, ao invés do boxer, o fio
dental vermelhusco!3. Tomar um banho gelado
Quanto
a este costume só posso agradecer ao Jesus e dizer bem alto: “Deus conserve intacto o meu bom senso!”. Por muita coragem e sorte que precisemos para
encarar as medidas de austeridade com que, quase diariamente, o nosso governo
nos presenteia, não correm nestas veias quentes bravura suficiente para
mergulhar a falta de fé nas águas gélidas do nosso oceano. Mas para quem a
tiver, ou estiver muito desesperado, ou ainda para quem não encontrou melhor
forma de curar a ressaca da noite anterior antes do cabritinho assado em casa
dos pais, deixo aqui os meus mais sinceros e orgulhosos parabéns!4. Usar lençóis novos
Sinónimo de ponto de viragem na vida
(não de 360º, espero eu), comprar uns lençóis novos pode ser uma boa
estratégia! Também pode ser um bom pretexto para alguns que, pela primeira vez
em 12 anos de casamento, podem escolher a sua própria roupa de cama - que, até à
data, foi sempre comprada por sogras e por tias afastadas por alturas de Natal
e aniversário, com incontornavelmente diferentes pontos de vista sobre rendas,
estopas e cornucópias.
5. Deitar fora objectos velhos
E porque não pegar nos lençóis antigos,
nas roupas que usávamos quando tínhamos 20 anos (e que nunca mais nos vai
servir, nem que cumpramos com o máximo afinco este protocolo de 12 regras), e
nos extractos bancários de há 10 anos atrás (que não trazem outra coisa que não
seja sofrimento) e não fazemos uma grande fogueira? Pelo menos poupamos no
aquecimento… Já estamos a ganhar qualquer coisinha, não vos parece?
6. Vestir roupa de cor
O branco simboliza a paz e o equilíbrio,
que são duas coisas que fazem falta a muito boa gente que conheço. Mas as cores
não ficam por aqui. Quem procura amor verdadeiro deverá vestir cor-de-rosa e se
se procura uma paixão ardente, a opção recairá sobre o vermelho. O amarelo está
relacionado com a riqueza em bens materiais, o verde com a saúde e o azul com a
limpeza (daí a cueca azul, porque os portugueses são muito limpinhos). Eu cá
vou usar preto, que para mim é sinónimo de esconder o pneumático indesejado – e
que bem que este talismã funciona!
7. Mezinhas, simpatias e afins
Se
fizerem uma pesquisa na net por “rituais de ano novo” num instante têm ao
alcance dos vossos olhinhos um sem fim de “simpatias” que prometem amor,
dinheiro, sucesso e cura para a unha encravada. Algumas envolvem a queima de
substâncias naturais em casa, acompanhadas de frases proferidas em voz muito
alta e de danças pouco convencionais, pelo que será recomendável avisar os
vizinhos ou esperar que estes saiam de casa, não comprometendo, assim, a ideia que eles
têm da nossa saúde mental.
8. Fazer um brinde
Não
se trata de beber para esquecer, nada disso, nem quero que, com estas minhas
palavras, alguém fique em casa no dia 2 de Janeiro por extrema desidratação
provocada por excesso de álcool. Há que brindar ao novo ano que aí vem que em
tudo será grande: brindar ao incremento da taxa de desemprego, brindar ao
aumento do número de horas de trabalho e brindar ao acréscimo do IVA nos
produtos transformados e na restauração.
9. “Subir para cima” de uma cadeira
Sim,
meus caros, este pleonasmo foi intencional. Na hora de chamar a sorte para
jogar na nossa equipa, nenhum exagero é excessivo. Certifiquem-se apenas de que
o teor alcoólico não se incompatibiliza com esta peça de mobiliário (atenção
aos exageros do ponto anterior), evitando assim passar as primeiras horas do
ano numa sala de espera das urgências. Se bem executado, este gesto trará
melhorias significativas na nossa qualidade de vida, sobretudo se não tivermos
nenhuma perna engessada.
10. Entrar no ano novo com o pé direito
À semelhança da rotina anterior, entrar
com o pé direito no novo ano pode significar prosperidade. Para evitar
confusões, recomenda-se distinguir o pé direito com algum artefacto. Mas,
atenção, que este objecto seja discreto e pouco volumoso, não vá o diabo
tecê-las e provocar a queda durante o ritual descrito no ponto anterior. Nota:
resultados não comprovados em canhotos e disléxicos.11. Ter dinheiro na mão
Eu
sei que para muitos pode ser difícil, nesta altura, chegar ao último dia do mês
e do ano e ainda ter notas no bolso. Mas descansem! Fiz uma pesquisa e segundo
o que consegui averiguar, o ritual pode ser substituído por atirar umas moedas
ao ar no momento da passagem do ano – e agora todas as três pessoas que lêem este blogue se dirigem
rapidamente ao espelho de água do shopping mais próximo para ver se encontram
alguma!
12. Comer 12 passas e fazer os 12 desejos
E
porque o mote é o número 12, remato com o mais popular de todos os rituais: comer
as 12 passas ao som das 12 badaladas, ao mesmo tempo que se pedem os 12 desejos.
Gostaria que no meu caso a coisa fosse um pouco mais simples, mas,
infelizmente, é tipo remédio para a tosse! Para começar detesto passas, pelo
que não as mastigo. Engulo-as de uma só assentada para minimizar o sofrimento
e, para que o faça rapidamente, bebo uma golada do tradicional espumante,
igualmente intragável para mim, mas que me permite não ficar com aquela papa na
boca, prestes a provocar movimentos expulsivos de suco gástrico. E depois vem o
pé direito, e subir para a cadeira e atirar as moedinhas ao ar… Irra!!! Com
esta titânica empreitada não sobra grande tempo para os 12 desejos que,
normalmente, se reduzem a um “que este ano seja ainda melhor que o anterior” e
a ”muita saudinha”: no meio de tanta repulsa e de tanto nervo lá ficam perdidos
os objectivos bem definidos que andei a estudar nos dias anteriores (porque,
para que as coisas aconteçam, temos que saber exactamente o que queremos).
Desta feita, parece que este ano não vou ficar magra, nem ser aumentada, nem
correr a meia maratona e muito menos tocar piano decentemente. Houve uma vez que
pedi à minha mãe para me comprar uvas de mesa para não começar o ano logo
agoniada, mas só havia daquelas com os bagos gigantescos (cujo termo mais
vernáculo não pode ser referido em horário nobre), de maneira que à terceira
uva que meti na boca deixei de conseguir mastigar, engasguei-me com o sumo e
passada meia hora ainda estava a tirar grainhas da boca… Resultado: tanta
azáfama, tanto preparativo e tanto sacrifício e... esqueci-me de pedir os
desejos!
Bem
caríssimos, com estas 12 me vou, senão ainda corro o risco de não conseguir
fazer nenhuma. Para o ano há mais, espero eu, pelo que, se for abençoada por um
momento de iluminação e articulação, reservarei um desejo para conseguir
escrever mais e melhor em 2012!!!
UM BOM ANO!!!
UM BOM ANO!!!
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Caminhada de Fé
Caríssimos,
O tempo para me dedicar dignamente a este espaço tem sido, efectivamente, pouco. Mas o verdadeiro motivo pelo qual não tenho escrito tem que ver com o facto de me ter estado a dedicar a outra causa.
Em Setembro passado fiz uma caminhada de fé e, para que as recordações não se perdessem no tempo, quis imortalizá-las e partilhá-las com outras pessoas que pensem seguir as nossas pegadas - e são, seguramente, muito mais do que imaginámos! Depois de termos ido a Fátima a pé e de termos falado com amigos e conhecidos sobre essa experiência, fomos surpreendidos por um enorme número de pessoas que já foram ou querem fazer o mesmo, quer o motivo seja a fé, o crescimento pessoal, a introspecção ou simplesmente o desafio de vencer obstáculos e atingir metas.
Por tudo isto, caso conheçam alguém que esteja interessado em fazer esta ou outra peregrinação, não hesitem em enviar-lhe o endereço deste blogue que será, indubitavelmente, uma grande ajuda!
![]() |
| caminhadafe.blogspot.com |
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Casa dos Degredos
Para os mais distraídos como eu que ainda não tenham percebido, estou a falar da “Casa dos Segredos”. E para evitar que me peçam para falar sobre o assunto, vou já descarregar todo o conhecimento que tenho sobre a causa.
- Sei que é mais um reality show que é apresentado na nossa televisão em horário nobre e que, por isso, passa a ser integrado no sistema de informação de todas as nossas criancinhas! E que frutífero que é estes pequenos humanos saberem que o mediatismo que uma figura pode ter é directamente proporcional não ao seu valor social, intelectual ou profissional, mas sim à capacidade (em litros) que as suas mamas ou glúteos aguentam! “Mas isso agora, não interessa nada!” – expressão repetida ao expoente pela apresentadora e satirizada num programa da concorrência que critica, de forma tão caustica e divertida, este programa de (des)entertenimento.
- Sei que já venho tarde, porque não é a primeira edição do programa e esta já deve estar a meio, mas ainda assim faz-me uma comichão terrível que se crie um programa que não tenha assunto nenhum. Basicamente, gira em torno de uma ou duas mãos cheias de homens e mulheres que não fazem absolutamente nada. Passam o dia a arrastar, de um sofá para o outro, os seus corpos plásticos e as suas mentes vagarosas, a posar para as câmaras e em estranhos rituais de acasalamento. A sério que não consigo compreender isto - mais depressa entendo um jogo em que 20 homens, que andam 90 minutos a correr atrás de uma bola, assim que a alcançam, ficam imbuídos de um espírito do além e, apesar de todo o esforço para a agarrar, atiram-na para outro lado qualquer.
- Sei também que os concorrentes são escolhidos a dedo, ou seja, escolheram os porteiros de discotecas mais "inchados", as strippers mais "inchadas" também, as portadoras em estado terminal do síndrome de culturodificiência adquirido e as autoras do programa “Em Mau Português”.
- “Estou ilusionada.”
- “Mas o que é que quer dizer ilusionada?”
- “Quer dizer que tenho um aleijamento.”
- Apesar de terem namorados e amigas coloridas cá fora, andam todos enroladinhos uns com os outros porque estão carentes (de juízo, só pode ser), está um frio tremendo lá dentro (dada a carência, também, de roupa que envergam) e tudo o que fazem é apenas a pensar no jogo. Que é como quem diz, é estratégia, pura e simplesmente, para ganhar o dinheirito: "é tudo por ti, 'mor"! ;)
- Do pouco que vi, deu para perceber onde os criadores deste programa foram buscar a inspiração. À semelhança de um filme domingueiro - “EDtv” - quer os participantes, quer os familiares, amigos e ilustres inimigos, todos se encontram expostos à vontade sensacionalista de um programa que vive à conta do cochicho, da especulação e da queda da última réstia de moralidade que ainda possa existir. Não me admiraria nada se fossem buscar a educadora de infância de um deles só para descortinarem um qualquer acontecimento embaraçoso ocorrido aos 3 anos e meio, mas totalmente irrelevante para o caso, e assim continuarem a alimentar um apetite desenfreado de audiências - por exemplo, a criança ter confidenciado na escolinha que a empregada da mãe da cunhada da vizinha do 3º esquerdo estendia as cuecas rosa choque XXL rendadas do marido.
- Esta história de distinguir pessoas com o mesmo primeiro nome utilizando apenas a primeira letra do segundo está a criar moda e nos infantários, nos escuteiros, nos liceus e nas catequeses, as criancinhas com nomes mais vulgares passaram a ser tratadas por "João Éme", Ana "Éle" e Luís "Pê" - fazendo lembrar nomes de máquinas industriais ou de medicamentos.
Enfim… Dá para tudo! E mais não digo porque não sei e porque não tenho força nem vontade de ver este lixo televisivo (carne para canhão para os pobres de espírito que se alimentam, quais parasitas, da baixeza da condição humana), correndo já sérios riscos de ser bombardeada pelos meus queridos amigos que sejam espectadores assíduos deste espectáculo, a quem, desde já, peço desculpas se as minhas palavas causaram algum tipo de ofensa.
E para quem gostar ou tiver curiosidade em experimentar só posso dizer isto:
"Casa dos Degredos: o verdadeiro repasto gourmet com a melhor selecção do pior que cá dentro pode existir, ao alcance de um toque do seu telecomando".
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Desafios
Aproveito o momento para informar que me rendi aos smartphones e que, perante a grandeza deste equipamento a minha mente assoberbou-se e quase arruinava este blogue. A verdade é que eliminei quase todas as imagens que as minhas publicações continham pelo que continuo com "obras cá em casa". E para além das imagens, também o fundo do blogue se perdeu. :( Assim sendo, quem tiver algo bem bonito que se enquadre, toca a enviar para o e-mail ou deixar no facebook.
Obrigada a todos!!!
terça-feira, 30 de agosto de 2011
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