sábado, 6 de agosto de 2011
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Que calor esquisito!
Está um calor esquisito, sim senhor! Não é
todos os Verões que temos o privilégio de vestir as últimas tendências de
moda de manga comprida e de esconder as proeminências abdominais com blazers, casacos e écharpes. Dizem os tablóides que é o Verão mais frio dos
últimos 27 anos, o que tem sido verdadeiramente deprimente para os turistas e
catastrófico para os comerciantes e empresários de turismo. Parece
que a meteorologia estabeleceu uma qualquer coligação com a crise e tanto frio,
tanto vento e tanta roupa a tapar a pele de galinha está a conseguir extorquir
aquilo que de melhor o nosso país tem (a seguir às Tripas à moda do Porto, prato que, aliás, se come muitíssimo bem nesta altura fresquinha do ano, pelo menos neste) e as únicas coisas capazes de nos fazer esquecer as dificuldades financeiras que
atravessamos - o Sol e o calor. Ora, curiosamente ou não, há precisamente 27
anos estávamos sob o domínio do último reinado de d'El Rei D. FMI em Portugal (antecessor da Raínha D. Troika) e das suas glaciais resoluções. Tenho cá
para mim que é possível fazer adivinhação "meteorológico-económica"... Ou quererá
isto dizer que já devemos a tanta gente que nos esquecemos de pagar ao São
Pedro?
E por falar em calor, tenho a recordação, cunhada a altas temperaturas na minha
memória, de estar a estudar para os exames, em Julho, de chinelos de praia, calções e
camisola de alças, como quem vai para a praia - sem o poder fazer. E a indumentária mantinha-se
mesmo que tivesse que ir tirar dúvidas com algum professor - é que o calor
não se aguentava e não havia lugar a dress codes adequados! Como queria eu ter um Sábado que fosse para me estender ao comprido a fazer fotossíntese - Deus dá nozes a quem não tem dentes... Ao invés, este ano já fui comprar umas malhas de meia-estação
que me mantenha os pulsos bem quentes e assim evitar uma ruptura de ligamentos
ao escrever no computador. Só arrumei a roupa de Inverno este fim-de-semana,
porque começava a ficar deprimida ao olhar para os camisolões e perceber o
quanto os queria vestir sempre que ia à varanda estender roupa lavada...
Consegui comer no terraço duas vezes e, numa delas, tive que vestir um polar
para me conseguir aguentar. Acho mesmo que a única vez que utilizei o
ar-condicionado desde Maio foi hoje, porque alguém deixou a janela aberta no
fim-de-semana e estava um frio que não se aguentava, de modo que tive de aquecer a sala! E dou por mim, pesarosa e
nostálgica, a pensar no quão bom era à noite ter de sair de casa porque não se suportava
o calor, só sendo possível amenizar este sofrimento com um geladinho na Foz...
Enfim: está um calor esquisito!
Fica aqui um "miminho" para fazer recordar outros Verões.
E para gostos "menos ecléticos"... ;)
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Teclodependência
Diagnóstico: “teclodependência”, utilização compulsiva de botões e de teclas de equipamentos electrónicos, gerando um processo em que esta dependência se vai apoderando, progressivamente, da vida do utilizador, sem que este se aperceba deste problema, nem que aceite o apoio e os avisos de familiares e amigos, tornando extremamente difícil a sua recuperação; do inglês, buttonjunkie.
Não tenho conhecimento de algum estudo científico que corrobore a minha teoria, mas, se não existe, alguém devia começar a pensar seriamente no caso. A conclusão não foi obtida tendo como modelo apenas a minha metade boa (que nestas situações não é assim tão exemplar), mas sim a grande maioria dos espécimes masculinos que conheço - pelo que estou já a dar uma mãozinha à Ciência, sugerindo que o facto possa, muito provavelmente, estar associado a uma doença genética, assinada pelo cromossoma Y. E a importância da análise desta patologia reveste-se de toda a utilidade dado que estes episódios extemporâneos têm sempre como consequência uma sensação de desconforto, vergonha e constrangimento por parte das acompanhantes femininas destes “doentes”.
As situações são recorrentes, varrem uma grande diversidade de manifestações e, quando menos esperamos que a sintomatologia se expresse, eis que eles descobrem um botãozinho minúsculo numa zona recôndita de um qualquer equipamento. Sem saberem muito bem porquê e para quê, desatam para ali a carregar, a carregar, e a carregar como se não houvesse amanhã, descontinuando este ritual, em muitos dos casos, apenas quando algum sinal sonoro se faz sentir, assinalando a gravidade dos danos instalados, ou quando lhes começa a doer o dedo e a necessidade é dada por extinta.
Esta teoria tem sido consolidada, ao longo dos últimos anos, através da minha presença em muitas destas situações, que atestam a necessidade de partilhar esta preocupação. Tudo começa na pré-adolescência, momento em que, consumidos por um formigueiro na ponta dos dedos que lhes paralisa o cérebro, tocam às campainhas de todas as casas da rua inteira, a que se segue a fuga, os risinhos histéricos e o regozijo.
E já que pensamos em campainhas e na infância/puberdade temos, obrigatoriamente, de nos lembrar dos semáforos. Qual é o miúdo que pode ser impedido de carregar num botão quando lhe dizem que ele simplesmente não o pode fazer, aguçando a sua curiosidade ao acrescentarem que há a probabilidade de ele apanhar com um choque eléctrico e fazer faísca? Isso seria exactamente o mesmo que lhe estar a dizer “não penses numa bola de futebol”. Funciona? Claro que não e o vírus hospeda-se definitivamente, ao mesmo tempo que se prepara para assumir dimensões gradualmente avassaladoras e irreversíveis.
A idade vai avançando, mas, infelizmente, os comportamentos conservam-se. Além disso, os elevadores também não ajudam nada... Esta situação é mais evidente quando mais do que um destes “machos” entra no pequeno compartimento, momento em que passam a repartir um só cérebro. A intensidade do sintoma é reforçada pelo tardar da hora, sendo que atinge o clímax a partir das 2 da manhã, altura em que carregam no alarme de emergência que ecoa por todo o prédio, assim como as suas gargalhadas embriagadas, ao mesmo tempo que param em todos os “apeadeiros” de um edifício de 12 andares mais 3 caves.
E não podia deixar de fora as consolas de jogos. Seja jantar de família, reencontro anual de amigos da primária ou um simples “passo aí para me emprestares o teu berbequim”, qualquer encontro serve para que os elementos que partilham desta maleita iniciem uma competição virtual. Acto contínuo e esquecem-se de quem está em casa, do que tinham para fazer, de quem tinham de “entreter”, ocupando os seus cérebros única e exclusivamente com o dedilhar coordenado e afincado da coreografia dos botões, actividade que os fará desligar da terra e atingir a vitória dos deuses - assim pensam eles!
Relacionado com este tema, há também o dos computadores, e ai de quem se aproxime do equipamento quando eles estão no poder. Para evitar danos colaterais, somos obrigadas a desenvolver a capacidade de tirar as dúvidas colocadas por eles sobre uma qualquer situação relativa ao seu funcionamento, oralmente, com gestos ou com sinais de fumo, mas sempre sem recorrer ao manuseio da máquina mágica – ou seja, toca a decorar os nomes todos dos comandos porque Deus nos livre de clicar numa tecla, resolver o seu problema e pôr em causa a marcação do seu território tecnológico.
E para continuar a alimentar este vício desmedido avançam numa campanha de aquisição de toda a espécie de aparelhos eléctricos e electrónicos como máquinas fotográficas, acessórios para aumentar a jogabilidade das consolas e dos computadores, óculos para ver filmes a 3D, ratos e teclados que parecem naves espaciais, micro projectores portáteis de filmes, e toda uma série de gadjets que não melhoram significativamente o nível de qualidade de vida, mas que, por terem um conjuntinho de botões bem apelativos, são o suficiente para reduzir substancialmente os seus níveis de stress e melhorar a harmonia no seio do ambiente profissional e familiar.
Conselho para quem vive com um portador desta “doença”: no próximo Natal, aniversário ou ataque mais inesperado e descontrolado, oferecer um comando universal para televisão, DVD, cortinas, estores, iluminação, aparelho de som, cão, piriquito e empregada da limpeza – um único objecto dá para tudo e mantém-nos entretidos durante horas!

sábado, 25 de junho de 2011
Check list para férias
Sempre considerei que sou muito
mais do tipo que trabalha para viver, do que do tipo que vive para trabalhar. Por
isso mesmo, na minha opinião, as férias são uma das melhores invenções que Deus
permitiu que o Homem criasse (a seguir à Coca-Cola e às máquinas de lavar a
roupa). A verdade é que, independentemente do FMI, das condições meteorológicas,
das pandemias e dos conflitos políticos, o ser humano foi meticulosamente desenhado
para conseguir estar sempre apto a gozá-las (às férias, claro).
Resolvi aproveitar uma semana de
apenas 3 dias úteis para dar uma escapadela e qual a minha surpresa quando me
apercebi que, para visitar o destino que desejava, não havia vagas em nenhum
voo a partir de Portugal – não por serem poucos, muito pelo contrário, mas
antes porque meio país resolveu pensar da mesma maneira que eu. E estas coisas
deixam-me verdadeiramente “inchada” de tanto orgulho: pertencer a uma nação que
de tudo faz para ultrapassar a crise ou, pelo menos, ultrapassar a depressão e
a angústia acesas pela falta de dinheiro! Além disso, esta atitude, note-se,
revela também um altruísmo tão tipicamente português porque, ainda que o
desenvolvimento da nossa indústria hoteleira seja significativamente inferior
ao do dos nuestros hermanos, não nos
escusamos de continuar a contribuir para a franca expansão deste sector
espanhol! Mas como tristezas não pagam dívidas e, seguramente, estar aqui a
lamentar-me não irá, de modo algum, contribuir para o aumento da liquidez do
nosso Estado, avancemos porque estou de férias e o tempo é precioso!
Voltando ao mote desta publicação,
adoro férias, sejam elas para conhecer cidades novas ou para apanhar banhos de
sol, de mar e de areia. Por este motivo, gosto de iniciar com alguma
antecedência e preceito o ritual da preparação do acontecimento – além disso,
com um modelo de cabecinha de vento como esta que o meu pescoço sustenta, todo
o planeamento é indispensável.
O registo é recorrente: check
lists atrás de check-lists com versões datadas, revistas e actualizadas de
“vestuário”, “acessórios”, “medicamentos”, “produtos de higiene”, “artigos de
lazer” e “calçado”. Mas as listas não se limitam ao que se leva na bagagem e
seguem-se as “coisas a comprar”, “recados a deixar”, “contas a pagar” e outras
que tais, certificando-me, assim, que posso deixar o palácio sem estar de cinco
em cinco minutos a pensar se fechei a porta à chave, se pedi a alguém para
regar as plantas e se não deixei comida a decompor-se no frigorífico. Ora, como
estava tão difícil encontrar um sítio mais ou menos decente para molhar os
pezitos, a certeza em sair não era assim tanta pelo que, sob pena de agoirar a
ociosidade dos próximos dias, decidi protelar o procedimento preparativo até
que tivesse os bilhetes na mão.
Véspera de ir de férias e de meio
dia de trabalho. 22h00 e inicia-se o enchimento das maletas sem qualquer um dos
auxiliares de memória atrás mencionados. E porque os dias quentes são ainda
muito tímidos e escassos, as roupas de verão jazem adormecidas no baú desde o
Verão passado. Segue-se o processo crítico de seleccionar a roupa para levar.
Sem tempo para averiguar se os respectivos tamanhos se adequam à anatomia
actual e se as partes de cima combinam com as de baixo, amontoam-se duas pilhas
de peças que trazem à superfície as doces e calorosas recordações das últimas
situações em que foram envergadas. O mesmo se aplica ao calçado e, sem
estabelecer qualquer relação cromática com o vestuário escolhido, encho meia
mala com chinelas e sandálias (porque mais vale sobrar do que faltar) que irão
resultar na exposição de um corpo fluorescentemente branco e transparente. Oito
biquínis e meia dúzia de frascos depois, com a mala quase cheia e só faltam mesmo
os casacos. Casacos? Estarei a entrar em demência? Vai um casaquito preto que
dá bem com tudo e com a ajuda do Jesus e do S. Pedro, o calor há-de abundar.
Alto! Quase que falhava a coisa mais importante e indispensável de todas: o
protector solar “factor 50+ para peles sensíveis” porque, já que não consigo
ficar morena sem que isso acarrete noites passadas com toalhas húmidas a
hidratar e regularizar a temperatura do corpo, talvez se recomende levar de
volta o aspecto quase hepático característico da minha pele e protagonizado
pela pobreza de melanina que transporto – gesto altamente criticado pela minha
metade boa que, à semelhança de anos anteriores, atribuiu ao coitado do produto
a culpa por não ter ficado esturricado (mesmo após ter sido questionado se
queria que lhe comprasse um com menor factor de protecção, ao que respondeu
negativa e peremptoriamente, e mesmo que apenas o tenha aplicado no primeiro
dia).
Resultado:
- 50% do calçado não foi utilizado porque foram mais os pares do que os dias de férias;
- 40% das peças não foram vestidas porque não tiveram combinação possível com as partes de cima ou de baixo;
- 30% da roupa já não me servia - ou seja, 15% porque emagreci e me ficava grande :) e 15% porque achava que tinha perdido mais peso do que o real, pelo que me ficava pequena :( ;
- Levei um aglomerado imenso de tralha e no final quase que precisava de mandar lavar a roupa no hotel porque a efectivamente útil era insuficiente e com tanto calor era impossível de ser reutilizada;
- Apesar de ser usual levar o malote dos medicamentos capazes de curar desde a típica cefaleia até à unha encravada, passando pela inflamação da garganta, pela picadela de insectos e pela alergia aos raios solares, desta vez nem um único espécime de analgésico levei – atitude que se veio a revelar de extremo descuido e irresponsabilidade dada a incidência de situações enfermas, frequentes neste tipo de ocasiões;
- Inexplicavelmente, a minha mala pesava mais 2kg na viagem de volta do que de ida, ainda que não tenha trazido nada de lá e ainda que tenha gasto champôs, cremes, etc. (estranhos fenómenos acontecem).

Notas para o futuro:
- Voltar às check lists;
- Não esquecer medicamentos para a regulação da flora intestinal;
- Levar pelo menos um dos 5 frascos ricos em Aloe Vera que se foram acumulando em casa (porque, afinal de contas, eles são úteis é fora dela);
- E, a mais importante de todas, comprar uma mala mais pequena para fugir à tentação de levar tantas coisas desnecessárias!
sábado, 11 de junho de 2011
Romaria do Pão com Chouriço
Os Santos Populares estão aí
mesmo, mesmo a esbarrar e, com eles, o cheirinho a sardinha e pimento assados e
os primeiros acordes de música popular portuguesa, pano de fundo dos bailaricos
típicos destas romarias. Este ano, as hostes foram abertas nas festas do Senhor
de Matosinhos.
Ora bem! Senhor de Matosinhos, no
dicionário da minha infância e adolescência, teve como sinónimos “Pão com
Chouriço”, “Farturas”, “Carrosséis” e “Bugiganças-que-os-senhores-de-países-africanos-vendem-e-que-ficam-tão-bem-nos-meus-pulsos-e-nas-minhas-orelhas”.
Ah! E quase me esquecia desta, de igualável importância e de merecida
referência: “Tômbola-para-a-obra-do-Padre-Grilo”. Aqui fui muito feliz,
juntamente com os pacotes individuais de bolachas waffer, lenços de papel, garrafas de óleo, miniaturas de miniaturas
de carrinhos, canecas, canetas, bacias, e mais pacotes de lenços, e mais
bolachas e mais coisas “úteis” – nunca a “inútil” da bicicleta, nem a “inútil”
da boneca que gatinhava ou a “inútil” da máquina de escrever electrónica. E eu
ficava maravilhada por ser possível, com apenas 50$00, ganhar sempre qualquer
coisa, nem que fosse um lápis a dizer “Narciso a Presidente”. Era limpinho!
“Aqui sai sempre prémio!” Mas olhando sensatamente para a coisa, considero
agora que já que estávamos ali para fazer solidariedade, então talvez não
tivesse sido má ideia devolver aquilo tudo à caridade que, como a minha mãe
dizia, eram coisas que davam sempre jeito, mas a verdade é que tínhamos que as
arrastar a festa toda e, quando chegávamos a casa, todo aquele entusiasmo pelo
sucesso do jogo se tinha desvanecido, o coche tinha-se transformado novamente
em abóbora e apenas restavam dois sacos cheiinhos de tralha.
Mas voltando aos festejos de
ontem, além de ficar a caminho de casa, um desejo sôfrego de ingerir um hiper-mega
pão com chouriço (que surgiu desde que vi pela primeira vez este ano o painel
de publicidade a esta festa), fez com que conseguisse persuadir a minha metade
boa a providenciar um lugar de categoria sobre um passeio da marginal de
Leixões. Graças à elevadíssima aptidão do condutor em entalar (ou literalmente
enlatar) o nosso pequeno utilitário entre dois todo-o-terreno, e depois de
duas coçadelas da panela no lancil do jardim separador central desta via, lá fomos
atrás da massa populosa ávida de celebração mais pagã do que religiosa, com o
faro alvitrado para o fumo de onde saem todos os petiscos salgados desta festa.
Apesar da hora tardia, da manifesta falta de fome e dos objectivos dietéticos
desta ocasião “Sai um pãozinho com 'chóriço' a estalar aqui para a boneca”. E já
que era dia de festa e não estava sozinha, lá pedimos mais uma bifana, uma coca-cola e uma cervejinha geladas. Só visto! Um regalo para os olhinhos de
quem já quase esqueceu o sabor daquela bebida mágica que, dizem as más-línguas,
provoca erosão ácida, celulite e é muito útil para desentupir os canos. Só vos
digo, é tudo gentinha vazia de espírito, sem paixão pelas coisas boas da vida e
que provavelmente vai envelhecer solteira e chata: vale bem a pena um minuto de
prazer na boca, uma hora de peso na consciência e um ano de casca de laranja
nas coxas, porque os senhores das farmácias também têm que vender aqueles
cremes maravilhosos que não funcionam e assim é da maneira que os nossos
maridos ficam com ideias profícuas de presentes. Mas como tudo o que é bom
termina sempre, rapidamente se assolou sobre o meu estômago uma overdose
nutricional que ultrapassou o seu "Estado Limite de Utilização", conferindo-lhe um mal-estar
insuportável que, num ápice, pôs termo às festividades gastronómicas - nitidamente, um erro no cálculo das solicitações de um órgão, por sua vez deficientemente dimensionado com o objectivo de permitir ao utilizador vestir um par de calças com 10 anos e respirar ao mesmo tempo.
Uma hora volvida e a festa estava
no fim, para nós, velhos na casa dos 20 e dos 30. Ficou por visitar a igreja barroca (o
verdadeiro ícone religioso desta romaria, só venerado e visto por 13% dos visitantes da
festa), mas os altares ainda não estavam preparados pelas mulheres dos
pescadores, a noite ia avançada e seria de extrema importância não exportar o
meu jantar para a sarjeta dos serviços municipalizados do concelho. Faltou também dar o pulinho
ao Padre Grilo e colaborar solidariamente com a sua obra. Mas estou certa que
não faltarão oportunidades para ir lá buscar mais uns saquinhos com “relíquias”,
na esperança da boneca “gatinhante” ainda lá estar, aproveitando o momento para
saudar os senhores dos Pan Pipes, as
senhoras africanas que vendem djambés
e fazem trancinhas e transportam os filhos às costas (tudo ao mesmo tempo), os
vendedores de manjericos, de tachos, de chapéus e todos os imigrantes ilegais
que negoceiam a elevada qualidade das falsificações rascas das melhores marcas
internacionais – tudo em prol da nossa saúde ocular. Também não fui aos
“carrosséis”, mas este tipo de actividade, assim como o bailarico que estava
ali ao pé, seria totalmente incompatível com o estado gástrico do meu devaneio
culinário - isso e uma eventual facadita proporcionada pela falta de segurança local.
E lá voltamos para a nossa
viatura de barriga cheia de festas populares, rezando ao São João, ao Santo
António, ao São Pedro e, claro, ao Senhor de Matosinhos, para estarmos cá para
o ano outra vez a comer outro pãozinho com chouriço e, quem sabe, comer uma
fartura ou duas. Isto, claro está, se o FMI não decretar o FIM da nossa conta
bancária e se o Passos Coelho não acabar com estes feriados que me dão tempo
para comparecer as estes eventos (e para publicar o seu registo).quinta-feira, 2 de junho de 2011
Tempo extra procura-se
Desta vez não peço inspiração. Só queria um tempinho livre para escrever, nem que fosse sobre os pepinos avariados, sobre a onda das artes marciais que se abateu sobre os moços e as moças deste país, ou sobre a nova moda da humanização dos candidatos a São Bento - gostei muito de ver o Passos Coelho a ser entrevistado sentado na relvinha, sem dúvida. Alguém tem umas horinhas que me ceda? Prometo pagar com juros...
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| Relógios Moles - Salvador Dali |
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Originalidade
"A originalidade não reside em dizer o que
ninguém antes afirmou, mas sim em dizer exactamente o que pensamos." -
James Stephen.
| "O Pensador" - Auguste Rodin |
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Apocalipse Now
3ª Feira: não tão má como a 2ª, mas razoavelmente longe do final da semana para ainda não soar a descanso. Depois de um dia de trabalho, de uma penosa ida ao ginásio, de tirar roupa da máquina, de tirar a roupa do estendal, de encher com roupa a máquina e de colocar no estendal outra roupa, nada como um bom filme para restabelecer os níveis energéticos e fazer o “ESC” dos problemas do trabalho. Deixo a minha metade boa encarregue da selecção da fita cinematográfica, impedindo, desta feita, que a minha opção o faça adormecer ainda antes de aparecer o título do filme. E aguardo com a calma do costume pelas cenas de violência gratuita, de carros e prédios a explodirem, meteoros a bombardear o planeta, cyborgues a quererem controlar o mundo, e outras que tais às quais já adquiri imunidade e que me fazem sempre sucumbir à sonolência. Para me convencer de que não era necessário criticar a sua opção, saiu-se com um “Foste tu que me disseste para pôr a gravar… naquele dia, lembras-te? Naquele dia… à tarde… em que tínhamos a casa cheia de gente e tu… andavas muito ocupada a fazer coisas boas para o lanche, como… bolachas com pimenta. Lembras-te?” Efectivamente lembrava-me dos scones em que, acidentalmente, foi adicionado pimenta em vez de sal. E ele serviu-se do facto de nesse dia a frequência dele ser FM e a minha AM, pelo que a desculpa colou. Como seria de esperar, o filme longe estaria de um lindo romance que acabaria com dois velhinhos debaixo de um alpendre a ver o pôr-do-sol enquanto viravam as páginas de um álbum de fotografias queimado pelo tempo e afagado pelo amor que os uniu durante todos aqueles anos. Também não seria nenhuma comédia cuja hilaridade me permitiria pendurar no bengaleiro as minhas inquietudes, não senhor! Do mesmo modo, não iria ser nenhum drama intenso, com poucos efeitos especiais, mas com uma carga psicológica tão forte que nem me deixaria pousar a cabeça no sofá. O filme era sobre, nada mais, nada menos, do que... o APOCALIPSE!!!
Sim, o apocalipse. No dia em que o nosso “primeiro” fecha com o FMI o PEC 4 ½, a escolha ideal será, indubitavelmente, ter diante da nossa 37’’ (televisão, entenda-se) a antevisão disfemista do nosso fim. Como já referi por várias vezes neste blogue, a crise tem-se vindo a alimentar de mim e a roubar bocadinhos do meu ser, todos os dias. E se isso se reflectisse na balança, menos mal, o pior é que nem isso! É uma espécie de parasita da alma (já para não dizer que o é do bolso de todos os portugueses de classe média), que me consome a esperança em que no dia em que for despedida vou ter subsídio de desemprego, a força para remar contra o aumento da retenção na fonte e a vontade de querer sair do buraco escavado na minha conta bancária pelo aumento do IVA. Assim, só me resta ver a coisa como o barquinho a afundar lentamente, qual Titanic, sem que exista um qualquer grpo de violinistas a embalar docemente o nosso desvanecimento.

Ao cabo de cinco minutos após o início do filme, estava já a ligar o computador. Foi mais ou menos naquela parte em que vi a simbólica senhora de idade de andarilho, com a placa dentária impecavelmente branca a combinar com os seus geométricos caracóis alvos, a trepar paredes, a caminhar no tecto e a morder toda e qualquer forma humana que lhe aparecer à frente, com aquele olhar demoníaco que me fez lembrar os pesadelos que tinha em miúda com o “Homem do Saco”. Credo! E pensei “Humm… Não sei bem porquê, mas acho que não vou gostar deste filme. Vou ver se tenho correio”. Entre diapositivos de correntes de azar e filmes de chineses a jogar à bola com binóculos, lá fui dando umas espreitadelas àquele suplício, na tentativa de lhe dar uma segunda hipótese (e uma terceira, e uma quarta, e uma quinta). Mas tenho que reconhecer que vendedores de gelados com serras no lugar de dentes, feitos homens-elástico para apanharem as pessoas, exércitos de zombies e homens crucificados de cabeça para baixo, com o corpo coberto de bolhas prestes a explodir um ácido ultra corrosivo, não são exactamente aquilo que faria o meu dia um pouco menos enfadonho.

A certa altura pensei que
entre assistir àquele cataclismo fantasmagórico e à abordagem feita pelo
António Costa do Diário Económico às medidas de recuperação impostas pela
Troika, que viesse o diabo e que escolhesse a minha direcção. E veio o Diabo e
escolheu a crise.
Continuo sem perceber qual dos dois me provocou mais pesadelos esta noite.
Para os mais curiosos, fica aqui o link para o trailer do filme. Quanto ao resto, é só ver as notícias, ouvir a rádio, ir ao supermercado, andar de autocarro, encontrar um vizinho no elevador, tomar café no emprego, ...
quinta-feira, 21 de abril de 2011
A força de um "Dragounhe"!
Não sei se é por ser Páscoa e
ser um período de introspecção e paz, se é por gostar muito da minha cara-metade,
mas a verdade é que há já muito tempo que deixei de celebrar os golos do
Fêquêpê contra o Benfica. Com o propósito de conter uma alegria exacerbada,
abri o computador e comecei a escrever.
Faltam 30 minutos para o jogo da meia-final da Taça de Portugal terminar
e o resultado está 0-0. Cumprindo os votos que trocámos no dia em que nos tornámos
Um-Só, achei que não só na alegria como também na tristeza deveria estar ao
lado dele, neste caso concreto, à sua frente, a apoiá-lo. E bem que precisa de um
amparo, já que decidiu assistir ao jogo num restaurante cheio de portistas, que
de 2 em 2 minutos grita “é golo, é golo”, ainda que a bola vá no meio campo do
Porto. Mas o espírito vencedor que se instalou em todos os portistas por estas
alturas não fica por aqui. Mulheres de maquilhagem televisiva roem as suas unhas de gel e não olham a meios para encher a boca toda no momento de ofender a equipa adversária. O mesmo indivíduo que berra “é penalty”, sem que
ninguém tenha marcado falta e com a bola ainda no meio campo, não se cansa de
chamar “assassiiiiiiino” sempre que algum jogador da sua equipa de eleição
sofre uma falta – e garanto que chega a um ponto em que, alguém como eu que
está debruçada num computador minúsculo e vai olhando de soslaio para o grande
ecrã do restaurante, mais parece estar numa batalha campal do que numa pizzaria
onde as famílias costumam ir almoçar ao Domingo. São inacreditáveis as reacções
a que se conseguem assistir quando observamos estas pessoas como se
estivéssemos do outro lado do vidro.
O maridão, coitadito, não se
manifesta. Combate os nervos como pode. Disfarça a desilusão como consegue. E
no meio da selvajaria, que entretanto se instalou neste espaço, acho que já se
deve ter arrependido uma série de vezes de ter resolvido assistir a mais uma
derrota do glorioso no seio de tantos dragões. E os seus olhos, mais do que
tudo o resto, denunciam a sua tristeza.
As blasfémias sucedem-se.
Expressões nunca antes ouvidas ferem os meus ouvidos azuis (imagine-se o mal
que isso deve fazer aos dele). Acho que a frase da noite, para além de todos os
palavrões que se possa imaginar, foi “chupa, cão”, repetida vezes sem conta.
Chupa, cão? Mas o que é isso, Senhor? Todas as faltas dão direito a cartão
vermelho. Todos os remates conduzem à concretização, e valha-nos Deus se o
árbitro pensasse como eles! O mais caricato é que estamos a falar de pessoas de
um nível social, aparentemente, privilegiado que, ainda antes do jogo, falavam
de estratégias financeiras e de benchmarking, e que num instante despiram os
seus fatos de executivos bem sucedidos e assertivos e vestiram a pele de
verdadeiros bichos, quase rasgaram as cordas vocais de tanto gritar e
conseguiram contagiar toda a sala com este espírito grosseiro e rude - sinal
verde para aqueles que, com o seu típico sotaque tripeiro, se estavam a conter
para não libertarem tudo o que era costume dizerem em outros locais menos
selectos e mais… arejados! Foram precisos somente breves segundos para que toda a gente
da sala, excluindo a minha metade boa, uma discreta amiga do grupo animalesco e
eu, desatasse a lançar “piropos” indecorosos ao árbitro, a saltar em cada
momento de tensão do jogo, a trocar cachecóis, a abraçar-se, a partir copos
com os gestos bruscos, a dançar e a celebrar os golos aos pinchos e aos
berros.
Fica para a história da noite a celebração
dos golos do Porto, no modo repeat como é habitual após a conclusão do jogo,
como se fosse a primeira vez que estivessem a ver a jogada, como se o porto não
tivesse ganho e como se disso dependessem as suas vidas. Fica para a memória
também a frase que ouvi agora na mesa do lado, proferida ao empregado de mesa,
chamado pelo cliente: Por favor, desligue a luz porque estamos habituados a
celebrar às escuras.
Fim de jogo. Resultado: 3-1 para
o Fêquêpê. A fera acalmou e voltou o sossego. Regressaram também as conversas
racionais, os vocábulos amadurecidos e os assuntos que nos transportam
imediatamente para a realidade que estávamos a viver ainda antes de ser dado o
apito para o início da partida: “80 mil milhões de euros”, “A catástrofe
instalada no país”, o “FMI” e a “banca nacional”.
Em todo o caso, "vamos lá cambada" tomar as devidas precauções para ver se não ficamos como o belo exemplo que se segue:
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segunda-feira, 18 de abril de 2011
Cristo Ressuscitou, Aleluia, Aleluia!
Finalmente chegou a Páscoa. Se eu
mandasse, esta festa nunca iria surgir tão tardiamente no calendário, porque
não faz sentido absolutamente nenhum vir o cabritinho assado e as amêndoas (ai,
as amêndoas!) ao mesmo tempo que uma pessoa anda a fazer malabarismos para
emagrecer uns quilinhos, dada a proximidade ao período da praia, de casórios, de
comunhões, de baptizados e outros que tais, em que se exige um elevado nível de
exposição corporal. É completamente impossível a compatibilização de 1,2Kg de
maçã cozida, três dias por semana, com o folar e os ovos de chocolate. Muito má
ideia a destes senhores, que criaram estes calendários que ninguém é capaz de
compreender e de prever, devido à sua fórmula matemática praticamente
indecifrável aos olhos do comum mortal. Com todo o respeito, mas… Tss, Tss, Tss
(tentativa de simulação de estalidos de desilusão conseguidos por efeitos de
sucção da língua no céu da boca).
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| http://mulhertrinta.blogspot.com/2011/04/feliz-pascoa.html |
A minha Páscoa tem vários
momentos: quatro, para ser mais precisa, todos eles recheados de instantes
“apetitosos”, capazes de despertar o apetite a moribundos e anorécticos.
De há uns anos para cá, sem saber muito bem o motivo, resolvi, juntamente com alguns dos meus amigos, respeitar, com todo o rigor gastronómico que o acontecimento religioso exige, a 6ª Feira Santa. Nada de bifes; nada de carne assada; alheiras, nem vê-as; e carnes de caça, muito menos! Assim, sorrimos orgulhosamente para o empregado enquanto proferimos palavras que anunciam um jejum religioso, uma contenção alimentar e um extremoso respeito pelas tradições da quaresma “é um arrozinho de marisco, por favor, duas sapateiras para a entrada e, já agora, 1,5 kg de amêijoas “à bolhão pato” com aquele pãozinho de alho quentinho que vocês têm”. Muito bem! Aos poucos e poucos vamos assim angariando uma parcela de terreno (in)fértil no Céu.
No Sábado, é dia de Sogros.
Franguinhos das Medas ao almoço, a 130 Km de casa, que nos fazem chorar, berrar
e espernear por mais, porque são simplesmente os melhores mini-frangos assados
que já tive a oportunidade de experimentar em toda a minha vasta vida de
provadora de churrasco. Isso e a canjinha de galinha, que inicia o momento
divino da degustação. Juntos impedem toda e qualquer tentativa de manter
intervalos regulares de três horas entre refeições ligeiras, porque não há
estômago que aguente outra refeição em tão curto espaço de tempo. E, após uma
visita à capital distrital da região (mais 80 km de passeio de automóvel, para
“fazer a digestão”), lá saltamos para a refeição soberana do dia. Antecipando o
almoço do dia de Páscoa para o Jantar de Sábado Aleluia, o banquete consuma as elevadas
expectativas criadas em relação à qualidade do soberbo repasto, desabotoa o botão
das minhas calças e abre o frasco dos sais digestivos. Mais uma dúzia de
amêndoas para adoçar a conversa que rompe a madrugada e, ainda com o caprino às
voltas com os sucos estomacais, rendemo-nos à moleza provocada pela barriga
cheia e vamos dormir.
No dia de beijar a cruz, a
alvorada é apressada e, por vezes, dolorosa. Ainda com a boca a parecer papel
cavalinho, e a imitar a manhã do dia de Natal, de uma só golada bebemos 1 copo
de coca-cola para desobstruir as vias digestivas, abrindo, desta feita, espaço
para o novo carregamento que se aproxima. Vestimos uma roupita, com sorte, a
estrear, e voamos rumo aos meus avós maternos, numa viagem de 200km. Sem deixar
descansar as pupilas gustativas, as glândulas salivares entram novamente em
funcionamento, desta vez na sua máxima potência, porque vem aí o anho assado
(borrego para os menos acostumados com estes termos mais rurais). Tenho que
fazer um esforço gigantesco para me abstrair da ideia de que o petisco que jaz
no meu prato, velado pelas batatas, pelo arroz e pelos grelos, andava há poucos
dias completamente desorientado pela cozinha à procura da minha avó para
receber o biberão de leite, soltando impacientes e ensurdecedores méeeees e pinchos de força
descontrolada. Acaba o borrego, mas não acabam os repastos. A tradição manda ir
a casa das pessoas afagar Cristo Ressuscitado com um beijo nos seus pés, exaltar
“Aleluia, Aleluia” e sorver de uma assentada só, porque se faz tarde e o
compasso não espera, mais uma fatia de pão-de-ló de Ovar e um copito de vinho
fino. Graças ao Senhor que sou abstémia, ou seria uma fortíssima candidata a perder
tantas e tão boas memórias das Páscoas da minha infância. A recordação mais
forte que tenho é a regueifa circular – tradicionalmente era com este pão que
os padrinhos presenteavam os afilhados e que, se a sua idade e perímetro
cefálico permitissem, era enfiada cabeça abaixo. Seguiam-se momentos de
verdadeiro terror para a criança, que durariam até que os adultos se enchessem
de tirar fotografias com a criança a chorar inconsolavelmente sobre o alimento.
Lembro-me também de vestir roupa nova neste dia, colecção Primavera/Verão, e de
exibir, quando a Páscoa calhava numa época dita normal (Março), carregada de
vaidade, os pêlos eriçados pelo frio e a pele molhada pela chuva, porque o
casaco tapava a minha t-shirt nova! Bons tempos!
O quarto momento da minha Páscoa
é quando ainda nos restam forças para mais 100 Km de viagem e vamos a casa do
afilhado da minha metade boa. E para não baixar a média, mais bolos, mais
bebidas, mais pecados gastronómicos que atingem o meu plano alimentar como
balas deixando-o fragilizado e mortificado.
Resultado final: 600 e tal kilómetros de viagens automobilísticas, muitos beijos em crucifixos metálicos cheios de "micrómios" (como diz o meu afilhado), algum mal-estar digestivo e uma dieta de 5 semanas que irá recomeçar do zero (ou de um valor ainda mais negativo). O que vale são as barrigadas de riso, os banquetes de conversa e todas as recordações que se criaram e que se acrescentam às dos anos anteriores, que são apenas o que interessa conservar num lugar bem guardado no nosso coração e na nossa memória.
NOTA: O cartoon aqui apresentado é da autoria da ilustradora Cibele Santos, pelo que deixo aqui a recomendação para visualizarem o blog dela, porque está, simplesmente, DEMAIS!!! Não só apenas as mulheres, como também muitos homens, compreenderão cada letra e traço que ela publica.
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