segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

God save the Queen

Hoje quis abandonar um pouco as trivialidades que caiem do meu Céu para falar sobre uma determinada situação com a qual tenho vindo a ser confrontada, cada vez com maior frequência. E isto pode ser polémico...

Ando a ficar um bocado… “possuída” com o facto de nos dias que correm toda a gente andar para aí a falar e a escrever em inglês, como se assim as suas palavras se cunhassem com maior impacto, ou como se só assim fizessem algum sentido, do you know what I mean? Eu compreendo que o fenómeno não seja recente, muito pelo contrário. A importação dos filmes de Hollywood e da música Rock fizeram há bastantes décadas com que as portas se abrissem. A necessidade de uma linguagem universal nos negócios, no conhecimento e nas viagens alargou caminho. E, off course, tudo isto contribuiu de sobremaneira para a adopção de tantos estrangeirismos na nossa linguagem: na comida (hamburger), no penteado (brushing), na roupa (jeans), na economia (cashflow), etc. Não sou uma entendida nesta matéria, mas o que considero ter criado a verdadeira auto-estrada da globalização da língua foi a tecnologia. For instance: por muita informação traduzida que exista hoje em dia, os jogos de vídeo/PC são em inglês; as linguagens de programação são em inglês; os computadores apresentam muitas instruções em inglês; e à distância de um clique, a internet dá-nos tudo o que quisermos, e que não quisermos também, em inglês.  For God's sake! Como é que não se pode esperar que a Sua Majestade e o tio Sam apareçam, assim, tão espontaneamente na nossa oralidade? Mas não é isso que me põe os nervos em franja. É, sim, quando essa atitude passa a ser plenamente intencional.

A chegada do facebook, do twitter, do flickr, do hi5, do Buzzand soo on, fizeram com que esta impulsividade na utilização do inglês fosse transportada para a escrita informal das redes sociais. As fotografias são legendadas com frases tiradas de romances de casa de banho, mas que, por estarem escritas naquela língua, se transformam em obras dignas de Nobel. A indignação ou satisfação perante um comentário alheio mais impertinente não poderá ser, em tempo algum, reconhecida e respeitada se for publicada na língua de Camões. A frase que melhor caracteriza o status de alguém fica sempre melhor se for um extracto de uma música de uma banda americana dos anos 80. E quando alguém quer parecer verdadeiramente diferenciado pela sua extrema sensibilidade e intelectualidade, pimba, espeta com uma suposta verdade absoluta e irrefutável em inglês, que nos faz pensar “coitado, o gás deve ter acabado no momento em que estava a tirar o champô”. Há mesmo quem se recuse a escrever o que quer que seja em Português. Jesus! (em itálico precisamente para se perceber que deve ser dito em inglês) E às tantas, se são interpelados por um turista que lhes pergunta “Dou you speak English?”, eles ainda são capazes de retribuir com um “Un peu. Un peu”. O jeito que dá ter tradutores online sempre tão disponíveis aos nossos devaneios…

Não quero aqui vestir a pele do corpo de júris dos Ídolos quando os concorrentes teimam em não optar por músicas nacionais, nem parecer exageradamente crítica nem intransigente a este respeito, mas fazem-me espécie estas coisas. Existem palavras unicamente em português, sem qualquer tradução noutras línguas, pelo que facilmente se compreende que temos uma língua riquíssima. Então qual é o objectivo de se manchar constantemente a nossa linguagem com palavras que não pertencem à nossa cultura nem à nossa vivência? Qual é o fundamento para que uma personalidade da cena da música portuguesa, que está para aqui na televisão a ser entrevistada, que ganha prémios e que representa Portugal nos concertos que dá no estrangeiro, esteja a dizer que a nossa música, lá fora, é cool. CoolWhatever, há fenómenos que me transcendem. Qualquer dia andamos por esse mundo fora a cantar o fado “Oh people of my homeland” e a comer “Oporto Way's Guts” (haverá tradução para tripas ou, melhor ainda, haverá algum outro povo no mundo que as coma?).

O pior de tudo é que eu sou uma dessas pessoas… Não que o faça com regularidade, muito pelo contrário. Mas de vez em quando, sem querer, ou de propósito, sai-me. Mas prometo que vou deixar de o fazer, so help me God!

By the way, fica aqui um miminho para quem tem este e outros problemas de expressão…


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Pinheirinho, pinheirinho, de ramos caídos.

Antes das feras...
Porque hoje é noite de Reis e termina, oficialmente, o período das festas, tenho de fazer aqui um desabafo.

Antes de mais apresento ao blog o meu pinheirinho de Natal. Era um pinheirinho tão formoso e tão seguro!

Mas a verdade é que este ano é o primeiro em que estou ansiosa por guardá-lo, com muito desagrado meu. Se no ano passado já tinha sido mau, então foi apenas o prenúncio de que algo pior iria acontecer!

Este é o 3º ano que passamos com este pinheirinho e não teríamos razões de queixa se não fossem as minhas feras, que adoram interagir com os seus ramos longos, com as suas folhas barulhentas e com as bolas e enfeites cintilantes. Ele é que, pelos vistos, não acha grande piada ao facto das feras quererem, também elas, fazer parte da decoração. E depois fica assim, triste, descaído, mal arranjado e com a estrela a apontar para Meca, talvez a pedir a outros deuses ajuda para o livrarem deste suplício!
... depois das feras.
Agora até damos com ele no chão, despido de enfeites e de dignidade! Já o pulverizamos com um spray próprio para “repelir” gatos, mas as feras rapidamente se adaptaram a essas condições adversas e lá continuaram a trepar pela árvore acima. E quando chegamos à sala lá vão eles a correr com o rabinho entre as pernas, cientes de que fizeram asneira da grossa, e depois ficam a olhar para nós, como quem diz "Não fui eu, foi a rena branca". Já o recompusemos mais de duas dúzias de vezes, mas a depressão mantém-se. E volta e meia, sobretudo quando estão sozinhos na sala, lá ouvimos “toc (…) (…) (…) toc (…) (…) toc (…) toc toc toc toc” - tentativa falhada de simular a queda de uma bola ao chão. Até fico verde!!!!


Desistimos de a compor. Agora só vai ser arranjada para o fim-de-semana dos Reis e depois terá o seu merecido descanso por mais 1 ano, pelo menos!

Sofrer para saudável ser!

Uma das minhas resoluções para 2011 está relacionada com a prática desportiva. Essa é uma inquietação constante para mim, quer por ser sempre tão difícil encaixar esta actividade nos meus finais de tarde, quer por ser cada vez mais complicado encontrar argumentos válidos para NÃO ir e ficar com a consciência imaculada.

Há uns tempos atrás li em qualquer lado que “com a idade, o nosso organismo perde a capacidade de reciclar toda a porcaria que metemos cá dentro”, como se isto fosse uma central de valorização orgânica... Eu cá dormia bem mais descansada com a outra máxima, a de que “as calorias são pequenos animais que moram dentro dos nossos roupeiros e que, durante a noite, apertam a nossa roupa”. Pois bem, seja qual for o fundamento responsável pela desproporcionalidade entre a minha volumetria e o tamanho das roupas, está mais do que na horinha de fazer alguma coisa pela minha saúde.

Segue-se então uma breve análise racional da “coisa”. Do lado dos prós… bem… as vantagens são mais do que suficientes, pelo que fazer este exercício parece no mínimo ridículo. Mas adiante! O lado positivo tem que ver, sobretudo, com a aquisição de um estilo de vida saudável: conseguir correr atrás da minha metade boa prescreve, efectivamente, uma admirável preparação física e uma notável coordenação motora, sobretudo depois dela desistir de esperar por mim quando lhe digo, pela 5ª vez, “só mais 2 minutos”, enquanto tento equilibrar-me em cima de uns tacões de 10 cm no “paralelo acima, paralelo abaixo”, ao mesmo tempo que seguro nos óculos, nas chaves, nos lenços, no batom de cieiro, nos brincos, no relógio, no cachecol e no chapéu de chuva.
Além disso, sou uma pessoa naturalmente preocupada e ansiosa, pelo que o exercício provou ser o meu Prozac particular. Por outro lado, tenho posturas a trabalhar ergonomicamente desaconselhadas e o inverno tende a congelar-me até à medula, sendo que a actividade física, como já tive ocasião de comprovar, baixa drasticamente o aparecimento de mais maleitas nas minhas costas, o que diminui a minha capacidade “hipocondrófila”. E claro, não podia deixar de referir este motivo: as idas ao ginásio fazem-me (acreditar que consigo) emagrecer uns quilinhos, mesmo que isso me dê o pretexto para no dia do ginásio ter de me alimentar melhor – e melhor, entenda-se, é muitas vezes satisfazer uma compulsiva carência de sacarose… Finalmente, é nestes momentos que tenho a oportunidade de afiar a língua porque, como toda a gente sabe, ninguém, muito menos as mulheres, gosta (nem consegue) ir ao ginásio sozinho. E não deixa de ser engraçado (e embaraçoso, também) quando damos conta que estamos a falar tão alto que todos os outros clientes já tomaram conhecimento que tivemos consulta no ginecologista na véspera. Enfim! Correr, saltar, pedalar revitaliza o corpo e tonifica o espírito! Só boas razões para não dar desculpas…

Do lado negativo… Já sinto as minhas faces a enrubescerem com a vergonha, mas a verdade tem de ser dita! Para começar, o meu ginásio é do outro lado da ponte, numa longínqua cidade em que eu não trabalho nem vivo (ainda que só demore 20 minutos a lá chegar em hora de ponta), sendo que escolhi esse apenas pela companhia. Além disso, este inverno tem sido muito rigoroso e toda a gente sabe que é pavoroso sair do trabalho para se afundar no trânsito de chuva e ainda ter de atravessar a ponte para ir para o outro lado - já deu para perceber que isto da "ponte" tem uma enorme carga psicológica subjacente. Também tenho uma vida social muito preenchida e, curiosamente, aparece sempre alguma coisa nesses dias. Ou seja, entre a dor na narina esquerda, idas ao supermercado para comprar salsa, possível queda de granizo e necessidade de arrumar a gaveta das cuecas, lá aparece sempre um bom subterfúgio para não suar a t-shirt.

Bem vistas as coisas, empreguei mais do dobro das palavras para identificar as vantagens em ir ao ginásio do que para não ir. Desta forma, se calhar não é pior começar a pensar em beneficiar da mensalidade que pago e começar a ir as duas vezes por semana, até porque o IVA aumentou – nos 2 meses anteriores paguei mais para ir 3 vezes por semana e quase não pus lá os pés. Mas há que ir com calma, senão ainda me posso magoar, ou ficar demasiado musculada ou, sei lá, ficar viciada naquilo… :) Tenho de impor a mim mesma uma espécie de castigo se faltar, do género, por cada vez que não for, ter de limpar o forno, ou lavar com uma escova de dentes os buraquinhos das persianas. Mas a quem prestaria contas? Também já considerei a ida a uma nutricionista, porque aí teria de apresentar resultados e como não sei mentir teria mesmo de ir ao ginásio para não ficar mal nas consultas quando ela me questionasse sobre o exercício nessa semana. Se calhar vai ter mesmo de ser…

Tenho uma amiga que vai para o Brasil agora. À parte do trabalho que vai desenvolver, vai ter a oportunidade conseguir “malhar” todos os dias na “academia”. Vai praticar modalidades distintas, umas mais orientadas para o espírito, outras para o corpo. E por gosto! Há mesmo quem faça isto por prazer? Será que algum dia vou ter essa sorte? Para mim é tipo xarope para a tosse… Há uns anos comprei um aparelho de fazer abdominais – acho que ganhou ferrugem. Há dois anos e tal recebi uma bicicleta no Porto Bike Tour, mas não ando com ela porque é muito presa e tem um selim muito duro.
Passados poucos meses adquiri uns patins que usei 3 vezes porque me parece que deslizam pouco. A minha irmã que ganha a vida com o desporto (irónico, não?) já me deu uma bola suíça, uns elásticos, um tapete e mais qualquer coisa que não me estou a lembrar, mas arrumei aquilo em qualquer lado e não encontro. O maridão comprou um vibroshape, embora nos esqueçamos sempre de o usar. Mas ainda me deve faltar algum cromo para completar a colecção e abrir um ginásio em casa. Deve ser mesmo isso que falta para começar a gostar e a querer fazer desporto. Vou procurar diversificar os exercícios, vou frequentar outras aulas e largar um pouco o tapete, a bicicleta e os pesos de sempre. Porque o que custa realmente é tomar a decisão de ir e ficar lá 2 horas a treinar. De resto, não há nada melhor do que a sensação de dever cumprido no momento da saída!

domingo, 2 de janeiro de 2011

O tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem.

Ao longo dos anos tive a oportunidade de reparar que, sem prejuízo de violar qualquer lei da física, a passagem do tempo para mim está dotada de uma certa aceleração. Com isto quero dizer que a velocidade a que as horas, as semanas e os meses passam é crescente, sem que na maior parte das vezes me consiga aperceber disso. E no que diz respeito a esta aceleração, pode-se dizer que a minha vida tem duas grandes fases, AM e DM, respectivamente, Antes e Depois de atingir a Maioridade.

Durante a minha fase AM, conseguia catalogar toda a minha vida por anos escolares. Associados a cada ano vinham os amigos, as mudanças morfológicas, as músicas, as matérias escolares e as paixonetas, sem esquecer acontecimentos políticos, desportivos e sociais da época! Como era fácil para mim relacionar a prestação da “Geração de Ouro” tuga no campeonato europeu de futebol de 1996, com o desembarque da Normandia que era uma das matérias das provas globais que estavam, simultaneamente, a acontecer, e para as quais me preparava ao som da banda sonora do filme “Romeu e Julieta”. Obtinha, assim, um cruzamento perfeito de toda a informação, permitindo-me sem grande esforço contextualizar muito rapidamente qualquer acontecimento dessa altura. E tudo acontecia muuuuuito devagar. Os períodos lectivos pareciam intermináveis. A distância entre os testes era tão grande que nos fazia esquecer tudo o que tínhamos aprendido até então. Além de serem longas, as férias demoravam a passar, sobretudo se nunca mais tínhamos encontrado aquele “alguém especial” com quem apenas tínhamos trocado olhares cúmplices sem nunca termos sequer falado, mas que ainda assim a ansiedade pelo reencontro fazia esticar ainda mais aquela grandeza. Um ano na minha vida, naquela altura, era o suficiente para tudo mudar: o corpo, as ideias e os interesses. Num determinado ano calçava botas de tacão, vestia calças vincadas e ía à discoteca da moda – onda trendy. No ano imediatamente a seguir usava calças tão largas que cabia o equipamento de ginástica lá dentro, trazia a barriga quase sempre à mostra, independentemente da temperatura, e frequentava os bares alternativos onde passava tudo menos a música que toda a gente sintonizava nos walkmans – onda indie. Os rótulos eram excessivamente importantes nessa altura, doentios até.

Maioridade atingida - fase DM. E numa noite, mais precisamente numa 5a feira académica (numa daquelas 5as feiras em que a minha primeira aula começava às 8h e a última só terminava às 20h), sentei-me ao pé de uma mesa do bar onde a comunidade estudantil costumava ir beber uns copos e dançar, como se o dia seguinte não fosse existir, típico destes espaços concebidos bem no coração da cidade. Deviam ser umas 4h e aqui a caloira estava de rastos, dada a infinidade deste dia. Fui abordada por um colega finalista que não reconheceu em mim aquela ausência de energia e que me “ordenou” que aproveitasse, ao máximo, o tempo que tinha pela frente. Segundo ele, a partir do meio do curso o tempo iria passar a uma velocidade louca, pelo que era imperativo sorver todas as experiências, saborear todos os momentos e desfrutar de todos os minutos. E assim aconteceu. 

A partir dessa altura, os dias tornaram-se mais rápidos e os meses mais curtos. “Para o ano já vou no carro do cortejo”, “O próximo é o último ano!”, “Já sou finalista.”, “Tenho de mandar CV.”, “Esta é a minha última queima das fitas, snif, snif…”, “Passei à minha última cadeira”. E sem dar por isso, estou sentada à frente de um computador com o logótipo de uma empresa a aparecer como fundo do desktop, com horas estabelecidas para comer, para dormir, para tomar café e para momentos de lazer: a minha vida transformada num plano de trabalhos com duração, custos e mão-de-obra necessários bem definidos para a empreitada de execução do meu “projecto de vida”! Agora, nunca sei a quantas ando. Tão depressa é 2ª feira, como estou a desejar bom fim-de-semana aos meus colegas. Vejo um filme a pensar que o tinha ido ver ao cinema no ano anterior, quando na verdade já tem 5 anos. Ainda estou a saborear as doces lembranças das férias de verão e começa a azáfama do Natal, que rapidamente dá lugar à preparação das mini férias de Carnaval, a que, num instante, se seguirá o lufa-lufa da organização das férias grandes novamente. E mais um ano que passa. E outro e mais outro. A primeira ruga rasga o meu rosto, a recuperação das noitadas é cada vez mais dolorosa e vou pela primeira vez de urgência para o hospital com uma crise de coluna. São os sinais de uma velhice prematura imprimidos em alguém que mal deu conta que a adolescência acabou e que ainda estranha sempre que é chamada por “Senhora”!

Começa a bater forte a decepção de quem ainda não conseguiu consumar metade das intenções agendadas para 2010 por carência de tempo, por falta de oportunidade ou simplesmente por desmesurada preguiça (nem para 2009, nem para 2008 e muito possivelmente nem para 2007). Mas por mais vertiginosa que seja a velocidade a que o tempo passa, não posso dar esta desculpa - “NHD” como disse no primeiro post que fiz neste blog. “Tempo é o que fazemos com ele!” não foi o slogan de uma campanha publicitária de uma conhecida marca de relógios? Então será precisamente essa a minha palavra de ordem para 2011.

Cheguei ao final de mais um ano e é tempo de balanços e inventários! Está na altura de fazer promessas, de definir resoluções e de estabelecer os objectivos para o ano que está a nascer. Este ano vai ser diferente, pelo que fica aqui o compromisso registado das minhas resoluções de ano novo:
  •  Vou emagrecer 5kg (o que traduzido da linguagem das mulheres significa sempre, pelo menos, o dobro);
  • Vou ver menos séries da fox;
  • Vou praticar mais desporto, pelo menos o suficiente para me permitir subir um lance de escadas sem abafar;
  • Vou gastar menos dinheiro em vernizes, champôs e cremes que não uso;
  • Vou preocupar-me menos com as minhas hipocondríases;
  • E daqui por um ano vou estar aqui a registar (e não, “vou tentar”) o pleno sucesso deste meu plano para 2011, mesmo que o tempo fuja de mim, mesmo que eu corra atrás dele e não o alcance, porque significa que tentei até ao último minuto e que lutei pelo meu próprio êxito – com esta os meus amigos da Programação Neurolinguística ficariam muito orgulhosos!

Um feliz ano de 2011 pleno de concretizações, garantindo assim que a passagem do tempo não se volatiliza sem considerarmos que a nossa existência foi significativa para alguém e para nós próprios!


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Primeira prenda de Natal


Este fim-de-semana recebi a minha primeira prenda de Natal. Foi tão boa, tão boa, que conseguiu superar, e substituir até, uma série de outras prendas que gostaria de ter comprado e não comprei: chegou a conta da oficina! Estou maravilhada! Guardarei com dedicação o registo deste acontecimento, motivo pelo qual estou a pensar emoldurar a factura. Note-se que foi uma simples revisão (e não a mudança dos 4 pneus, mais a pintura, o sistema eléctrico, a transmissão, a suspensão, a embraiagem e a direcção).

Ao que eles cobram por hora, quando for grande quero trabalhar numa empresa alemã de reparação automóvel!


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Foste convidada/o...

Com o frio que aqui vai, hoje resolvi almoçar no trabalho, o que me deixou algum tempo para partilhar neste espaço o que me tem vindo a incomodar nos últimos dias.

Já aqui falei sobre o que gosto no Natal e uma dessas coisas é os jantares (quando se realizam e sobretudo quando não precisamos de vestir um fato de super-herói para que aconteçam).


Esta é uma quadra em que os jantares comemorativos da ocasião se multiplicam. Senão vejamos: Tenho quatro jantares da faculdade, um jantar do liceu, dois jantares de cursos de formação, um jantar de amigos, um jantar da empresa e um do sector onde trabalho. Graças a Deus que a crise se instalou e não tenho de ir aos jantares do maridão! Bem vistas as coisas, esta é uma altura com muito potencial para quase não conseguirmos ver as pessoas com as quais coabitamos.

Desde o início das conversações, foram trocadas três dúzias de e-mails (no caso de um grupo pequeno), alteraram-se as datas de metade dos outros eventos, criaram-se “enquetes” para que, online, possamos ver a disponibilidade de toda a gente, meteram-se dias de férias, trocaram-se jantares por almoços e dias da semana por sábados e domingos. Enfim… A seguir à compra das prendas, este é o verdadeiro drama de Natal. Valeu-nos a dificuldade de encontrar, apesar de toda a ginástica feita, datas livres que sejam comuns a todos os membros de cada grupo, para que alguns desses jantares acabem por não se concretizar, pelo menos até ao Natal. E facilmente passo de um mês com dez destes compromissos, para uma semana com apenas dois almoços (sendo que um deles é na hora do patrão) e um jantar, talvez dois…

Mas o drama não termina aqui. É preciso escolher o restaurante e como esta situação, pelas minhas contas, atinge aproximadamente 68,9% da população da cidade e arredores, a tarefa continua difícil, sendo que toda a gente sabe que encontrar um restaurante digno na altura das festas é quase impossível. Ok. Vamos então ver se a magia do Natal funciona: ligamos para os nossos restaurantes preferidos, onde podemos ir com um grupo sem que toda a gente olhe para nós como se fossemos extraterrestres, mas onde também não temos de dançar a “boquinha da garrafa” para sermos melhor servidos. Resposta: “Temos as reservas todas preenchidas. Se tivesse ligado mais cedo…”. Isso queria eu, se pudesse! Era sinal de que não me tinha chateado tanto! Mas, adiante porque é Natal e ninguém pode levar a mal. Passamos para o plano B: pesquisa na net. Tudo cheio. E ainda dizem que estamos em crise… Plano C, D, E, XPTO! E a única solução que encontramos é a churrasqueira brasileira, totalmente adequada às festividades, onde seremos servidos ao som de um sambinha em volume máximo, dançado por umas meninas demasiadamente bronzeadas para esta altura do ano, apenas vestidas com discretos enfeites de Natal. Ainda que contrariados, lá aceitamos porque o que estamos a fazer é por um bem maior: a reunião de velhos amigos!

E quando pensamos que tudo está tratado e nada mais pode acontecer, eis que se aproxima o dia do jantar da empresa e não temos o que vestir. Devia haver uma regra onde proibissem eventos formais no inverno. Não que não possa ir de calças de ganga e uma camisolinha de lã, até porque não há dresscode definido, mas mal penso no local e na passagem de modelos que foi nos anos anteriores, até me dão arrepios! Começo a explorar o meu armário (devia haver um motor de busca para estas coisas): "apertado", "desactualizado", "curto", "não tenho sapatos a combinar", "não tenho casaco a combinar", Ai!!!! E lá vou eu, de mala ao ombro e mau humor na alma, comprar uns sapatitos com um salto de 13cm que, tenho a certeza, ainda a caminho do jantar e a tilintar como os sinos de um coro de Natal, já me terei arrependido 5 vezes de os ter comprado e de não ter levado as calcinhas de ganga, a camisola de lã e as botas rasas. Está feito e nem penso mais no assunto. Recupero no dia seguinte. É verdade! No dia seguinte não posso, porque mesmo que chegue a casa às 3h30 da manhã, no dia seguinte há que picar o ponto às 8h30... da madrugada!

Resumindo: nestas alturas é que gostava de ser homem! Todo este drama tinha sido facilmente resolvido por eles em três tempos. Para começar, nunca iriam a 10 jantares, tentavam agrupar alguns. Depois, “só faz falta quem cá está”. Em seguida, para comer qualquer lugar serve, e se houver umas brasileirinhas à mistura, tanto melhor. Quanto à indumentária formal, o mesmo fato, a mesma camisa e a mesma gravata de todos os anos anteriores estaria muitíssimo bem.

Às vezes acho que os homens são bem mais felizes do que as mulheres...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

28 Vezes Natal

Antes de mais, devo advertir que este texto, se não for lido ao som de uma música de Natal bem alegre, corre sérios riscos de perder metade do interesse e adquirir o dobro do aborrecimento, até porque a palavra Natal e suas derivadas são aqui repetidas 27 vezes. Desta feita, recomendo a sua leitura ao som da seguinte trilha (mas baixinho, para não ficar a doer muito a cabeça):




Esta é uma época particularmente agradável para mim. Quando acabam as férias e os dias são encurtados pelo frio, pela chuva e pelo vento, inauguro a contagem decrescente para o dia 1 de Novembro. 1 de Novembro?! É certo que o Advento só tem início a 1 de Dezembro, mas quanto mais longa for esta época, melhor! Alcançado este dia, a partir do qual os hipermercados começavam a estar abertos de manhã à noite, todos os dias, repetindo indefinidamente promoções natalícias e cânticos da época, reinicio a riscagem dos dias no calendário, agora até ao dia 1 de Dezembro, para poder montar o pinheirinho, cumprindo todos os preceitos da tradição. Esta tarefa será repetida, seguramente, mais 20 vezes até à véspera do Natal, dada a insistência das minhas feras em fazerem parte da sua decoração. E a partir daí, gostaria que o tempo parasse. Mas nem adianta pedir isso ao Menino Jesus porque os dias voam até ao dia 24 mais depressa do que as nove renas do Pai Natal na Noite Feliz.

Adoro o Natal pela mesa na Consoada, preenchida pelas pessoas que amamos, apesar de faltar sempre alguém importante, por muito grande que seja a mesa.

Adoro o Natal pelo cocktail de cor e luz que banha a cidade, gerado pelas iluminações de rua (cada vez mais humildes), pelas decorações das montras ou simplesmente pelo amontoado de pessoas que pinta as principais ruas comerciais com os casacos, as camisolas de lã e os sacos das compras. E como gosto das cartolinas fluorescentes a anunciar as promoções (como se estivéssemos no talho e se se tratasse de bifes da vazia ou de costela mendinha) e das luzes descaracterizadas e exageradas (que às vezes mais fazem lembrar uma festa popular do que uma religiosa).

Adoro o Natal pelo canto da lenha ainda húmida a crepitar e pelo perfume encorpado que exala através das chaminés fumegantes.

Adoro o Natal pelas canções natalícias criadas pelas rádios onde, utilizando a ironia, a comédia e os seus débeis talentos artísticos, conseguem sempre contextualizar esta festa na conjuntura actual, sem que fiquemos deprimidos.

Adoro o Natal pela 1ª coisa que faço, todos os anos, quando acordo na manhã do dia 25 de Dezembro: comer uma rabanada em jejum, seguindo-se 3 goles de Coca-Cola, ainda com a boca a parecer uma folha de papel cavalinho, devido aos doces que se comeram até tão tarde, na véspera.

Adoro o Natal pelos jantares que se fazem, que nunca se fazem, e por aqueles que só se farão lá para Janeiro ou Fevereiro… com sorte! E gosto também das prendas intrépidas para o “Amigo Oculto” que acabam por tornar estas ocasiões ainda mais divertidas, dado o baixo valor orçamental acordado. E já dei e recebi de tudo: latas de atum, peças de fruta, lixo nuclear, autocolantes, etc…

Adoro o Natal pela música. Esta é uma época em que ponho de lado a minha faceta mais tendenciosa no que concerne ao ouvido.  Os clássicos são os meus preferidos: ”Holy Night”; “Jingle Bells”; “Rockin’ Around the Christmas Tree”; “Rudolph the Red Nosed Reindeer”; “We Wish You a Merry Christmas”; “Let it Snow”; “The Twelve Days of Christmas”. Depois há também aquelas músicas que sempre fizeram parte do repertório das festas de Natal da escolinha e que adocicam com um toque de nostalgia esta quadra: “Noite Feliz”; “Pinheirinho”; “Glória”; “A Todos um Bom Natal”; “Alegrem-se os Céus e a Terra”. E finalmente as músicas mais pop/rock, onde há até um lugar para as britneys, as mariahs e as celines, porque mesmo elas merecem celebrar esta ocasião: “Feed the World”; “All I Want For Christmas Is You”; “So This is Christmas”.

Adoro o Natal pelas crianças! Tenho memória de todos os Natais terem sido passados com estas pessoas pequeninas que conservam acesa a chama do espírito de Natal e firme a vontade de manter todas as crenças. Vibro com a ansiedade dos mais novos que perguntam, de cinco em cinco minutos, “Ainda falta muito para o Pai Natal chegar?”, ainda que não tenhamos acabado de jantar. Tenho palpitações ao antever as reacções aos presentes que vão receber, sabendo que alguns saboreiam mais o ritual da sua entrega individual (ao mesmo tempo que reconhecem traços familiares naquela figura mítica de barriga tão proeminentemente almofadada), do que propriamente a sua fruição. Os seus sorrisos, a sua excitação e a sua alegria são, decididamente, um dos ingredientes fundamentais para que continue a acreditar no Natal.

E adoro o Natal por todas as recordações que fui guardando ao longo destes 28 anos:

- a noite passada a cantar e a receber moedas, imediatamente depositadas no meu mealheiro do Snoppy, que seriam, dias mais tarde, religiosamente distribuídas pelos pobrezinhos espalhados pelo centro da cidade (quando a verdadeira pobrezinha era eu, que ganhava dinheiro a cantar com apenas 2 ou 3 anos, com o consentimento dos pais e familiares);

- a surpresa e o orgulho de, ao chegar a minha casa depois das festas, ver que o velhinho barrigudo também por ali tinha passado, porque naquele ano tinha-me portado realmente bem e merecia receber prendas em dois lugares diferentes;

- a abertura de algumas prendas antes do dia, depois de me deixar corroer totalmente pela curiosidade, acreditando sempre que os meus pais não notariam, mesmo quando, ao descolar, a fita-cola trouxesse agarrada a si um “Feliz N”;

- a coincidência do Pai Natal chegar sempre no momento em que nos mandavam brincar na sala, enquanto a minha avó varria a cozinha (onde estava a grande lareira que aquecia os nossos Natais e por onde desciam todos os presentes), sem que alguma vez lá se tivesse queimado;

- a felicidade das minhas pupilas gustativas no momento em que recebia “O” bonequinho cor-de-rosa e transparente cheio de ovinhos “kinder choco bons”, ano após ano;

- as barrigadas de risos que tínhamos de abafar, quando ficávamos com os primos a jogar “Pictionary” pela noite dentro, porque um só traço não pode, nunca, querer ilustrar um foguetão, e um círculo jamais será o rato Mickey;

- o sacrifício de comer duas lascas de bacalhau cozido, um quarto de batata “pequena, mãe, quero uma pequenina” e um ovo, só conseguido tendo em mente as rabanadas, as prendas e o Pai Natal, juntamente com o Menino Jesus, todos a olharem para mim.

Enfim… Tantos e tão bons momentos que têm de ser perpetuados na minha memória para que continue a acreditar, e sempre com a mesma intensidade, na magia do Natal!

E isso é o que mais importa nesta altura: conservar os ícones e as lembranças que transformam o Natal numa época mágica, em que queremos reunir todos os que amamos e dar um bocadinho de nós a todas as pessoas que precisam, mantendo este sentimento pelo maior período de tempo possível. E é também por este motivo que mantenho à vista, durante todo o ano, um presépio: para me recordar que “O Natal é quando o Homem quer”.

Feliz Natal!